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  1. O bestiário fantástico de Alexandra Moura
  2. Primark em trajetória ascendente
  3. Apple de olho nos tecidos inteligentes
  4. Crescimento do consumo chinês deverá abrandar
  5. Britânicos querem robots para tarefas pesadas
  6. Resolução de ano novo: abandonar a fast fashion

1O bestiário fantástico de Alexandra Moura

Monstros, seres fantásticos e bestas dominaram a passerelle de Alexandra Moura na sua estreia na Semana da Moda de Milão, com um desfile marcado pela sobreposição de tecidos e choque de estampados. Para a coleção outono-inverno 2019/2020, para mulher e homem, a designer portuguesa inspirou-se na ceramista Rosa Ramalho, figura da olaria tradicional portuguesa. As modelos, cuja maquilhagem também foi beber inspiração ao trabalho de Rosa Ramalho, desfilaram com grandes círculos à volta dos olhos, desenhos de dentes nas caras e usaram casacos e vestidos com bastantes camadas, incluindo, por exemplo, dois pares de meias. As camisolas com capuz apareceram agarradas aos pescoços e por cima de casacos, que contavam, por exemplo, com uma das mangas pendurada. Algumas das peças de Alexandra Moura ilustravam desenhos de monstros característicos do trabalho de Rosa Ramalho e citações da própria ceramista, como a frase «não é sonho nenhum». «A Rosa Ramalho era uma mulher com um sentido estético e inteligência à frente do seu tempo. O contraste entre a sua arte visionária e a sua vida simples no campo é um elemento essencial para o desenvolvimento da coleção… Seres fantásticos, monstros e bestas deram vida aos detalhes, aos desenhos, à mistura e à sobreposição de materiais, cores e citações», podia ler-se nas notas do desfile. A coleção aposta maioritariamente em cores escuras, como o amarelo mostarda, a borgonha ou o azul marinho, mas pontuada de apontamentos de prata, em colares, leggings ou luvas. A Semana da Moda de Milão, onde marcaram presença nomes como Giorgio Armani, Prada, Gucci e Versace, foi a terceira do calendário da moda, que começou em Nova Iorque e passou também por Londres. A Semana da Moda de Paris, a última paragem das coleções para a próxima estação fria, arranca na segunda-feira, dia 4 de março.

2Primark em trajetória ascendente

A gigante do retalho estima que as vendas dos primeiros seis meses do ano financeiro, até 24 de abril, aumentem 4% em relação ao exercício anterior. O incremento é, uma vez mais, impulsionado pela expansão do número de lojas. Atualmente, a Primark opera 364 lojas com cerca de 1.400 mil metros quadrados (um crescimento em relação aos 1.320 mil metros quadrados do ano passado) e deverá aumentar em mais cerca de 80 mil metros quadrados neste ano financeiro. Só no próximo trimestre, contará com mais 37 mil metros quadrados de espaço de venda. De modo geral, nos primeiros seis meses do corrente ano financeiro, as vendas comparáveis deverão diminuir 2%. No entanto, com margens mais altas, a Primark prevê que os lucros fiquem acima dos de igual período do ano passado, acrescentando que as vendas da coleção primavera-verão estão a ser «encorajadoras». Relativamente ao seu mercado mais recente, os EUA, a retalhista revela que «houve menos perdas, impulsionadas pela loja aberta recentemente em Brooklyn e pelo crescimento das vendas comparáveis». Quanto ao Reino Unido, no primeiro semestre do ano fiscal, as vendas deverão crescer 2%. «Aumentámos substancialmente a nossa quota do mercado de vestuário, calçado e acessórios. A fraca adesão em novembro foi compensada por uma boa comercialização em todos os outros meses», assegura a Primark. Entretanto, as vendas totais na Zona Euro deverão ficar 5% acima do ano passado, «com um crescimento particularmente forte nas vendas em Espanha, França, Itália e Bélgica». A retalhista admite, contudo, que a descida global de 3% nas vendas comparáveis é uma preocupação e que se deve a uma adaptação ao difícil mercado alemão. «Na Alemanha, melhorámos a gestão e elaborámos um plano de marketing para potenciar um mercado que continua a ser difícil. Estamos a preparar-nos para reduzir o espaço de venda em algumas lojas, de modo a otimizar o seu custo», adianta.

3Apple de olho nos tecidos inteligentes

O Departamento de Patentes e Marcas Comerciais dos Estados Unidos divulgou um grande número de patentes aprovadas para a Apple, uma das quais relacionada com um tecido, segundo a Patently Appel. A mais recente patente, que foi apresentada em setembro de 2016, mostra apenas uma imagem intitulada “Tecido”, do que parece ser um material enrugado. Recorde-se que, ao longo dos últimos anos, têm sido aprovadas numerosas patentes da Apple relacionadas com tecido. Por exemplo, há algumas semanas, foram aprovadas várias patentes da gigante tecnológica relacionadas com tecidos inteligentes, que podem ser usados tanto em vestuário como em dispositivos eletrónicos. Uma das inovações está relacionada com uma luva com um circuito eletrónico no interior do tecido, tornando possível a colocação de sensores, como monitores de pressão arterial. Outra patente, aprovada no verão passado, envolve peças de vestuário com sensores integrados, como auxílio a portadores de deficiência visual.

4Crescimento do consumo chinês deverá abrandar

Segundo o Ministério do Comércio da China, o aumento do consumo no país irá «muito provavelmente» abrandar este ano, tendo em conta os crescentes desafios que o Império do Meio enfrenta no decorrer da guerra comercial com os EUA. O Governo chinês já esgotou o conjunto de medidas de apoio para diminuir os efeitos da disputa nas trocas comercias e no investimento e está a contar com o colossal número de consumidores para impedir um abrandamento mais forte da economia. «As contradições e os riscos a médio e longo prazo acumulados irão tornar-se mais evidentes em 2019. A pressão sobre os consumidores irá aumentar e, muito provavelmente, o crescimento do consumo deverá desacelerar», admitiu Wang Bin, vice-diretor geral do departamento de operações de mercado e promoção do consumo do ministério do Comércio, citado pela Reuters. Bin refere que o abrandamento nas vendas a retalho no ano passado, cujo crescimento médio foi de 9%, o mais lento dos últimos 15 anos, se deveu a um enfraquecimento «temporário» nas vendas de automóveis e nos gastos relacionados com o lar e que outras categorias continuam a apresentar um crescimento «relativamente normal». O aumento das vendas no retalho durante o período festivo de Ano Novo, que terminou recentemente, atingiu o seu valor mais baixo desde 2011, prova da incerteza dos consumidores. No entanto, Wang Bin acredita que não é necessário haver demasiadas preocupações com o sector do retalho, garantindo que as medidas de apoio do Governo deverão diminuir o abrandamento. Na verdade, o mercado dos produtos de luxo parece não ter sentido o impacto da desaceleração geral da economia. A forte procura chinesa ajudou a L’Oreal a superar as previsões de venda no último trimestre do ano, enquanto a casa de moda francesa Hermès garante que as vendas nas lojas chinesas permaneceram positivas durante o mesmo período.

5Britânicos querem robots para tarefas pesadas

Ainda que aparentemente estejam preocupados com o número crescente de robots a invadir as suas vidas e o que isso pode significar para as perspetivas de emprego, os cidadãos britânicos estão abertos à inclusão dos robots, mas apenas se estes fizerem os trabalhos que não querem fazer. O mais recente relatório World Robotics, da Federação Internacional de Robótica, revela que as instalações industriais de robots no Reino Unido aumentaram, pelo terceiro ano consecutivo, para cerca de 2.300 unidades em 2018, ainda que o país não seja propriamente pioneiro no uso de robots industriais. O valor representa um crescimento de 31% em relação a 2016/2017. Quando questionados acerca do espaço de trabalho do futuro, num inquérito realizado para a Automatica, feira de robots e automação, os trabalhadores britânicos afirmam querer que os robots assumam os trabalhos menos saudáveis (83%), mais perigosos (77%) e monótonos (72%). Os investigadores questionaram cerca de 1.000 cidadãos britânicos e descobriram que não só a maioria quer que os robots façam os trabalhos mais sujos, aborrecidos e perigosos, como 70% dos inquiridos olham para eles como uma possibilidade de «maior aprendizagem para obter um trabalho mais qualificado e criar mais oportunidades para a educação e formação». Os inquiridos admitem igualmente estar à vontade com a ideia de trabalhar lado a lado com robots e 68% acham que «trabalhar junto a robots sem barreiras de segurança pode melhorar a produção». A justificação é que «talentos humanos como o discernimento e boas capacidades motoras», podem ser combinadas, de forma positiva, com as capacidades dos robots, como «a força e a precisão». 70% acreditam que a combinação entre o ser humano e o robot não só é desejável, como é essencial para as empresas se tornarem mais competitivas. Pelo menos 52% consideram que a digitalização e a robótica podem devolver postos de trabalho que foram deslocalizados nos últimos anos.

6Resolução de ano novo: abandonar a fast fashion

Deixar de comprar fast fashion, com o objetivo de adotar um estilo de vida mais sustentável, é uma das principais resoluções de ano novo para 2019 para o género feminino. Um novo estudo da Thredup, que inquiriu 1.000 mulheres, no seu relatório New Year’s Resolution, revela que, de modo geral, o género feminino quer gerar menos desperdícios (58%), fazer compras mais sustentáveis (84%) e comprar produtos em segunda mão (43%). As resoluções de ano novo podem não se cumprir, mas os dados da pesquisa mostram que a motivação para deixar de comprar fast fashion é elevada. O relatório conclui ainda que, quanto mais novos os inquiridos, mais comprometidos se sentem em relação à sustentabilidade. Por exemplo, 31% das mulheres questionadas garantem estar «a planear abandonar as marcas de moda descartável», mas o número sobe para 40% quando se fala apenas das millennials. Similarmente, enquanto 43% admitem querer comprar artigos em segunda mão, as inquiridas entre os 18 e os 25 anos vão fazê-lo em maior número (50%). Do mesmo modo, 42% das mulheres querem comprar «produtos de maior qualidade que durem mais tempo» este ano, mas o número aumenta para 54% no caso da geração Z. O estudo aponta que, na lista de ações para ser mais ecológica em 2019, diminuir nas compras de fast fashion ocupa o sexto lugar. Mas a moda acaba por estar presente entre as ações que as inquiridas prometem levar a cabo. A principal prioridade é reciclar, seguida de comprar em segunda mão e, em terceiro, adquirir produtos sustentáveis. Todas estas ações estão, de alguma forma, relacionadas com a indústria da moda. No entanto, o relatório indica que o preço é um fator essencial, que poderá mesmo impedir as mulheres de serem mais sustentáveis em 2019. Tendo em conta que a principal resolução de ano novo das mulheres (57%) é comprar produtos que permitam poupar dinheiro, talvez a lacuna entre as boas intenções e a necessidade de economizar permaneça tão grande quanto agora.