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Breves

  1. Adidas lidera na sustentabilidade
  2. Wal-Mart financia inovação têxtil
  3. Retalho com resultados agridoces
  4. RadiciGroup quer limpar o plástico do mar
  5. Parceria Trans-Pacífico recebe apoio
  6. Têxteis orgânicos ganham força

1Adidas lidera na sustentabilidade

A Adidas, a Hennes & Mauritz, a Marks & Spencer e o Kering foram consideradas as empresas mais sustentáveis do mundo, segundo um novo ranking feito pela Corporate Knights para coincidir com o Fórum Económico Mundial na Suíça. O grupo de artigos de desporto Adidas ficou no quinto lugar no Global 100 Index, sendo o líder na indústria de têxteis, vestuário e artigos de luxo, mas caiu duas posições face ao terceiro lugar alcançado no ano passado. Este é, contudo, o terceiro ano consecutivo que o grupo está nos primeiros 10, com a Adidas a sublinhar que isto é «um claro reconhecimento dos esforços de sustentabilidade da empresa». A retalhista de moda sueca Hennes & Mauritz ficou no 20.º lugar, seguida da retalhista britânica Marks & Spencer, no número 21. O grupo de bens de luxo Kering entrou pela primeira vez no Global 100 Index este ano, tornando-se na única empresa de luxo a ser incluída na lista. A sua inclusão teve por base a avaliação da sua performance de sustentabilidade em 2015, um ano em que o grupo publicou o seu primeiro relatório de lucros e prejuízos ambientais e divulgou a metodologia. O Global 100 Index é reconhecido como uma das avaliações mais extensivas de sustentabilidade com base em dados e tem por base 12 indicadores de performance quantitativos que abrangem aspetos económicos, ambientais e sociais. O Global 100 Index da Corporate Knights é composto a partir de um universo inicial de 4.353 empresas cotadas em bolsa que tinham um valor de mercado superior a 2 mil milhões de dólares (cerca de 1,85 mil milhões de euros) a 1 de outubro de 2015. A lista é encabeçada pela BMW, com a empresa de software Dassault Systèmes em segundo lugar e a empresa finlandesa de construção e engenharia Outotec a ficar no terceiro lugar.

2Wal-Mart financia inovação têxtil

Como parte dos esforços em curso para aumentar a produção nos EUA, o Wal-Mart atribuiu 2,8 milhões de dólares (2,6 milhões de euros) a cinco universidades pelo seu trabalho em inovação na produção têxtil. O US Manufacturing Innovation Fund foi anunciado em 2014 e irá atribuir 10 milhões de dólares em bolsas ao longo de cinco anos. Na segunda ronda de financiamento, o Wal-Mart indicou que as universidades foram selecionadas pelo seu trabalho na redução dos custos da produção têxtil, incluindo têxteis-lar e vestuário, nos EUA e na melhoria dos processos de produção em vários produtos de consumo. Entre os projetos apoiados estão o tingimento mais ecológico de tecidos através de estamparia digital contínua e tintas com biopigmentos da Universidade do Oregon, assim como o projeto de melhoria da eficiência da tecelagem da Universidade da Carolina do Norte. A investigação na Universidade Clemson está focada na redução de energia e efluentes através do tingimento inovador de tecidos de poliéster, a Universidade do Texas, em Austin, está a investigar a inspeção de defeitos no tecido enquanto este está ainda no tear através de sensores de imagem por contacto e a Cornell University está a investigar resíduos têxteis pós-consumo e substitutos de matérias-primas para novos têxteis. «Através destas bolsas esperamos ajudar a remover as barreiras à revitalização e crescimento da produção de vestuário nos EUA, ao mesmo tempo que são criados processos de produção mais sustentáveis», explicou Kathleen McLaughlin, presidente da Wal-Mart Foundation e diretora de sustentabilidade no Wal-Mart. O fundo de inovação faz parte do compromisso do Wal-Mart de ajudar a revitalizar a produção nos EUA e, até 2023, o retalhista pretende comprar mais 250 mil milhões de dólares em produtos que apoiem empregos nos EUA.

3Retalho com resultados agridoces

As vendas a retalho de vestuário e calçado no Reino Unido tiveram resultados mistos em dezembro, com as vendas nas lojas físicas a caírem, enquanto as vendas online registaram crescimento, embora a um ritmo mais lento do que no mês anterior. O volume de vendas nas lojas de têxteis, vestuário e calçado caíram 4,2% em termos anuais em dezembro, segundo o gabinete de estatística do país. Em valor, as vendas desceram 3% e os preços médios em loja para a categoria caíram 0,9%, para 1,3 mil milhões de libras (1,71 mil milhões de euros). As vendas pela internet cresceram 10,3%, representando 13,6% de todas as vendas feitas online. No geral, as vendas a retalho subiram 2,6%, tornando dezembro o 32.º mês consecutivo de crescimento em termos anuais. Em valor, contudo, as vendas caíram 1%. «Com as vendas online a crescerem por uns impressionantes 8,2% em comparação com o período festivo de 2014, é seguro dizer que o Natal foi uma questão online em 2015», afirma David McCorquodale, diretor de retalho na KPMG. A situação meteorológica pouco comum para a época, acredita, foram um fator que contribuiu para o aumento das vendas online, com as fortes chuvas a impedirem os consumidores de se aventurarem no exterior e também a desencorajar a compra de vestuário e calçado quente para o inverno. Contudo, com os volumes em queda em termos mensais, McCorquodale afirma que o impacto da Black Friday tornou os consumidores mais inteligentes, já que dividiram os custos com as compras de Natal por seis semanas em vez de apenas as duas semanas tradicionais. «A facilidade de entrar online em vez de andar, em combinação com a cada vez maior facilidade da logística e das redes de entrega, é também uma boa notícia para o consumidor, mas os retalhistas terão de reconsiderar o papel da loja se quiserem reverter a mudança para o canal online», conclui.

4RadiciGroup quer limpar o plástico do mar

O produtor italiano de fios RadiciGroup juntou-se a uma iniciativa pan-europeia para reduzir o impacto ambiental das nano e micropartículas de plástico lançadas nos ecossistemas marítimos pelos processos de lavagem de têxteis. O projeto Mermaids é financiado parcialmente pelo programa LIFE+ da União Europeia e o seu objetivo é reduzir em 70% a quantidade de microfibras de plástico soltas pelos tecidos sintéticos ou com misturas nas águas residuais resultantes da lavagem e dos acabamentos têxteis. O microplástico concentra poluentes orgânicos permanentes que podem ser ingeridos pelos organismos marinhos, introduzindo poluentes tóxicos na cadeia alimentar – e acredita-se que mais de 1.900 micropartículas podem soltar-se de uma única peça de vestuário sintético em apenas uma lavagem. Estes fragmentos têm entre 5 mm e alguns microns de comprimentos e não se consegue retirá-los nas unidades de tratamento de águas residuais. O RadiciGroup, que produz fios de poliamida e poliéster, está a colaborar com o Instituto de Estudo Macromoleculares de Biella, que pertence ao Conselho Italiano de Investigação Nacional, que faz parte do projeto Mermaids. «Acreditamos que uma abordagem científica ao problema e o envolvimento ativo de toda a cadeia têxtil – desde o produtor ao consumidor final – são componentes essenciais de um plano para lançar luz sobre a importante questão do impacto ambiental do microplástico proveniente da lavagem de vestuário», explica Filippo Servalli, diretor de marketing do RadiciGroup. A pesquisa identificou a intensidade do tratamento e o tipo de detergente usado como os fatores mais críticos na libertação de microplástico. Outros fatores secundários incluem as características do substrato têxtil (como a propensão para piling, costuras e características das fibras) e tratamentos contínuos dos filamentos. Os resultados do estudo nos seus fios permitiram ao RadiciGroup identificar alguns fatores ligados às características dos fios que podem ajudar a reduzir a libertação de microplásticos. Por exemplo, o fio tingido numa solução tem uma pegada ambiental menor do que os fios tingidos da forma convencional. Entre as metas da investigação está o desenvolvimento de novos acabamentos têxteis e detergentes que possam minimizar a libertação de microplásticos no processo de lavagem. O RadiciGroup investiu mais de 128 milhões de euros nos últimos cinco anos em inovação e novas tecnologias para ajudar a atingir as suas metas de sustentabilidade.

5Parceria Trans-Pacífico recebe apoio

A indústria têxtil dos EUA manifestou oficialmente o seu apoio à Parceria Trans-Pacífico (TPP na sigla original), após o que afirma ter sido uma «análise exaustiva» do acordo. O National Council of Textile Organizations (NCTO) votou formalmente para apoiar o TPP, que foi assinado em outubro do ano passado, após mais de cinco anos de negociações. A justificação para o apoio prende-se com o facto dos principais objetivos do grupo terem sido respeitados no acordo final, que foi publicado em novembro do ano passado. Esses objetivos incluem uma forte regra de origem a partir do fio para a grande maioria dos produtos têxteis e vestuário, a eliminação faseada das taxas sobre os produtos e termos que têm em conta a estabilidade da cadeia de produção de têxteis e vestuário no hemisfério ocidental. «Devido à inclusão do Vietname e outros grandes países exportadores de têxteis e vestuário, o acordo TPP é a iniciativa política mais significativa a confrontar o sector têxtil dos EUA nos últimos 25 anos», afirma Jeff Price, presidente do conselho de administração do NCTO. «Como tal, era crítico que o nosso governo produzisse o acordo final que refletisse, de forma apropriada, as necessidades dos produtores americanos de têxteis e das centenas de milhares de pessoas que emprega em todo o país. Acreditamos que o acordo concluído no final do ano passado em Atlanta responde aos nossos principais objetivos e merece todo o nosso apoio», acrescenta. Segundo o NCTO, a indústria têxtil e de vestuário dos EUA produz mais de 70 mil milhões de dólares (64,7 mil milhões de euros) todos os anos e emprega quase 500 mil pessoas em todo o país. Em 2014, o sector exportou bens num valor superior a 24 mil milhões de dólares.

6Têxteis orgânicos ganham força

A Textile Exchange e a Organic Trade Association juntaram forças numa tentativa de reforçar a influência nas políticas públicas da indústria de têxteis orgânicos da América do Norte. A colaboração vai permitir que as duas organizações trabalhem em conjunto em propostas legislativas e iniciativas de educação para o consumidor. Um dos grandes objetivos da nova parceria será impulsionar a chegada de informação ao consumidor sobre as vantagens das fibras e têxteis orgânicos, sobretudo os benefícios ambientais e sociais do seu cultivo e processamento. «Este é apenas o início de uma colaboração entusiasmante que irá levar o sector das fibras orgânicas para o próximo nível», afirma Marci Zaroff, fundadora da Under Canopy e parte do conselho de administração da Textile Exchange e da Organic Trade Association. «As pessoas querem tornar o orgânico numa parte maior do seu estilo de vida, mas muitas vezes não têm conhecimento de todas as formas que as fibras orgânicas podem contribuir para o bem-estar humano e do planeta, assim como para a justiça social», acrescenta. Segundo o estudo sobre a indústria orgânica de 2015 realizado pela Organic Trade Association, as vendas de fibras orgânicas nos EUA foram o sector não-alimentar com mais rápido crescimento, tendo atingido 1,1 mil milhões de dólares (1,02 mil milhões de euros) em 2014, mais 18% em comparação com o ano anterior. A principal fibra orgânica é o algodão. Em 2014, os agricultores americanos plantaram algodão orgânico em 18.234 acres – a maior área dedicada a algodão orgânico nos EUA desde 1995. E segundo o relatório sobre o mercado orgânico em 2014 da Organic Exchange, as vendas mundiais de produtos com algodão orgânico atingiram uns estimados 15,7 mil milhões de dólares em 2014, mais 10% do que em 2013.