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Breves

  1. Inditex pouco ambiciosa
  2. Prada com ligeiro aumento nas vendas
  3. Boohoo compra Karen Millen e Coast
  4. Barneys New York entra em falência
  5. ITV do Bangladesh não cumpre regras de segurança
  6. Valentina Sampaio, a primeira modelo transgénero da Victoria’s Secret

1Inditex pouco ambiciosa

Sendo a terceira maior empresa de vestuário do mundo, depois da Christian Dior e da Nike, a promessa de, até 2025, usar 100% fibras aprovisionadas de forma sustentável, em todas as suas marcas, pode parecer ambiciosa. Mas, pelo contrário, a empresa que detém a Zara poderia ir muito mais longe, considera a organização Labour Behind the Label. «A indústria mundial do vestuário é construída a partir da exploração de pessoas e do planeta e, por isso, é vital que o conceito de sustentabilidade abranja a proteção dos direitos dos trabalhadores», afirma Ilana Winterstein, diretora de comunicação da organização. «Estamos a falar de uma empresa com um verdadeiro poder na indústria e ainda que as suas ambições sejam louváveis, não vão longe o suficiente», considera. Apesar da decisão conferir uma maior transparência à cadeia de aprovisionamento, a Inditex ainda não revelou publicamente a lista dos 7.210 fornecedores, o que torna difícil verificar as suas garantias relativamente às condições de trabalho. «Muitos dos rivais da Zara já tornaram pública a sua lista de fornecedores. É uma medida simples e sustentável que a Inditex podia tomar», explica Ilana Winterstein.

2Prada com ligeiro aumento nas vendas

As receitas da casa de moda italiana subiram 2% na primeira metade do ano, em linha com as estimativas do mercado. A Prada registou também um incremento nas vendas a preço total e o crescimento sólido do seu canal de vendas por distribuição compensou o impacto da decisão de reduzir os descontos. O grupo já tinha revelado que este ano iria por fim às promoções de final de estação nas suas lojas e passaria a ser mais seletivo relativamente aos distribuidores, no sentido de potenciar as vendas a preço total, aumentar as margens e proteger as suas marcas. As vendas da Prada aumentaram, em 2018, pela primeira vez em quatro anos, num crescimento sustentado pela nova estratégia, com o objetivo de rejuvenescer as marcas, com foco na renovação das lojas, dos produtos e das vendas digitais. Na primeira metade de 2019, as receitas totalizaram 1,57 mil milhões de euros, um valor estável quando se exclui o impacto das flutuações cambiais. Os lucros operacionais diminuíram 13% para 150 milhões de euros. A margem de lucro operacional da casa de moda italiana tem diminuído todos os anos desde 2012, tendo-se fixado nos 27%.

3Boohoo compra Karen Millen e Coast

A retalhista online adquiriu as duas marcas britânicas, colocando um ponto de interrogação acerca do destino das suas lojas físicas no Reino Unido. A Boohoo revela ter pago 18,8 milhões de libras (cerca de 20 milhões de euros) pelas marcas, em conformidade com os detalhes da proposta anunciada anteriormente. Segundo a Sky News, a venda poderá por em causa centenas de postos de trabalho das lojas de ambas as marcas. A Karen Millen tinha adquirido parte da Coast recentemente, depois desta última ter declarado insolvência, juntando-se à lista de retalhistas atingidas pela concorrência do online e a incerteza do Brexit. A Karen Millen, fundada em 1981 e detida pelo banco islandês Kaupthing, tinha requerido à Deloitte para procurar opções para a empresa, incluindo a venda. «Podemos esperar que haja mais acordos desta natureza, já que o comércio eletrónico está a tornar-se um campo de batalha essencial para o retalho e para as empresas que procuram criar quota de mercado e dominar os seus sectores», admite Jonathan Buxton, sócio e diretor para a área do retalho e do consumidor da Cavendish Corporate Finance. A Karen Millen e a Coast têm presença em cerca de 60 países, com mais de 500 espaços físicos.

4Barneys New York entra em falência

A department store de luxo dos EUA declarou falência e está à venda, depois de ter enfrentado vários problemas relacionados com a subida das rendas em Nova Iorque e de ter falhado nas suas tentativas iniciais de encontrar um comprador. A Barneys New York irá fechar portas das suas lojas físicas em Chicago, Las Vegas e Seattle, assim como de sete armazéns Barneys em Nova Iorque. A department store conseguiu 75 milhões de dólares (cerca de 66 milhões de euros) em financiamento de parceiros, como o Hilco Global e o Gordon Brothers Group, para conseguir manter-se em funcionamento, enquanto está em processo de insolvência. A Barneys procura, há semanas, por um comprador ou investidor, estando a enfrentar uma crise devido à subida acentuada das rendas da sua flagship em Madison Avenue, para cerca de 30 milhões de dólares (aproximadamente 27 milhões de euros), em relação aos anteriores 16 milhões de dólares. A isto junta-se a pressão do online, que aumentou com o crescimento da Amazon e conduziu ao colapso financeiro de uma grande quantidade de retalhistas tradicionais. No entanto, a sua loja em Madison Avenue irá permanecer aberta, bem como as restantes flagships. «A administração tomou ações decisivas ao entrar num processo supervisionado pelo tribunal, que irá providenciar à empresa as ferramentas necessárias para conduzir o processo de venda, a revisão das nossas atuais licenças e otimizar as operações», refere Daniella Vitale, diretora-executiva da Barneys New York.

5ITV do Bangladesh não cumpre regras de segurança

Apenas 200 das 1.600 empresas de vestuário no Bangladesh cumpriram com as normas internacionais relativas à segurança dos trabalhadores e 400 fábricas foram impedidas de receber encomendas internacionais. A revelação é de Rubana Huq, presidente da Associação de Exportadores e Fabricantes de Vestuário do Bangladesh (BGMEA). O Acordo sobre Incêndios e Segurança de Edifícios no Bangladesh foi criado por marcas de moda europeias para melhorar a segurança das empresas no Bangladesh, depois do colapso do Rana Plaza, em 2013, que resultou na morte de 1.100 pessoas. Originalmente, o pacto a cinco anos terminaria em maio de 2018, mas o período de transição foi estendido. Rubana Huq acusou os membros do acordo de imporem novos requisitos que estão a prejudicar o sector. A presidente da BGMEA afirma que reuniu com os inspetores e pediu-lhes que consultassem os produtores acerca das suas decisões. «Desde a conclusão do acordo, implementámos muitas medidas corretivas, tendo em conta os seus requisitos, que envolveram um grande investimento. Agora, nos testes finais, pedem mais reparações», revela. Rubana Huq indica ainda que, das 1.600 empresas inspecionadas pela empresa entre 2014 e 2019, apenas 200 foram premiadas com certificados de conclusão. Pelo menos 400 empresas que os inspetores analisaram foram demasiado lentas a cumprir com novas regras de segurança, e, por consequência, foram proibidas de aceitar encomendas internacionais das marcas ocidentais que fazem parte do acordo.

6Valentina Sampaio, a primeira modelo transgénero da Victoria’s Secret

A marca de lingerie contratou, pela primeira vez, uma modelo transgénero. A revelação foi feita pelo agente da modelo Valentina Sampaio, numa altura em que a Victoria’s Secret procura modernizar a sua imagem. Daniel Robson confirmou, na Premier Model Management, em Londres, que a modelo brasileira assinou contrato com a Victoria’s Secret, sem revelar mais pormenores. Entretanto, Valentina Sampaio publicou no Instagram uma fotografia sua nos bastidores de uma sessão fotográfica, com um vestido branco, com as hashstags #diversity, #new #vspink #campaign referindo-se à marca Pink, da Victoria’s Secret, lançada em 2002. Numa altura em que a marca de lingerie, conhecida pelas asas que as modelos usam nos desfiles, tem registado uma diminuição das vendas, com as mulheres a optarem por modelos mais desportivos e acessíveis, a Victoria’s Secret está a reformular o seu desfile anual, depois de várias críticas e da diminuição das audiências televisivas ao desfile. A Victoria’s Secret e a empresa mãe, a L Brands, até ao momento, não comentaram a contratação de Valentina Sampaio. Contudo, a contratação de uma modelo transgénero surge depois dos comentários polémicos de Ed Razek, na altura diretor de marketing da empresa mãe L Brands, à Vogue. Razek declarou que não usaria modelos de tamanhos grandes ou transgénero nos seus desfiles. Esta semana, entretanto, Ed Razed anunciou que iria reformar-se, num email enviado à equipa da empresa, ao qual a Thomson Reuters Foundation teve acesso. «Há poucos nesta indústria com a paixão e o talento do Ed. Contudo, tenho fé nas nossas equipas incríveis, no seu talento e nos seus produtos. Estou entusiasmado com o futuro, à medida que crescemos e mudamos», afirmou o diretor-executivo da L Brands, Les Wexner.