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Breves

  1. Café é alternativa aos corantes sintéticos
  2. MO em remodelações para apostar no digital
  3. Retalhistas franceses adotam criptomoeda
  4. Zalando testa entregas sociais na Dinamarca
  5. Nike dá salto no lucro
  6. Online ultrapassa lojas físicas no Natal

1Café é alternativa aos corantes sintéticos

A indústria têxtil consome anualmente milhares de toneladas de químicos por ano, o que contribui para 20% da poluição mundial da água, segundo o Banco Mundial. Para combater o seu impacto ambiental, Changhyun “Lyon” Nam, estudante de gestão de vestuário, eventos e hospitalidade da Universidade Pública do Iowa (ISU), decidiu testar a hipótese de tingir tecido usando grãos de café. Uma vez terminada a experiência com sucesso, procurou aprofundá-la com a colaboração do professor Chunhui Xiang, secando grãos de café durante três dias e fervendo-os em água limpa para extrair o corante, que posteriormente foi aplicado em vários tecidos de algodão, linho, viscose, seda e poliéster – a mistura deu origem a uma variedade de tons castanhos. Xiang acredita na viabilidade de expansão deste processo, dada a quantidade de abastecimento de café, resultante do consumo americano, ao que se acresce a vantagem da redução do desperdício. A resistência à cor também não deverá ser problemática, já que a técnica aplicada reduz o esbatimento do tom. Contudo, como vários outros corantes naturais, a consistência revela-se desafiante, principalmente para os fabricantes, já que «é difícil medir a quantidade necessária para obter exatamente a mesma cor», aponta Xiang. Deste modo, os investigadores concordam que a técnica ainda precisa de ser trabalhada para se tornar uma opção viável à produção em massa. No entanto, o professor prevê que os constrangimentos relativos à consistência das cores podem vir a ser redundantes, à medida que os consumidores se tornam cada vez mais recetivos à proposta única e peculiar oferecida pelos corantes naturais. Por sua vez, Nam está em fase de teste para a produção de sapatos, através da mistura deste corante com uma fibra de celulose derivada do chá kombucha.

2MO em remodelações para apostar no digital

A marca de moda portuguesa MO reabriu a loja do Cascaishopping, que integra agora a plataforma “in-store sales” que permite aos clientes reservar os produtos que desejarem, mas que não se encontrem em loja no momento. Também a área “pick-up point” é uma novidade e possibilita que o cliente possa levantar as compras feitas online em loja. Francisco Sousa Pimentel, administrador da MO, destaca que «os consumidores portugueses estão a comprar de forma cada vez mais inteligente, procuram comodidade e experiências distintivas nos seus processos de compra, para além de procurarem produtos de qualidade com design aos melhores preços. Na MO, dada a nossa posição de liderança de mercado e a essência da nossa marca, estamos focados em simplificar a moda e a vida das famílias, libertando-lhes tempo para celebrarem juntos momentos inesquecíveis». A marca refere que a profunda remodelação vai contribuir para uma compra distintiva, com aposta no digital de forma a potenciar o posicionamento. «A nossa aposta no digital, com o desenvolvimento de uma estratégia omnicanal, está a merecer um forte reconhecimento dos clientes, que nos premeiam com a sua preferência. Como resultado, a nossa atividade tem vindo a crescer e a nossa quota de mercado a ser reforçada, o que coloca hoje a MO como a marca de referência na área da moda para as famílias portuguesas». A nova estratégia já deu origem à remodelação de mais de uma dezena de lojas em todo o país desde o início do ano. Atualmente a MO conta com cerca de 120 lojas em Portugal e está presente em Espanha, Itália, Angola, Moçambique, Camboja, Guatemala e Líbano.

3Retalhistas franceses adotam criptomoeda

Até ao próximo ano, 25 mil pontos de venda de retalho de 30 marcas, incluindo a cadeia desportiva Decathlon, a gigante Foot Locker e a líder de beleza Sephora, estarão prontas para aceitar bitcoin em França, graças a uma parceria entre três entidades da indústria de pagamentos. A Global POS, a Easy2PlayPayment e a EasyWallet estão a trabalhar em conjunto para permitir que os consumidores paguem com bitcoin, algo que só foi possível devido à lei francesa PACTE que incentiva o desenvolvimento e a adoção de tecnologias baseadas em blockchain. «Isto é um passo simbólico importante na evolução dos métodos de pagamento em França. Contudo, mais do que um símbolo, o que trazemos para 25 mil pontos de venda é a capacidade de entrar em segurança no mundo da economia 3.0», afirmou Stéphane Djiane, CEO e fundador da Global POS, em comunicado. Dijane acrescentou ainda «com os nossos parceiros, queremos simplificar a adoção de criptomoedas como um meio real de pagamentos dentro de uma estrutura definida pela lei. Se inicialmente o serviço que oferecemos permitirá o uso de bitcoins, o nosso objetivo é abrir uma solução para outras criptomoedas no futuro». Um estudo recente da EasyWallet descobriu que quatro milhões de pessoas em França, ou cerca de 6,7% da população, possuem alguma forma de criptomoeda, o que pode impulsionar a adoção de moedas digitais no quotidiano. De acordo com dados da Azoth Analytics, em agosto, o mercado de criptomoedas foi avaliado em cerca de 786 mil milhões de euros. As estruturas legais progressivas e o reconhecimento no bloco europeu estão entre os fatores que impulsionam o crescimento, acrescentou a empresa.

4Zalando testa entregas sociais na Dinamarca

A partir de agora os clientes da Zalando na Dinamarca têm uma nova opção para levantar e devolver as encomendas online. A retalhista europeia e a PostNord, empresa transportadora na Dinamarca, colaboraram na formação de um novo programa que transforma as residências privadas dos cidadãos em pontos de entrega e recolha para os clientes. A experiência foi lançada em julho deste ano, com 50 membros participantes, conhecidos como “Din Nabo” que significa “o seu vizinho”, em códigos postais selecionados em Aarhus e em Copenhaga. O parceiro holandês da Zalando, Homerr, gere a rede “Din Nabo”. Desde o lançamento, a experiência tornou-se popular entre os clientes e quase todos (95%) disseram ter recebido um excelente serviço durante a recolha ou devolução. A grande maioria dos consumidores (85%) valoriza o programa “Din Nabo” pela proximidade a casas e ao local de trabalho e mais de metade (57%) disseram que seria provável usarem o serviço devido aos benefícios para o ambiente. Também mais de um terço dos clientes (42%) indicaram que apoiavam o programa por causa do impacto social (os “Din Nabo” recebem uma pequena comissão por gerir as encomendas) e 15% que foram aliciados pelo serviço uma vez que o horário disponível é conveniente. «As primeiras conclusões da experiência indicam que o conceito vai funcionar ainda melhor em áreas rurais», acredita Remko Bakker, que lidera os serviços logísticos da plataforma Zalando. Remko Bakker explicou também que com menos lojas nessas áreas (e horários de funcionamento limitados para as que existem), a necessidade de pontos convenientes de entrega e recolha ainda é maior do que em áreas urbanas com mais movimento. Além de fornecer uma experiência conveniente para os consumidores da Zalando, a experiência também pretende reduzir a pegada de carbono da empresa. O facto da Zalando designar pontos de entrega e de recolha permite que a retalhista consiga agrupar os pedidos e, consequentemente, fazer envios para menos endereços, de forma a criar uma rota de entregas mais vantajosa e menos pressionada pelo tempo de chegar ao destino final. No que diz respeito à expansão do programa para outras áreas de serviço, a Zalando está a adotar uma perspetiva segura e prefere esperar para ver. Apesar dos pontos de acesso da “Din Nabo” terem sido bem-sucedidos na Dinamarca, Bakker afirmou que as diferenças culturais entre os países e as regiões têm de ser tidas em conta. «Nós esforçámo-nos para adaptar as nossas propostas de conveniência ao mercado, com base no nosso conhecimento do cliente», explicou. «Descobrimos que o conceito de entrega aos vizinhos quando não estamos disponíveis, é mais comum na Alemanha e na Holanda… Os clientes franceses preferem a entrega aos correios mais próximos. Para os clientes dinamarqueses, um lugar seguro ou uma estação de recolha é a solução preferida», revelou Remko Bakker. Ainda assim, afirmou, «os pontos de entrega e recolha sociais têm o potencial de simplificar a experiência de comércio eletrónico e oferecer mais conveniência ao cliente». A Zalando irá continuar a avaliar a popularidade da experiência, durante o mês de outubro, e depois decidirá se e quando expandir para outros mercados.

5Nike dá salto no lucro

A retalhista de calçado desportivo americano apresentou um aumento de 25% do lucro, para 1,4 mil milhões de dólares (1,29 mil milhões de euros), durante o seu primeiro trimestre, que terminou a 31 de agosto. Estes valores foram potenciados pelo crescimento das receitas na ordem dos 7%, totalizando 10,7 mil milhões de dólares. As vendas nos EUA subiram 4%, para 4,3 mil milhões de dólares, e 2,8% na Europa, Médio Oriente e África (EMEA). Na China, aumentaram 27%, para 1,7 mil milhões de dólares, enquanto na Ásia e América Latina alcançaram 1,1 mil milhões de dólares. Ao nível da marca, as receitas perfizeram um total de 10,1 mil milhões de dólares, impulsionadas por um crescimento da Nike Direct e pelas vendas grossistas. Também as receitas da Converse registaram uma subida de 8% a câmbios neutros, atingindo os 555 milhões de dólares, devido à forte procura da Ásia e do mundo digital, que compensaram o declínio nos EUA. Andy Campion, vice-presidente e diretor financeiro da Nike, anunciou que «os investimentos estratégicos [da empresa] estão a acelerar a sua transformação digital e a desenvolver a sua vantagem competitiva». Em agosto, a Nike adquiriu análises preditivas da plataforma Celect, que lhe permitirá antecipar as necessidades do consumidor e otimizar o seu inventário ao longo de múltiplos canais. Por outro lado, já havia gasto 184 milhões de dólares numa unidade produtiva Nike Air Manufacturing Innovation (Air MI), em Goodyear, Arizona. Mark Parker, CEO da empresa, espera que o efeito do comércio contínuo ultrapasse o conflito entre os EUA e a China, com vista a cumprir os seus objetivos entre o segundo e o quarto trimestres. A Nike é, afirmou, uma «grande defensora do comércio livre, pelo facto de as tarifas terem feito sempre parte da [sua] equação financeira». John Kernan, da Cowen Equity Research, observou que «o crescimento e investimentos transformacionais têm alargado a vantagem competitiva da Nike, particularmente com a sua aquisição da empresa retalhista de análises preditivas e deteção da procura Celect no primeiro trimestre. Os investimentos e aquisições tecnológicos da Nike na área da ciência de dados irão suportar a sua capacidade de ler e reagir a sinais da procura digital e aumentar as vendas».

6Online ultrapassa lojas físicas no Natal

Parece que os cliques superam as visitas às lojas físicas na época de Natal. Os principais culpados são os Millennials que usam o telemóvel como meio de consumo, de acordo com um estudo do fornecedor de tecnologia de publicidade OpenX e The Harris Poll. Foram questionadas online 2 mil pessoas com idades superiores a 18 anos. As respostas revelaram que 53% das compras, no período de Natal, serão feitas digitalmente. Os consumidores planeiam gastar aproximadamente um em cada cinco euros através do dispositivo móvel. Já o computador vai representar 29% das compras e os smart speakers com “outros” representará 4%. Para os retalhistas, as notícias são positivas, já que quase um terço dos inquiridos e metade dos inquiridos Millennials planeiam gastar mais nas férias este ano do que no ano passado, o que é 15% mais do que o consumo médio e 25% mais que a geração Baby Boomers. Além disso, 68% dos Millennials afirmam ser os mais consumistas da casa, o que se pode traduzir numa oportunidade para os retalhistas e para os responsáveis de marketing para conseguirem atingir este público-alvo, que gasta aproximadamente mais de 550 mil milhões de euros anualmente nos Estados Unidos, segundo o estudo. A análise prevê que os gastos na época festiva vão aumentar 5% face a 2018. Também se espera que o gasto médio aumente de cerca de 750 para 790 euros. Quase 25% dos inquiridos, 30% no caso dos Millennials, disseram que os anúncios são a principal razão pela qual fazem compras por impulso. Relativamente ao estado do setor económico, as opiniões dividem-se. Um pouco menos de 50% acha que a economia está melhor que há um ano atrás e, numa perspetiva otimista sobre o futuro, mais de 70% está confiante que a economia ainda vai melhorar mais no próximo ano. «O relatório de 2019 tem várias inovações, incluindo o primeiro ano em que os consumidores esperam realizar a maioria das compras online e através dos dispositivos móveis, evitando assim ir à loja pela conveniência do digital», explica Dallas Lawrence, diretor de comunicação da OpenX. «Este também é o ano dos consumidores Millennial. Os Millennials são uma geração mais otimista sobre o futuro económico do que qualquer outra e este otimismo vai levá-los a gastar mais este ano do que qualquer outro grupo analisado. Tudo indica que a época de Natal será muito saudável para os retalhistas dispostos a adotar as mudanças necessárias face a quando, onde e como compram os consumidores» acrescentou.