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Breves

  1. Novas taxas sobre produtos europeus
  2. Infravermelhos na reciclagem de têxteis
  3. Época de Natal forte, mas incerta
  4. Levi Strauss financia inovações sustentáveis
  5. Retalho do Reino Unido sofre em setembro
  6. Mango quer personalidade como tendência

1Novas taxas sobre produtos europeus

Os EUA delinearam uma lista de produtos europeus em que irão ser aplicadas novas taxas alfandegárias, em meados de outubro. Depois da Organização Mundial do Comércio (OMC) ter reconhecido que os subsídios pagos por certos estados membros da União Europeia à fabricante de aviões francesa Airbus prejudicaram a indústria dos EUA, os americanos avançaram com um total de 7,5 mil milhões de dólares (6,8 mil milhões de euros) em tarifas sobre as importações europeias. Na última quarta-feira de setembro, o representante do comércio americano Robert Lighthizer assumiu que os EUA esperam «entrar em negociações com a União Europeia, no sentido de resolver este problema de uma forma que beneficie os trabalhadores americanos». O Gabinete do Representante Comercial dos EUA (USTR) acrescentou que «as tarifas serão aplicadas a uma variedade de importações dos estados membros da UE, com a maior parte a ser aplicada a importações de França, Alemanha, Espanha e Reino Unido – quatro países responsáveis por subsídios ilegais». Esclarece ainda que «apesar do USTR ter a autoridade para atribuir uma tarifa de 100% sobre os produtos afetados, neste momento, as subidas serão limitadas a 10% em grandes aeronaves civis e 25% em produtos agrícolas e outros bens». Estes «outros bens» incluem blusas, pulôveres e camisolas em lã, caxemira, algodão, fibras feitas à mão, outerwear de performance, fatos de lã, roupa de dormir feminina, roupa de banho, roupa de cama e cobertores de algodão. O presidente dos EUA, Donald Trump, pouco mais comentou sobre o assunto para além da publicação no Twitter em que denominou a nova lei como uma «boa vitória» para os americanos. Os EUA solicitaram uma reunião com a OMC para o dia 14 de outubro, para que sejam autorizadas as contramedidas desta resolução, a tempo de entrarem em vigor alguns dias depois. Os acréscimos financeiros impostos por estas tarifas poderão vir a provocar uma disputa, no prazo de oito meses, quando a OMC decidir sobre um caso semelhante que a UE apresentou contra os EUA por subsídios à Boeing. A Comissária Europeia do Comércio, Cecilia Malmström, afirmou que a UE estará preparada para enfrentar as contramedidas resultantes da imposição das novas tarifas.

2Infravermelhos na reciclagem de têxteis

Uma nova geração de tecnologia de infravermelhos pode auxiliar a reciclagem têxtil a identificar fibras em vestuário pós-consumo com maior precisão e fiabilidade. Jaakko Zitting, engenheiro de projetos da empresa de reciclagem Lounais-Suomen Jätehuolto (LSHJ) explica que «a tecnologia de reconhecimento baseada em sensores infravermelhos é comum na classificação de embalagens plásticas, mas é nova na reciclagem têxtil». O projeto foi desenvolvido pela LSJH, em colaboração com a Universidade de Ciência Aplicada de Lati e a Spectral Engines, que planeia construir uma instalação que empregará os sensores infravermelhos para processar têxteis descartados na Finlândia e fora do país. A classificação de resíduos têxteis tem sido tradicionalmente uma tarefa pesada e morosa, porque exige que os trabalhadores examinem manualmente as etiquetas para identificar o conteúdo da fibra. Contudo, estas etiquetas podem ser enganadoras, imprecisas ou nem estarem presentes, o que representa um problema para as indústrias que exigem um tipo específico de fibra recuperada para os novos produtos. Este processo separa materiais de alta qualidade que ficam reservados para os fios, transformando-os em roupas novas, dos de menor valor, convertidos em trapos ou isolamento. Ainda assim, é necessário que haja procura suficiente por fibras recicladas por parte das empresas, tal como argumenta Sini Ilmone, líder de projeto e especialista em economia circular da LSJH. «A reciclagem têxtil só é possível se toda a cadeia de valor têxtil estiver alinhada com a economia circular; noutras palavras, se usarmos fibras [recicladas] para trazer novos produtos ao mercado», afirma. Este projeto foi financiado pelas entidades de resíduos municipais e pelo Ministério do Emprego e Economia da Finlândia, assim como pela Business Finland, que contribuiu com 1,5 milhões de euros.

3Época de Natal forte, mas incerta

A National Retail Federation (NRF) lançou, na primeira quinta feira de outubro, a previsão de crescimento de vendas a retalho para os últimos dois meses do ano, de 3,8% a 4,2%, respetivamente, relativamente ao período homólogo do ano passado. Esta subida contabiliza um acréscimo de consumo de 727,9 a 730,7 mil milhões de dólares (663,6 a 666,2 mil milhões de euros). Os valores previstos, que excluem vendas automóveis, combustível e restaurantes, estão acima da média registada na última década, em que o crescimento anual rondou os 3,7%. «A economia americana está a continuar a crescer e os gastos dos consumidores são ainda o motor primário por trás desse crescimento», declarou Matthew Shay, CEO da NRF. Contudo, «tem havido uma desaceleração, provocada por uma considerável incerteza em assuntos, que incluem o comércio, taxas de juro, risco global e retórica política», o que leva a crer que a confiança dos consumidores pode ser «inibida pela deterioração contínua destas e outras variáveis». Neste contexto, a previsão a NRF é provavelmente a mais incerta dos últimos anos. Jack Kleinhenz, líder de economia da associação, justifica que existem muitos fatores que dificultam estes cálculos, nomeadamente «um desconforto económico significativo», mas a atual conjuntura mostra que «podemos esperar uma época de férias bem mais forte do que no ano passado». Torcendo pelo lado positivo, a NRF espera que as vendas online e outras que ocorram fora das lojas cresçam entre 11% a 14%, ou seja, 162,6 a 166,9 mil milhões de dólares, uma diferença de 146,5 mil milhões de dólares relativamente ao ano passado. A associação teve em conta os efeitos diretos e indiretos das tarifas, que interferem nos gastos dos consumidores. Alguns sectores do vestuário e do calçado já foram sujeitos a novas tarifas desde o início de setembro e a outros produtos ser-lhes-ão aplicadas a partir de 15 de dezembro. Esta alteração económica potencia ainda o aprofundamento das desigualdades entre os retalhistas, já que os que têm maior dimensão e presença conseguem absorver os custos elevados, enquanto os negócios mais pequenos não o conseguem fazer de forma tão eficaz. A NFR afirma que 79% dos consumidores inquiridos no mês passado estão reticentes relativamente ao potencial aumento dos preços e consequente influência na sua abordagem ao consumo.

4Levi Strauss financia inovações sustentáveis

A gigante de denim Levi Strauss & Co (LS&Co) está a conceder mais de aproximadamente 350 mil euros para a segunda edição do Collaboratory – um programa destinado a acelerar a inovação na indústria de vestuário sustentável. O financiamento terá como destino novas abordagens e inovações relacionadas com a cadeia de vestuário, uma vez que aborda questões que envolvem as mudanças climáticas, incluindo uma marca de moda reciclada que recupera os tecidos em excesso das marcas, uma colaboração com marcas para transformar roupas usadas (antes e depois do consumo) em novas, tornando-as pretas, e uma empresa emergente de materiais que está a desenvolver tecnologias inovadoras circulares e regenerativas. O Collaboratory é um programa de parcerias para empreendedores e empreendedores sociais que interpretam o design e a sustentabilidade como um todo e que trabalham para criar uma indústria de vestuário mais sustentável. O projeto abrange diferentes desafios de sustentabilidade social e ambiental que são indispensáveis para o futuro da indústria de vestuário e também para o futuro do planeta. A primeira sessão Collaboratory focou-se na água enquanto que a temática a ser discutida atualmente são as mudanças climáticas. «A LS&Co acredita que as mudanças climáticas são uma das questões mais importantes do nosso tempo e um desafio crítico para a indústria de vestuário. Mitigar as mudanças climáticas e fazer a transição para um futuro baixo em carbono é vital para a saúde e bem-estar das pessoas que usam e fabricam os produtos e também para os fornecedores das matérias primas necessárias para fazer esses produtos», afirma a empresa. As entidades que integram o Collaboratory participaram num workshop de fim de semana no Eureka Innovation Lab da LS&Co, onde tiveram a oportunidade de trabalhar ideias e desafios com os líderes e mentores da LS&Co, juntamente com especialistas do sector da indústria de vestuário sustentável que lhes permitiu desenvolver planos concretos e tangíveis para reduzir o impacto climático da empresa na indústria. Depois do workshop de fim de semana do Collaboratory, estes participantes apresentaram propostas de projetos focadas em soluções inovadoras e impactantes ligadas às mudanças climáticas com o financiamento da LS&Co para implementar as soluções. «A energia e a criatividade demonstradas na aula foi maravilhosa de se ver», assegurou Paul Dillinger, vice-presidente da inovação global de produtos da LS&Co. «Todos sabemos o quanto é urgente a nossa indústria e o nosso planeta terem soluções reais para os desafios apresentados pelas mudanças climáticas, por isso estamos orgulhos por apoiar ideias e projetos que nos possam ajudar a chegar onde precisamos de estar», concluiu.

5Retalho do Reino Unido sofre em setembro

O mês de setembro deste ano contabilizou as piores vendas em lojas físicas dos últimos oito anos no retalho do Reino Unido. As dúvidas sobre o Brexit, a diminuição da afluência de consumidores e o encerramento de lojas de renome contribuíram para os dados recolhidos pelo índice mais recente da BDO High Street Sales Tracker (HSST), que registou uma diminuição das vendas em lojas físicas de 3,1%, comparativamente ao ano passado. Tendo em conta que em setembro de 2018 também houve um decréscimo de 2,7% das vendas, o resultado deste ano foi ainda mais desfavorável ao sector do retalho, particularmente em determinadas categorias: em lifestyle, que inclui presentes, beleza e bens domésticos, houve uma diminuição de 5,4% (mais 3,3 pontos percentuais do que a taxa registada no ano passado), enquanto a moda decresceu 2%, um valor pouco menos acentuado do que em 2018. A BDO também revelou uma queda da afluência de consumidores, de 2,5% no início do mês e 5,8% no final, resultado das fortes chuvas que dominam o Reino Unido e que inibem o consumo – o número de visitantes aos centros comerciais diminuiu 8% na última semana de setembro. Este desânimo no consumo em loja física foi acompanhado pelo comércio online, cujo crescimento se situou na ordem dos 12,4%, um valor muito abaixo da média anual. Sophie Michael, líder de Retalho e Grossista da BDO LLP declarou que «à medida que a data do Brexit se aproxima, a incerteza financeira que os consumidores enfrentam reflete-se na falta de gastos discricionários e nas mais baixas vendas de lifestyle desde 2008. Isto, combinado com o colapso de uma grande empresa como a Thomas Cook, parece ter afetado ainda mais o comprador». Sophie Michael expressa também a sua preocupação pelos retalhistas em menores condições financeiras, já que 2019 «foi um ano desastroso para as ruas e, à medida que os consumidores se vão retraindo, os primeiros estão a entrar num trimestre “de ouro” crucial, num contexto muito instável».

6Mango quer personalidade como tendência

A Mango vai lançar uma nova campanha construída com base na colaboração de seis personalidades do mundo da moda e da cultura. As pessoas escolhidas para participar na campanha têm um estilo muito próprio que salienta as características da respetiva personalidade na forma como se vestem. O propósito é transmitir a ideia de que a melhor tendência que podemos usar é a personalidade através da campanha #BeanICON. Em cidades como Londres, Tóquio, Copenhaga e Paris, o fotógrafo Dan Martensen capturou momentos das vidas de Jeanne Damas, Veronika Heilbrunner, Pernille Teisbaek, André Saraiva, Justin O’Shea e Shuhei Nishiguchi que pudessem refletir os perfis de cada um deles. A empresa afirmou que a campanha #BeanICON compromete-se a disponibilizar artigos que permitam a cada pessoa criar o seu próprio estilo com base na personalidade para que se possam expressar através da moda. A campanha foi fotografada em vários países e, por isso, tem um foco muito internacional. As peças disponíveis na coleção outono-inverno 2019/2020 foram selecionadas para «melhor definir os locais vizinhos da campanha que demonstrem que qualquer estilo tem lugar em qualquer parte do mundo sem limites». As três protagonistas femininas, Jeanne Damas, Veronika Heilbrunner e Pernille Teisbaek, têm estilos muito distintos. Jeanne Damas, que já colaborou com a Mango em edições anteriores, usa características muito parisienses. Um estilo muito elegante que dá um ar sofisticado às conjugações de outono. Veronika Heilbrunner, uma das #Mangogirls mais antigas, segundo a empresa, «proporciona combinações surpreendes a qualquer hora do dia que nos faz lembrar que as regras devem ser quebradas». Já Pernille Teisbaek apresenta um estilo adequado para o dia a dia, inspirado no minimalismo e que oferece uma «aposta segura». Para a roupa masculina, André Saraiva, artista de graffiti de origem portuguesa, colabora com a Mango Man numa coleção cápsula André X Mango e é definido por uma mistura de estilos internacionais. Justin O’Shea, designer e parceiro de Heilbrunner, mostra como evitar que as roupas com um estilo mais empresarial se tornem entediantes e Sushei Nishiguchi, diretor de moda e conhecido pelo estilo de moda de rua, traduz o conhecimento de moda numa visão contemporânea do guarda-roupa masculino.