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  1. Gio Rodrigues marca pontos com Linha Prêt-a-Couture
  2. Vestuário impermeável com cera natural
  3. Crocodilo da Lacoste foge até outras marcas
  4. Trabalhadores da Ásia sofrem com discriminação de castas
  5. Net-a-Porter anuncia a loja principal no Tmall Luxury Pavilion do Alibaba
  6. Coligação compromete-se a envios zero emissões até 2030

1Gio Rodrigues marca pontos com Linha Prêt-a-Couture

No ano em que celebra 20 anos de carreira, o designer arriscou numa coleção que vai de encontro ao ADN da marca, mas que surpreendeu pela aposta na irreverência. Gio Rodrigues, que decidiu voltar a sair da zona de conforto, escolheu como palco para a apresentação da nova coleção Prêt-à-Couture 2020 os Courts Centrais do Clube VII no Parque Eduardo VII. Feminilidade e ousadia foram as palavras de ordem da coleção inspirada em Suzanne Lenglen, uma tenista francesa que se tornou conhecida por ser a campeã de ténis mais jovens nos anos 20. Além das vibrações do ténis, as inspirações vintage marcaram esta coleção para a próxima estação quente. O criador de moda apostou em linhas minimalistas, drapeados, brilhos, cristais e aplicações exclusivas que «prometem marcar a diferença», afirma em comunicado. Para as peças do designer, «que são conhecidas pela elegância, ousadia e cosmopolitismo», foram usadas cores sóbrias, tecidos fluidos, padrões e linhas que delineiam o corpo da mulher. Já no sector masculino, o contraste entre a modernidade e as linhas mais clássicas de alfeitaria caracterizam os artigos da coleção. Os modelos super slim e as tonalidades de azul marinho são as principais tendências para a próxima estação. No calçado reinam as transparências de senhora e as sandálias para homem.

2Vestuário impermeável com cera natural

Uma equipa de investigadores da Universidade Aalto na Finlândia desenvolveu uma nova forma de produzir artigos de vestuário resistentes à água, através de uma cera obtida a partir de folhas de palmeira brasileira. O grupo desenvolveu um «revestimento ecológico e repelente à água de partículas de cera» da Carnaúba, adequado a fibras de celulose da madeira, que mantém a respirabilidade e o toque natural do têxtil. A Universidade Aalto afirma que «a procura crescente de novas alternativas de materiais sustentáveis, produzindo têxteis não-tóxicos, respiráveis e impermeáveis, tem até agora representando um desafio a nível sustentável e económico». Durante o processamento, a cera é descongelada e decomposta em água e partículas de cera aniónicas, como a celulose. Para as partículas de cera aderirem de forma eficaz à superfície da celulose, é necessária uma carga positiva (catiónica). Ao comparar os tecidos de tratados desta nova forma com os tratados com compostos comerciais, os investigadores concluíram que as partículas de cera ecológica preservavam a respirabilidade dos têxteis, contrariamente à técnica convencional. Por outro lado, desenvolveram e testaram também três métodos de aplicar o revestimento têxtil, entre os quais a imersão se revelou como a mais apta para artigos pequenos, enquanto a pulverização e a escovagem se adequaram melhor a itens maiores. Deste modo, numa escala de produção industrial, este tratamento pode integrar o processo de acabamento têxtil, assim como a pigmentação da cera, agrupando as fases de tingimento e impermeabilização. Contudo, a nova técnica apresenta uma desvantagem: não é resistência à lavagem com detergente. Apesar da teoria exigir mais investigação e desenvolvimento, espera-se que os consumidores possam por si só aplicar o revestimento aos têxteis, após cada lavagem. Nina Forsman, estudante de doutoramento da universidade, adianta que, depois de testado o revestimento em diferentes materiais têxteis, a equipa concluiu que a sua superfície afeta a forma como se impermeabiliza da água, explicando que «quanto mais rugosa a superfície, melhor. Isto porque, numa superfície rugosa, as gotículas de água contactam com uma superfície têxtil numa área mais pequena».

3Crocodilo da Lacoste foge até outras marcas

Para o outono-inverno 2019/2020, as linhas desportivas de luxo da Lacoste vão entrar em confronto criativo com outras marcas icónicas. A ideia é valorizar a criatividade e excelência num conjunto de cinco casacos, parkas e sobretudos com uma tecnologia exclusiva. As marcas escolhidas para a colaboração foram selecionadas com base nas características particulares de cada uma e tiveram a oportunidade de reinterpretar alguns artigos da Lacoste. As escolhidas foram a Pyrenex, a Gloverall, a K-Way, a Alpha Industries e a Tailer Toyo e resultou numa mistura de logótipos e muita criatividade. A Pyrenex destacou-se pela qualidade, a Gloverall pelo classicismo britânico, a K-Way pelo miticismo francês, a Alpha Industries por todas as influências e a Tailor Toyo pela sofisticação japonesa. «Sem esquecer a identidade de cada uma, as marcas reinventaram os produtos de maior sucesso com a equipa criativa da Lacoste, a partir dos ateliers, e proporcionaram um toque desportivo retro clássico que projeta o ADN da Lacoste», refere a casa de moda francesa em comunicado. Para a Pyrenex, o artigo escolhido foi um blusão francês curto que emprega penas de pato e que se renovou para um modelo mais desportivo que prima pelo conforto luxuoso. A Gloverall destacou-se pelo casaco de marinheiro da marca, baseado nos uniformes dos oficiais da marinha britânicos, e atribui-lhe um estilo mais casual. A parceria com a Lacoste resultou numa capa de chuva mais técnica do que nunca para a K-Way. A Alfa Industries implementou detalhes de alta costura no blusão de aviador da marca para juntar as inspirações da força aérea com a sofisticação da Lacoste. Para a Tailor Toyo a colaboração incidiu na aplicação de um bordado com o crocodilo da Lacoste no blusão de bowling e, na parte de trás do casaco, foi criada uma referência gráfica para o fundador com a alcunha “Crocodile”.

4Trabalhadores da Ásia sofrem com discriminação de castas

A Iniciativa Comercial Étnica (ETI) apela à consciência das empresas para a discriminação de castas nas suas cadeias de aprovisionamento, alegando estarem a alimentar a escravidão, o trabalho infantil e a exploração de trabalhadores no Sul da Ásia. Segundo a associação, os efeitos da discriminação de castas são frequentemente ignorados pelas empresas que exploram esta região. Os países que seguem este modelo de estruturação social envolvem mais de metade dos que trabalham com escravidão e trabalho infantil a nível mundial, sendo que o grupo mais afetado são os Dalits (casta mais baixa) – com uma representatividade superior a 80%. A ETI defende que os trabalhadores de castas mais baixas devem estar envolvidos na conceção, implementação e revisão de iniciativas e políticas destinadas a remediar ou prevenir a discriminação de castas. Neste sentido, delineou um plano de orientação que pode ajudar as empresas a resolver esta problemática, em parceria com a organização sem fins lucrativos Dalit Solidarity Network. Peter McAllister, diretor executivo da ETI, realça que muitas vezes as empresas não compreendem que «os Dalits são particularmente vulneráveis à exploração». Com o novo plano de orientação existe agora uma oportunidade de as ajudar «a entender o problema» e a «tomar medidas para mitigar os riscos de incentivar a exploração e violações dos direitos humanos nas suas operações no Sul da Ásia», acrescenta. Por outro lado, o projeto da ETI explica também os laços históricos entre os indivíduos das castas e o emprego, além de oferecer conselhos sobre medidas para garantir forças de trabalho inclusivas e combater a discriminação de castas nas práticas de contratação e promoção. Meena Varma, da Dalit Solidarity Network do Reino Unido, revela que muitas empresas «desconhecem o papel que as castas desempenham na definição do trabalho dentro da cadeia de aprovisionamento e sua vulnerabilidade à exploração». É importante «aprofundar o conhecimento sobre a composição da sua força de trabalho e remediar práticas discriminatórias baseadas em castas», afirma Varma. O Guia está disponível publicamente no site da ETI e será amplamente distribuído para empresas globais com cadeias de aprovisionamento no sul da Ásia.

5Net-a-Porter anuncia a loja principal no Tmall Luxury Pavilion do Alibaba

Se houvesse um grupo de consumidores definido como o mais importante para o sector de luxo, neste momento, seriam os consumidores chineses. Neste sentido, várias marcas e retalhistas de luxo estão a tomar as medidas possíveis para garantir a atenção deste público tão influente no número de vendas. Na semana passada, a Yoox Net-a-Porter anunciou um empreendimento conjunto com o grupo Alibaba com o objetivo, de acordo com o grupo italiano, de «oferecer uma nova experiência online em compras de moda de luxo de várias marcas para os consumidores chineses». Por consequência, a flagship online Net-a-Porter está agora numa posição chave no Tmall Luxury Pavilion do Alibaba. Para os atores do luxo do Reino Unido isto pode ser uma grande oportunidade de negócio, uma vez que os direciona para milhões de consumidores chineses, com grandes posses, desejosos de adquirir as marcas líderes do mundo bem como outras insígnias que possam surgir neste segmento. A Alibaba, no total, chega a mais de 670 milhões de consumidores na China. Segundo as duas empresas envolvidas, este acordo é benéfico para ambas as partes, sendo que a YNAP da Richemont é a principal retalhista de moda de luxo online no mundo e o grupo Alibaba é a maior empresa de comércio eletrónico e retalho do mundo em volume bruto de mercadorias. A parceria surgiu no momento em que a grande campanha de lançamento da flagship Net-a-Porter está marcada para começar durante esta semana, depois da Golden Week da China, um período em que as compras são uma preocupação para os consumidores locais. O acordo Net-a-Porter também inclui a loja virtual de luxo masculina YNAP, sendo que as duas estarão juntas no Tmall Luxury Pavilion, na mesma montra. No lançamento, a loja oferece uma seleção de 130 marcas de designers de luxo com perspetivas de aumento face ao número de marcas nos próximos meses. Coleções cápsula exclusivas também fazem parte do acordo. Brunello Cucinelli, The Row, Balmain, Isabel Marant, Jimmy Choo, Tom Ford, Alaïa, Chloé e Cartier são alguns dos nomes das marcas atualmente disponíveis. A nova montra inclui páginas personalizadas da marca, recomendações de produto, conteúdo personalizado e prémios VIP exclusivos. Os consumidores podem usar o Alipay como método de pagamento. O CEO da Richemont, Jérôme Lambert, assegura que o lançamento é «um passo importante no desenvolvimento da parceria a longo termo com Alibaba. Juntos, procuramos atender as necessidades sofisticadas dos clientes de luxo chineses e aproveitar esta oportunidade única de crescimento. Esta parceira vai criar novos padrões para o futuro do luxo online». Por seu lado, Ande Jiang Fan, presidente da Taobao e Tmall, considera que «essa parceria traz aos consumidores chineses acesso, sem precedentes, às principais marcas de luxo do mundo. Estamos confiantes de que a abertura da loja principal é apenas o começo de uma parceria longa que beneficiará os consumidores de luxo da China e as marcas de luxo do mundo que desejam alcançar estes consumidores».

6Coligação compromete-se a envios zero emissões até 2030

As gigantes da indústria como a transportadora Maersk e a Shell uniram forças com o objetivo de desenvolver embarcações totalmente viáveis com zero emissões até 2030. Foi anunciada, perante os chefes de estado e de governo membros da Getting to Zero Coalition, na Cimeira de Ação Climática das Nações Unidas, em Nova Iorque, uma aliança que representa líderes séniores nos sectores marítimo, energético, infraestrutura e financeiro. O transporte internacional carrega cerca de 80% do comércio global e é responsável por 2% a 3% dos gases do efeito de estufa emitidos anualmente. Caso não se tomem as devidas medidas, espera-se que as emissões projetadas cresçam entre 50% e 250% até 2050. A ambição do grupo, que é suportada por cerca de 70 organizações públicas e privadas, vai de encontro à estratégia inicial da Organização Marítima Internacional face às emissões dos gases de efeito de estufa. A estratégia considera que o transporte internacional tem de reduzir as emissões anuais destes gases pelo melo menos em 50% dos níveis de 2008 até 2050, fazendo os possíveis para os eliminar por completo o mais rápido possível. Isto vai acabar por sintonizar as emissões dos gases de efeito de estufa do transporte internacional com o acordo de Paris. «A ambição da Getting to Zero Coalition é ter embarcações comercialmente viáveis com zero emissões a operar ao longo das rotas comerciais até 2030, apoiada pela infraestrutura necessária para fontes de energia de zero carbono escaláveis, incluindo produção, distribuição, armazenamento e combustível» afirma a Getting to Zero Coalition. Embora o grupo não tenha ainda delineado uma estrutura formal para a iniciativa, os membros, incluindo a Cargill, Eurinav e ABN Amro, estão a liderar a fase de lançamento e procuram membros adicionais. «Atingir a nossa ambição vai exigir empenho, perseverança, inovação e colaboração entre indústrias bem como a colaboração de outras partes interessadas para além da nossa empresa, inclusive do sector público» refere a coligação. Søren Skou, CEO of A.P . Møller Mærsk, revela que a empresa reduziu as emissões de CO2 em 41% na última década. «As medidas de eficiência só podem manter as emissões estáveis, não eliminá-las. Para dar o próximo grande passo em direção à descarbonização dos transportes marítimos, é necessária uma mudança nas tecnologias de propulsão ou uma mudança para combustíveis limpos, o que implica a colaboração de todos. Esta coligação é um meio crucial para que a colaboração aconteça», explica.