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Breves

  1. Lucros da H&M desapontam
  2. TPP pronto a ser assinado
  3. Têxteis inteligentes invadem Londres
  4. África na mira dos EUA
  5. Colômbia contesta decisão da OMC
  6. ITV do Bangladesh responde às críticas

1Lucros da H&M desapontam

A H&M registou o que os analistas descreveram como números «desapontantes» no quarto trimestre, com as margens e o lucro a serem afetados por vendas mais baixas na Europa e na América do Norte. O grupo sueco revelou que os lucros desceram para 7,15 mil milhões de coroas suecas (765,2 milhões de euros) nos três meses até ao final de novembro, em comparação com 7,8 mil milhões de coroas suecas um ano antes, afetadas por custos de compras mais altos devido à valorização do dólar. O tempo anormalmente quente em novembro em muitos dos principais mercados da retalhista na Europa e na América do Norte também levou a vendas mais baixas do que o esperado para o mês e um maior número de descontos. As vendas no trimestre, contudo, subiram 14%, para 48,69 mil milhões de coroas suecas. Em moeda local, o crescimento foi de 9% – uma diferença significativa causada pela desvalorização da coroa sueca face à maior parte das moedas. As margens brutas diminuíram para 57,5% em comparação com 60,4% um ano antes, devido a um aumento de 0,5% nas promoções. No geral, a H&M afirmou que a situação do mercado relativamente a fatores externos como preços das matérias-primas, inflação de custos, capacidade nos fornecedores, moedas de compra e custos de transporte continuou negativa no trimestre, especialmente por causa do impacto de um dólar mais forte nos custos de compra. A empresa indicou que espera que as vendas em janeiro, o segundo mês do seu primeiro trimestre fiscal, aumentem 7% em moeda local em comparação com o ano passado. Para o ano completo, a H&M registou um aumento de 5% do lucro, para 20,9 mil milhões de coroas suecas, com as vendas a subirem 19%, para 180,86 mil milhões de coroas suecas. «Seguimos com atenção os desenvolvimentos no mercado em cada país onde estamos presentes», afirmou o CEO Karl-Johan Persson. «Para 2016 vemos muitas oportunidades, mas também estamos muito atentos aos desafios que existem. Acreditamos firmemente que a nossa oferta para os consumidores e os nossos investimentos vão levar a uma maior quota de mercado e reforçar a posição da H&M ainda mais em 2016», acrescenta. A H&M mantém as suas previsões de aumento de lojas de 10% a 15% e planeia abrir 425 novas lojas em 2016 e entrar em três novos mercados: Noa Zelândia, Chipre e Porto Rico. Também reiterou planos para abrir online em nove novos mercados.

2TPP pronto a ser assinado

O governo da Nova Zelândia abriu o caminho para a cerimónia de assinatura do acordo da Parceria Transpacífico (TPP na sigla original) com a publicação do texto final do documento. As 12 nações participantes deverão encontrar-se amanhã, 4 de fevereiro, em Auckland, e o texto final «legalmente analisado» foi revisto para corrigir erros e inconsistências. O novo texto sobrepõe-se à versão publicada a 5 de novembro de 2015 e será traduzido para francês e espanhol. É ainda o passo final numa negociação de um acordo antes da assinatura. «Esta é a versão final do acordo, que será assinado pelos países do TPP», afirmou o Ministro do Comércio da Nova Zelândia, Todd McClay. Imediatamente após a assinatura, o governo da Nova Zelândia indicou que irá submeter o texto ao parlamento do país para análise. Ao mesmo tempo, a Ministra do Comércio do Canadá, Chrystia Freeland, revelou que o parlamento do seu país irá continuar a analisar o acordo. «Assinar não equivale a ratificar», sublinhou, acrescentando que «apenas um voto de maioria no nosso parlamento pode permitir que o acordo entre em vigor. Assinar é simplesmente um passo técnico no processo, que permite que o texto do TPP seja submetido ao Parlamento para consideração e debate antes de qualquer decisão final ser feita», acrescentou. Todos os outros países irão seguir o mesmo processo e cada um tem até dois anos para a ratificação.

3Têxteis inteligentes invadem Londres

Os pioneiros da tecnologia wearable vão reunir-se em Londres, em março, para lançar a nova geração de aplicações de têxteis inteligentes, ao mesmo tempo que analisam o percurso e o futuro da indústria. A terceira edição do Wearable Technology Show, que afirma ser o maior evento do género, inclui nove palcos para seminários com várias conferências a realizarem-se em paralelo à exposição, que inclui têxteis inteligentes, sensores embebidos e fitness e desportos de performance. Os tópicos a serem discutidos incluem o futuro dos têxteis inteligentes, o desafio de fazer a transição de protótipos para a produção de grandes volumes e novas experiências para os novos mercados na moda, sportswear e viagens. Mais de 200 oradores estarão presentes, incluindo Michael Reidboard, professor no Fashion Institute of Technology de Nova Iorque, e Jerry Luo, investigador associado na Universidade de Southampton, que irá apresentar a “Smart Insole”, um protótipo de sola interior fina e flexível que afirma conseguir acumular energia com o andar, com cada passo a dar energia a um sensor para transmitir 32 bytes de dados sem fios. O evento tem lugar no ExCeL, em Londres, de 15 a 16 de março.

4África na mira dos EUA

Os EUA iniciaram as conversações para desenvolver relações comerciais com África além das preferências comerciais que são dadas ao continente, numa ação que espera que aumente o potencial de investimentos em ambas as regiões. Numa audiência no United States Trade Representative (USTR), o embaixador Michael Froman sublinhou a importância dos EUA e África trabalharem em conjunto para capitalizarem as oportunidades além do Growth and Opportunity Act (Agoa). Segundo as previsões do USTR, nos próximos cinco anos o PIB da África Subsaariana deverá crescer 30% mais rápido do que o resto do mundo. É também uma região com 413 milhões de crianças com menos de 15 anos, o que deverá representar quase um quarto da força de trabalho e quase um quarto dos consumidores em termos mundiais em 2030. Estas tendências, afirma Froman, mostram o quão central será o continente africano nas próximas décadas na economia mundial e, consequentemente, nos EUA. «Laços mais fortes de comércio e investimento com África significam mercados em crescimento para as exportações dos EUA – assim como podem servir os nossos interesses de segurança para evitar conflitos, os nossos interesses de desenvolvimento para aliviar a pobreza e os nossos valores através de políticas que encorajem governos democráticos, um crescimento alargado e reforço dos padrões ambientais e laborais», acrescenta. Em contrapartida, Froman acredita que para África será «cada vez mais crítico» o aprofundamento dos laços de comércio e investimento com os EUA face às dificuldades económicas que o continente enfrenta atualmente. Com os preços das matérias-primas em queda e a China a abrandar em termos de crescimento, as importações do Império do Meio a partir de África diminuíram para metade num único ano, de um valor de 110 mil milhões de dólares (100,7 mil milhões de euros) em 2014 para cerca de 50 mil milhões de dólares em 2015. Atualmente, os EUA e África têm o acordo comercial Agoa, que foi renovado e alargado em 10 anos em junho de 2015. Nos últimos 15 anos, o acordo ajudou os países subsaarianos a aumentarem acentuadamente as suas exportações e o investimento direto dos EUA nesses mesmos mercados quase que quadruplicou.

5Colômbia contesta decisão da OMC

A Colômbia está a contestar a recente decisão da Organização Mundial de Comércio (OMC) de que está a violar as leis de comércio mundial com a taxa aplicada sobre as importações de têxteis, vestuário e calçado do Panamá. Num caso denunciado pelo Panamá há dois anos, a taxa composta sobre as importações foi considerada injustificada e incompatível com as obrigações da Colômbia no âmbito da OMC. O Panamá afirmou que as taxas, que consistem numa taxa fixa de 10% e uma componente variável, violam o máximo permitido de uma taxa entre 35% e 40% sobre esses produtos. Em resposta, a Colômbia argumentou que teve de impor um aumento das taxas porque as importações constituem «comércio ilícito» já que são importações a «preços artificialmente baixos» para fazer lavagem de dinheiro. Contudo, na decisão sobre o caso, que aconteceu em dezembro passado, o painel de disputas da OMC sublinhou que a taxa composta da Colômbia foi aplicada a todas as importações dos produtos em questão, sem distinguir se essas importações constituem comércio «lícito» ou «ilícito» ou se estão a ser usadas para lavagem de dinheiro. Também concluiu que o país não conseguiu demonstrar que a taxa foi pensada ou era necessária para a luta contra a lavagem de dinheiro e indicou que este tipo de defesa não pode ser usada para justificar um aumento nas taxas acima dos limites. A Colômbia entretanto submeteu um recurso a 22 de janeiro, cujos detalhes foram conhecidos a 27 de janeiro. O recurso é baseado em questões como interpretação legal e não reabre as conclusões do painel. Cada recurso é ouvido por três membros de um grupo permanente de sete membros, que tem três meses para concluir o relatório.

6ITV do Bangladesh responde às críticas

A indústria de vestuário do Bangladesh afirma ter feito progressos visíveis em questões laborais e de segurança, uma garantia dada por Siddiqur Rahman, presidente da Associação de Produtores e Exportadores de Vestuário do Bangladesh durante uma conferência de imprensa na semana passada. A associação quis fazer o ponto de situação em relação aos desenvolvimentos no sector do vestuário desde a assinatura do Sustainability Compact – o acordo realizado após o acidente do Rana Plaza, em abril de 2013, entre a União Europeia e o governo do Bangladesh para melhorar as condições de segurança e direitos dos trabalhadores – após as críticas dos sindicatos de que ainda falta fazer muito (ver Sindicatos criticam governo do Bangladesh). O relatório da Confederação Internacional de Sindicatos, do IndustriAll e do Uni Global Union revela que há mais de 100 casos de discriminação de sindicalistas em fábricas onde foram registados novos sindicatos e sustenta que «ainda há muito a fazer pelo governo do Bangladesh e a indústria de vestuário, não apenas para assegurar a segurança dos edifícios e contra incêndios mas para simplesmente garantir o respeito pela lei – incluindo os padrões laborais nacionais e internacionais».