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Breves

  1. Preço do algodão em queda
  2. Levi’s aumenta receitas
  3. Exportações da Turquia em fraco crescimento
  4. Hugo Boss com expectativas baixas
  5. Afound da H&M afina estratégia online
  6. Casaco de alta tecnologia dá música a surdos

1Preço do algodão em queda

Os preços do algodão desceram até ao valor mais baixo registado desde 2016, resultado da combinação entre o fraco crescimento dos países que compõem a procura desta matéria-prima e os elevados stocks. No início de agosto, o Índice da Cotlook situava-se nos 0,74 dólares por libra (0,67 euros por libra), tendo chegado ao final com 0,69 dólares por libra. O International Cotton Advisory Committee (ICAC) revela que esta leitura é mais baixa desde há três anos, altura em que o preço do algodão chegou aos 1,44 dólares por quilo. Em setembro, o preço do algodão registou 1,57 dólares por quilo, um aumento de 0,01 dólares desde o mês anterior e menos 1,99 dólares do que em 2018, o que significa um declínio anual de 21,08%. O ICAC prevê que, apesar do aumento do consumo global previsto para a época 2019/20, os lucros serão mínimos, uma vez que a produção (de 26,8 toneladas) continua a ultrapassar o consumo (de 26,5 milhões de toneladas). Além disso, os países do leste asiático irão permanecer na sua posição líder de maiores consumidores mundiais, mas não é provável que o seu crescimento seja relevante, nomeadamente a China, que deverá manter-se com o mesmo consumo de 2018/19, contabilizando 8,25 milhões de toneladas. Pelo contrário, o ICAC estima que algumas economias emergentes, como a Índia, Bangladesh e Vietname, deverão beneficiar financeiramente destes preços reduzidos. Contudo, dada a desaceleração do seu crescimento, prevê-se que os ganhos se situem à volta dos 2%, com exceção da Indonésia, projetada para os 4%, face à época 2018/19. Os EUA deverão apresentar um crescimento de 3%, enquanto se espera a estagnação do Paquistão, Brasil e México.

2Levi’s aumenta receitas

A empresa registou um crescimento de 4% nas receitas líquidas, nos três meses que acabaram a 25 de agosto, para 1,45 mil milhões de dólares (1,32 mil milhões de euros), mais 60 milhões de dólares relativamente ao período homólogo anterior. Durante o mesmo período, o negócio de venda direta ao consumidor aumentou 12% a câmbios constantes, devido à expansão e desempenho da sua rede retalhista e ao seu crescimento online, enquanto o comércio grossista cresceu 2%, refletindo o crescimento na Europa e Ásia. Na Europa, as receitas líquidas subiram 18% a câmbios constantes, apesar dos efeitos do declínio no negócio grossista, atenuados pelas vendas diretas ao consumidor, e na Ásia aumentaram 12%. No entanto, o lucro líquido do terceiro trimestre caiu 4%, para 124,5 milhões, em comparação com os 130,1 milhões registados no período homólogo do ano passado, apesar de uma maior receita operacional, devido aos benefícios tarifários do ano anterior. Por outro lado, a margem bruta reduziu-se para 53%, uma vez que os benefícios da venda direta ao consumidor e o crescimento internacional, bem como o aumento dos preços, impulsionado pela empresa, foram contrabalançados pelos efeitos cambiais desfavoráveis de 60 pontos base e investimento em produto. O CEO da Levi’s, Chip Bergh, sustenta que «entregamos resultados fortes no terceiro trimestre e continuamos no caminho para alcançar as nossas expectativas anuais». A pensar no trimestre seguinte, Bergh afirma que a empresa «espera mais uma vez» um forte desempenho do comércio internacional, da venda direta ao consumidor e das categorias de senhora e tops, assim como do negócio grossista americano, acrescentando que «estaremos focados naquilo que podemos controlar, à medida que o negócio cresce a longo prazo». A Levi Strauss já havia declarado que as expectativas para 2019 incluíam um crescimento da receita líquida entre 5,5% e 6%, contando com o impacto da aquisição do distribuidor da América do Sul, The Jeans Company (TJC), anunciada em agosto.

3Exportações da Turquia em fraco crescimento

Segundo a Associação de Exportadores de Vestuário de Istambul (IHKIB na sigla original), as exportações de vestuário na Turquia aumentaram 0,4% nos primeiros nove meses do ano, para 13,3 mil milhões de dólares (12,07 mil milhões de euros), apesar dos seus três melhores mercados compradores terem entrado em declínio. De janeiro a setembro de 2019, a Alemanha constituiu-se como o maior cliente de vestuário da Turquia, com as suas importações a rondarem os 2,3 mil milhões de dólares, menos 6,2% do que no período homólogo anterior. Seguiu-se Espanha, com 1,8 mil milhões de dólares (o que significa uma descida de 1,3%), e o Reino Unido, com 1,4 mil milhões de dólares (menos 3,6%). Salienta-se também o domínio da Holanda, França, Iraque, EUA, Itália e Israel. Em sentido inverso, as exportações de pronto-a-vestir subiram 3,2% durante o mês de setembro relativamente ao período homólogo anterior, atingindo 1,5 mil milhões de dólares. A ministra do comércio turco, Ruhsar Pekcan, admitiu estar receosa com os efeitos sobre a relação comercial com o Reino Unido no caso de um Brexit sem acordo – neste caso, as exportações totais para o país europeu diminuiriam entre 2,4 a 3 mil milhões de dólares. Pekcan e o departamento comercial dos EUA têm vindo a discutir o fortalecimento das suas relações comerciais, com o vestuário e os têxteis a incluírem-se entre os produtos para os quais a Turquia espera impulsionar as suas exportações.

4Hugo Boss com expectativas baixas

A casa de moda alemã Hugo Boss voltou a baixar a previsão de lucros para 2019, salientando a fraca procura nos EUA e em Hong Kong. Na divulgação dos resultados, a empresa reconheceu que os números do terceiro trimestre estão abaixo das expectativas. «Na América do Norte, o mercado deteriorou-se ainda mais durante o terceiro trimestre… Além da menor procura local, também as vendas a turistas diminuíram», indicou a casa de moda. «Os negócios em Hong Kong têm sido substancialmente afetados, de forma negativa, desde o início dos distúrbios políticos e das manifestações», acrescentou. As marcas de luxo dependem de Hong Kong, que atua como um íman para os turistas e para os consumidores da Ásia. Alguns retalhistas tiveram de fechar portas temporariamente por causa de todos os meses de protesto pró-democracia. A Hugo Boss espera agora que o lucro operacional antes dos juros e dos impostos (EBIT) de 2019 fique entre os 330 e os 340 milhões de euros, um valor mais baixo do que os 347 milhões de euros registados no último ano fiscal. Em agosto, a Hugo Boss reduziu a previsão de crescimento do EBIT ao limite inferior de um aumento percentual de um só dígito alto. Numa divulgação antecipada dos resultados trimestrais abaixo das expectativas, as vendas de grupo foram ajustadas aos câmbios e o EBIT baixou para 80 milhões de euros.

5Afound da H&M afina estratégia online

A marca de outlet Afound, da retalhista de moda H&M, irá focar-se mais na expansão online e menos na expansão das lojas físicas, como estava planeado anteriormente. Nos últimos anos, a H&M lançou várias marcas individuais como a Arket e a H&M Home para ampliar a base de clientes. A Afound foi lançada em 2018 e vende roupas reavaliadas de várias marcas externas bem como das marcas do próprio grupo H&M, em lojas físicas e online na suécia. «Entrei na empresa em maio e escolhi rever a estratégia daqui para a frente. A partir de agora, à medida que avançamos, o nosso foco é o marketplace, o que significa que teremos um foco digital», afirma Joanna Hummel, CEO da Afound. «Foi uma conclusão que tiramos depois do primeiro ano. Há uma tendência geral do mercado, tiramos conclusões sobre o que os clientes da Afound gostam de comprar», acrescenta. O lucro da H&M, o segundo maior retalhista de moda a seguir à Inditex, baixou nos últimos anos devido à desaceleração das vendas nas lojas físicas da marca principal. As lojas das marcas mais recentes tiveram um melhor desempenho. Contudo, a empresa não reporta dados individuais sobre as marcas mais recentes. A direção da Afound, a primeira operação da H&M para comercializar marcas externas como algo mais do que um complemento das próprias gamas, anunciou em junho a entrada na Holanda este ano, com uma loja online para começar a implementar a estratégia a longo prazo de expandir para a Europa. «Vamos avaliar mercado a mercado para entender qual é o papel que a presença física deve ter para nós», refere Joanna Hummel, acrescentando ainda que nenhuma decisão foi tomada para fechar as lojas existentes, mas que cerca de 50 postos de trabalho na Suécia, focados nas operações de lojas físicas, seriam cortados, reduzindo o staff para cerca de 100. A mudança de estratégia foi relatada pela publicação online sueca Breakit.

6Casaco de alta tecnologia dá música a surdos

As irmãs gémeas Hermon e Heroda Berhane adoram dançar mas não conseguem ouvir a música porque são ambas surdas. Para elas, a invenção de um casaco com sensores que lhes permite sentir os diferentes sons transformou por completo as idas às discotecas de Londres, conta a Reuters. A “Sound Shirt”, criada pela empresa de moda CuteCircuit sediada em Londres, possui 16 sensores embutidos no tecido para que quem veste a peça possa sentir o som dos violinos nos braços, por exemplo, e o som da bateria nas costas. As gémeas Berhane, que perderam a audição muito novas, afirmam que usar as casacos lhes tem dado uma experiência totalmente nova. «É quase como sentir a profundidade da música. Parece que podemos mover-nos ao ritmo dela», refere Hermon. Francesca Rosella é cofundadora e chefe criativa da CuteCircuit e desenvolve tecnologia de moda usável. «Os casacos permitem que as pessoas surdas sintam a música através das sensações. É um artigo completamente têxtil, não há fios dentro. Usamos apenas tecidos inteligentes, temos uma combinação de microeletrónica… Tecidos muito finos, flexíveis e condutores», assegura. «Todos os pequenos motores eletrónicos estão ligados a esses tecidos condutores para que os casacos sejam macios e elásticos», acrescenta. As “Sound Shirts” deverão ser vendidas por cerca de 3.000 libras, no entanto, Heroda Berhane considera que é um preço que vale a pena pagar para que as pessoas surdas possam usufruir e gostar tanto da experiência como ela e a irmã. «Acho que isto pode mudar definitivamente as nossas vidas», acredita Heroda.