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Breves

  1. Novos benefícios do algodão orgânico
  2. Authentic Brands Group compra Barneys New York
  3. Produção de proximidade é 47% mais sustentável
  4. Gildan investe 5 milhões em fiação na Carolina do Norte
  5. Vestuário continua na lista das prendas de Natal
  6. Birla Cellulose fabrica viscose neutra em carbono

1Novos benefícios do algodão orgânico

O novo estudo da Soil Association revela que a transição para a produção de algodão orgânico garante a redução do consumo de água e a prevenção da sua poluição. Esta descoberta é pertinente e significativa, tendo em conta que falamos de uma matéria-prima cuja produção contabiliza 69% do impacto sobre a água, entre todas as fibras têxteis – a produção de um quilo de algodão consome entre 10 mil a 20 mil litros de água. Além disso, estima-se que o cultivo de algodão exige 200 mil toneladas de pesticidas e 8 milhões de toneladas de fertilizantes sintéticos todos os anos. Para piorar a situação, a maioria desta matéria-prima vem de países que já enfrentam crises severas de risco de escassez de água, como a China, Índia, EUA, Paquistão e Turquia. Na China, 80% a 90% das fibras não-naturais, fios e tecidos são fabricados em regiões de escassez ou risco de escassez de água. O estudo indica que «os impactos da escassez de água exacerbados pela produção de algodão fazem sentir-se particularmente em países de baixos rendimentos, que estão fracamente equipados para os desafios impostos pelas secas». Como forma de equilibrar a balança, existe um número crescente de iniciativas que procura melhorar as práticas agrícolas convencionais, como a Better Cotton Initiative, Cotton made in Africa, Fairtrade e REEL. Por sua vez, o Standard Têxtil Orgânico Global (GOTS, na sigla original) exige que as produtoras cumpram rigorosos critérios sociais e ambientais, incluindo a utilização exclusiva de produtos químicos de impacto reduzido, a monitorização da água e energia, o tratamento adequado das águas residuais e a proteção das condições de trabalho e dos direitos dos trabalhadores. De acordo com a Soil Association, o algodão orgânico é produzido através de técnicas que poupam 91% do consumo de água, comparativamente ao convencional. Atualmente, 19 países produzem algodão orgânico proveniente na sua grande maioria da Índia (67%), China (12%), Turquia (6%), Quirguistão (5%) e EUA (2%). Os solos orgânicos exigem menos irrigação, para além de que cerca de 80% estão localizados em áreas predominantemente alimentadas pela precipitação. Além disso, os agricultores orgânicos empregam uma ampla gama de técnicas para conservar a água, incluindo a captação de água da chuva, seleção de variedades de sementes resistentes à seca e gestão eficiente do solo. O estudo aponta também que um número crescente de marcas e retalhistas se têm comprometido a «abastecer-se a 100% de algodão oriundo de produtores envolvidos nestas iniciativas até 2025». Este compromisso, conhecido por Desafio do Algodão Sustentável de 2025, «representa uma pedra angular na mudança indústria têxtil e vestuário. Já 19% do algodão do mundo está a ser cultivado de forma mais sustentável».

2Authentic Brands Group compra Barneys New York

O Authentic Brands Group, proprietário de marcas como Volcom, Camuto Group, Juicy Couture, Aeropostale e Nautica, é a compradora oficial da cadeia de lojas de luxo Barneys New York. A empresa global de desenvolvimento de marcas diz que a aquisição da Barneys vai aumentar a pegada de luxo e afirmar ainda mais a posição líder que a marca possui na moda contemporânea. Também pretende impulsionar a escala internacional, experiência em marketing e rede de parceiros para aumentar a presença da Barneys enquanto retalhista global de luxo e marca de lifestyle, com foco inicial em colaborações high fashion, produtos homónimos, lively dining e experiências de compra premium. Além disso, com base no sucesso dos negócios da Barneys no Japão, o Authentic Brands Group está a planear aumentar a presença da marca nos principais mercados internacionais, principalmente na Ásia. «A Barneys é um dos nomes mas reconhecidos e emblemáticos no lifestyle de luxo e nós vemos uma oportunidade incrível para expandir o património da marca nos novos e atuais mercados em todo o mundo» afirma Jamie Salter, fundador, presidente e CEO da Authentic Brands Group. «Também estamos entusiasmados para unir forças com o Saks Fifth Avenue, a principal retalhista de luxo que continua a trazer inovação e autoridade de moda para a indústria». Depois da compra da Barneys pelo Authentic Brands Group, a Saks Fifth Avenue será a parceira de retalho de marcas nos EUA e no Canadá. «À medida que aperfeiçoamos a nosso objetivo de ser o destino final de retalho de luxo para exploração e descoberta de novas modas, selecionamos cuidadosamente parceiros que podem trazer originalidade e emoção à experiência do cliente» refere Marc Metrick, presidente da Saks Fifth Avenue. «A icónica marca Barneys foi, muito tempo, o centro das atenções do público que procura moda. Estamos a explorar oportunidades para a marca como parte da Saks Fifth Avenue, queremos entender melhor o que é que os clientes da Barneys adoram na retalhista e tentar evoluir para uma nova interpretação que seja relevante para o consumidor atual de luxo. Estamos empolgados com a parceria com a Authentic Brands Group neste esforço». Ainda que o Authentic Brands Group não tenha divulgado dados da transação, um relatório publicado pela Reuters mencionou que o acordo ficou por cerca de 271 milhões de dólares. O negocio vai permitir que o Authentic Brands Group adquira a Barneys New York e toda a propriedade intelectual associada, incluindo a Barneys, FiveSeventyFive, Connor Nova York, Freds e Freds Foods, The High End e The Drop. A Barneys fechou algumas lojas e pediu proteção contra falência em agosto. Daniella Vitale, a CEO da Barneys, culpou os custos mais altos de renda e assegurou que o pedido de falência daria tempo para reorganizar as dívidas e vender partes do negócio.

3Produção de proximidade é 47% mais sustentável

Um estudo sobre o impacto ambiental do fabrico offshore revelou que a produção de vestuário nearshore, neste caso no Reino Unido, resulta em 47% menos emissões. O relatório, pedido pela produtora de vestuário britânica David Nieper, e conduzido pela equipa de Inovação e Colaboração da Universidade de Nottingham, conclui que a prática de produção offshore equivale essencialmente à quantidade de poluição offshore, com dois terços das emissões de vestuário do Reino Unido a ocorrer no exterior. O estudo incidiu nas emissões de energia e gases efeito de estufa para as operações de fabrico da David Nieper, que cria e produz vestuário no Reino Unido e vende online através de catálogos. A razão pela qual se pretende que o processo de fabrico seja mais limpo e eficiente no Reino Unido é a menor intensidade de carbono da rede de abastecimento de eletricidade. O Reino Unido tem emissões de carbono significativamente mais baixas por unidade de eletricidade em comparação com os centros de produção no exterior, nomeadamente a China, Bangladesh e Turquia. Assim, o Reino Unido tem menos emissões diretas de carbono, o que o torna uma base de produção mais sustentável. Em prática, um fabricante na China liberta normalmente cerca de 90% mais de emissões de gases efeitos de estufa ao usar a mesma quantidade de energia que o Reino Unido. Já o Bangladesh usa 24% mais, o que faz com que a produção britânica seja a mais viável em termos ambientais. Além disso, o transporte de grande distância de produtos é considerado como uma prática prejudicial para o ambiente e que contribui significativamente para a emissão de gases efeito de estufa. A universidade de Nottingham apontou a distância das ruas principais do Reino Unido até aos maiores centros de produção têxtil, variando entre 6.226 km da Turquia, 16.123 km do Bangladesh e 21.694 da China. O transporte por via aérea é o mais poluente para a distribuição, uma vez que contribui com 90% das emissões de gases de efeito estufa. «A tendência de fabricar no exterior não só dizimou empregos na moda britânica mas também está a ser um desastre para o planeta» afirmou Christopher Nieper, diretor-executivo da David Nieper. «Pedimos este relatório para destacar os benefícios ambientais de produzir mais próximo. Como indústria podemos tornar-nos mais sustentáveis ao remover alguns destes pontos para fazer com que o processo de produção seja mais amigo do meio ambiente». O estudo também revelou que a energia usada na confeção de vestuário é reduzida quando comparada com a energia gasta na cadeia de aprovisionamento têxtil como o fabrico de tecidos, estampados e tingimentos. Mais de 70% do total das emissões de carbono na produção de vestuário é representada por este último grupo, o que reforça a importância da transparência em toda a cadeia de aprovisionamento. «É lógico que o sourcing offshore implica milhares de milhas aéreas por peça e as normas ambientais não são os mesmos em todos os países. Os retalhistas britânicos precisam de repensar toda a cadeia de aprovisionamento e assumir mais responsabilidades. O nosso relatório mostrou que mais de dois terços das emissões provenientes do consumo de vestuário no Reino Unido ocorrem noutros países. A produção offshore é poluição offshore, não é aceitável mudar o problema para o exterior como se fora da vista estivesse fora da mente» explicou.

4Gildan investe 5 milhões em fiação na Carolina do Norte

A produtora canadiana Gildan Activewear vai investir 5 milhões de dólares (cerca de 4,5 milhões de euros) para instalar a 5.ª fiação na Carolina do Norte. A nova fábrica na cidade Eden, no condado de Rockingham, vai criar 85 postos de trabalho e será operada pela Gildan Yarns, a divisão de fios da Gildan Activewear. Eden também recebeu o primeiro centro de distribuição de grande escala da Gildan. Um donativo de 250 mil dólares do One North Carolina Fund vai ajudar a facilitar a operação da Gildan Yarn de gerar empregos e definir alvos de investimento de capital. «A decisão da Gildan Yarns fortifica ainda mais a nossa liderança na indústria têxtil» afirma António Copeland, secretário de comércio da Carolina do Norte. «A Carolina do Norte tem mais produtores do que qualquer outro estado e um fluxo de talentos têxteis de classe mundial para continuar as operações globais da Gildan» destacou. Já Chuck Ward, presidente da Gildan Yarns, explicou que «esta será a sétima instalação de fiação da empresa no EUA. Estamos particularmente orgulhosos por contribuir para a criação de mais 85 empregos em Eden no próximo ano, à medida que abrirmos e acelerarmos a nossa nova operação».

5Vestuário continua na lista das prendas de Natal

Os consumidores dos EUA revelam que vão gastar, em média, mais 4% do que no ano passado. O vestuário continua a ser o segundo presente mais pedido, de acordo com os dados de um novo relatório de consumo. Segundo a pesquisa anual da National Retail Federation (NRF), os consumidores pensam despender, em média, 1047,83 dólares (cerca de 945 euros), mais do que as informações do inquérito do ano passado de 1007,24 dólares. Pelo 13.º ano consecutivo, os gift cards continuam a ser a prenda mais pedida na lista de desejos. 59% querem gift cards e 52% preferem vestuário e acessórios. «Os consumidores estão em boa forma financeira e dispostos a gastar um pouco mais em presentes para pessoas especiais na vida deles nesta época festiva» afirma Matthew Shay, presidente e CEO da NRF. «Os retalhistas estão completamente preparados para corresponder às necessidades dos clientes, à procura da combinação perfeita de vendas: qualidade e seleção» garante. Para Matthew Shay, os retalhistas estão à espera de importar volumes quase recordes de produtos antes que as tarifas da China, programadas para 15 de dezembro, entrem em vigor. O inquérito ao consumidor, conduzido pela Prosper Insights & Analytics vai além da previsão anual da NRF dos gastos da época natalícia. A Prosper Insights & Analytics estima um aumento das vendas de 3,8% e 4,2% em novembro e dezembro, em relação a 2018, para um total entre 727,9 mil milhões de dólares (cerca de 656 euros) e 730,7 mil milhões de dólares. Espera-se que os valores sejam mais elevados que os 701,2 mil milhões de dólares do ano passado. Os gastos da época festiva dividem-se em três categoriais principais: prendas para a família, amigos e colegas de trabalho numa média de 658,55 dólares. Alimentação, doces, decoração, cartões comemorativos e flores representam 227,26 dólares. Em outros artigos, que não se podem considerar presentes, mas que tiram partido das promoções da época, pensam gastar em média 162,02 dólares. Os consumidores estão a planear comprar através de vários meios e tipos de lojas. Mais de metade, 56%, diz que vai comprar online. No universo das compras online, 92% dos consumidores querem aproveitar os portes grátis. 48% vão comprar online mas pedem o envio da encomenda para a loja. 16% cogitam recorrer ao método de entrega no mesmo dia, que duplicou desde 2015. Os consumidores online mais jovens (18 a 24 anos) são os mais prováveis de fazer este tipo de compra – entrega no mesmo dia –, com uma percentagem de 32%. A maioria dos consumidores, 53%, vai comprar em grandes armazéns, 51% em outlets e 34% em cadeias de vestuário e acessórios. À semelhança do que sucedeu em anos anteriores, 39% dos consumidores da quadra natalícia asseguram que vão começar a fazer compras antes de novembro, enquanto 43% estão à espera pelo menos deste mês e 18% preveem esperar até dezembro. As vendas e os descontos são os fatores que mais pesam na hora de escolher um retalhista específico para 70% dos inquiridos. «Os consumidores mais jovens estão a ajudar a aumentar os gastos este ano» garante Phil Rist, vice-presidente executivo de estratégia da Prosper Insights. «Eles não estão apenas a gastar com os membros da família, também estão a incluir os amigos e os colegas de trabalho para presentear».

6Birla Cellulose fabrica viscose neutra em carbono

A Birla Cellulose, o negócio de celulose e fibra do conglomerado multinacional indiano Aditya Birla, afirma ter feito um avanço no fabrico da fibra viscose através do uso de tecidos desperdiçados de algodão pré-consumo. De acordo com a empresa, o novo tipo de viscose já está a ser usado por algumas marcas e retalhistas. Com investigação e desenvolvimento dentro de portas, o processo usa um mínimo de 20% de resíduos de tecidos industriais de pré-consumo, que apresentam um resultado semelhante ao da fibra natural com o RCS (Recycl Claim Standard). A Birla Cellulose está a tomar medidas para trabalhar com mais de 50% de resíduos de tecidos industriais, bem como roupas pós-consumo em 2020. «Lançar viscose reciclada faz parte do nosso compromisso com a circularidade e práticas sustentáveis» afirma Dilip Gaur, diretor de negócios de celulose e fibra do Aditya Birla Group. «Também estamos a trabalhar no sentido de desenvolver fibras através do uso de roupas pós-consumo em colaboração com fornecedores e marcas de tecnologia». A inovação contribuiu para a posição da Birla Cellulose como líder na conquista do título “baixo risco” nas auditorias de 2017 da Canopystyle e na classificação “camisola verde” do Hot Button Report. Ambos indicam que a fibra não é proveniente de áreas prioritárias importantes, antigas e em risco de extinção. «Estamos entusiasmados com o facto da Birla Cellulose estar a lançar um produto em escala comercial feito de materiais reciclados e também com a motivação em desenvolver soluções para ter mais de 50% de conteúdo reciclado até 2020» confessa Nicole Rycroft, fundadora e diretora-executiva da Canopy. «Isto são novidades fantásticas para as florestas e para o clima do mundo – e notícias bem-vindas para os nossos 200 parceiros de marcas de moda que estão à procura de tecidos que vão ao encontro da visão da Canopy de proteger as florestas antigas e em risco de extinção» destaca. Na semana passada, a empresa anunciou que se tornou a primeira produtora de viscose neutra em carbono de emissões de gases de efeito estufa de escopo 1 e 2.