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Breves

  1. Empresas combatem plástico
  2. Gildan abandona o México
  3. Amazon e Walmart criticadas
  4. Ralph Lauren prospera na China
  5. Calçado e madeira discutem inovação
  6. Seguidores da Mango escolhem coleção no Instagram

1Empresas combatem plástico

Um relatório sobre o progresso dos esforços globais para evitar a poluição do plástico elogiou os retalhistas de vestuário Ganni, Marks & Spencer e Woolworths Holdings pelas suas práticas neste âmbito. O relatório da Fundação Ellen MacArthur e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) surge um ano depois de um grupo de 250 empresas e organizações, incluindo a Burberry, a H&M e a Inditex, se ter comprometido a eliminar os resíduos de embalagens plásticas e a sua poluição (Compromisso Global por uma Nova Economia do Plástico). Desde outubro do ano passado que mais de 400 organizações prometeram eliminar as embalagens desnecessárias de plástico e implementar ações inovadoras para garantir que todas as embalagens plásticas são 100% reutilizáveis, recicláveis e biodegradáveis até 2015 – 60% do plástico usado pelos signatários já segue estas condições. De facto, 70% das empresas mais relevantes já estão a eliminar os plásticos pretos de carbono e descartáveis, assim como as palhinhas, e outros 80% estão a suprimir o policloreto de vinilo (PVC) das suas embalagens. Até 2015, as empresas que assinaram o compromisso global devem ter uma média de 22% de conteúdo reciclado nas suas embalagens, uma percentagem cinco vez maior do que a média apresentada em 2018, que rondava os 4%. Neste sentido, já vários governos se aliaram a esta iniciativa, como é o caso do Reino Unido que introduzirá, em 2022, uma taxa sobre as embalagens plásticas que contêm menos de 30% de material reciclado. Além disso, grandes produtores de plástico como a Borealis e a Indorama Ventures prometem aumentar o conteúdo de material reciclado em 350 mil toneladas e pelo menos 750 mil toneladas, respetivamente, objetivo para o qual a Indorama planeia investir 1,5 mil milhões de dólares (1,36 mil milhões de euros). As empresas de vestuário citadas pelo seu progresso incluem a Marks & Spencer, que explica ter atingido o seu objetivo de 2018 de remover mil toneladas de embalagens plásticas descartáveis até à primavera de 2019. Além disso, conseguiu eliminar as capas protetoras de plástico de 500 mil artigos de vestuário de caxemira e reutilizou e reciclou mais de mil milhões de cabides de plástico desde que introduziu o seu sistema de reutilização de cabides há 12 anos. Também a Woolworths Holdings está a fazer progressos nesta área, substituindo sacos de plástico por sacos de papel nos seus artigos de vestuário e utensílios domésticos, além de ter eliminado as embalagens das camisas formais masculinas. Por sua vez, a Ganni declara ter conseguido suprimir embalagens de plástico «problemáticas e desnecessárias», que representavam 3,38% da utilização deste material na empresa, e prometeu eliminar os restantes plásticos descartáveis até 2021. Sander Defruyt, líder do compromisso na Fundação Ellen MacArthur, considera que «agora podemos assistir a um progresso promissor, mas ainda há um longo caminho a percorrer e é crucial que estes esforços sejam acelerados e escalados e que mais empresas e governos tomem medidas para eliminar a poluição por plásticos na própria origem». Os relatórios de progresso relativos a este compromisso serão publicados anualmente até 2025.

2Gildan abandona o México

A produtora Gildan Activewear prepara-se para encerrar as suas operações no
México. Os equipamentos de produção de têxteis e de costura estão já a ser transportados para instalações na América Central e Caribe. A notícia foi divulgada no final de outubro, aquando da apresentação dos resultados, e faz parte das iniciativas relativas à cadeia de aprovisionamento da Gildan que visam aumentar a eficiência operacional em toda a linha de produção. O processo de encerramento no México deverá terminar no primeiro trimestre de 2020 e afetará 1.700 trabalhadores. «A empresa não toma decisões de ânimo leve, reconhecendo que a mão-de-obra da Gildan nas suas operações no México tem muitos anos de experiência na produção de têxteis e costura e lamenta o impacto desta decisão sobre os seus trabalhadores», confessou um porta-voz da empresa, em comunicado. Além disso, no seu relatório de resultados, a Gildan também afirmou estar a «avaliar oportunidades adicionais de reduzir custos e melhorar a execução dos nossos fatores de crescimento, incluindo a redução da complexidade em certas áreas do nosso negócio». No terceiro trimestre, a produtora canadiana registou vendas no valor de 739,7 milhões de dólares (671,50 milhões de euros), menos 1,9% do que no período homólogo do ano anterior. A Gildan justifica o declínio pelas fracas vendas de activewar para estampados personalizados na América do Norte e internacionalmente, assim como aconteceu no segmento das meias. As vendas de activewear atingiram 619,2 milhões de dólares, o que representa um aumento de 1,1% relativamente ao terceiro trimestre do ano passado, crescimento esse amortizado pela queda de 15,1% (para 120,5 milhões de dólares) nas vendas de meias e roupa interior. A isto acresce o facto de a empresa não ter previsto que o abrandamento da procura na Europa e na China se prolongasse até ao terceiro trimestre. As vendas diminuíram ao mesmo tempo que se assistiu a um aumento dos custos de produção, o que resultou em receitas mais reduzidas no trimestre em análise – o lucro líquido ficou-se pelos 104,9 milhões de euros (menos 9,4 milhões do que no ano anterior). Contudo, a Gildan reflete que «apesar do fluxo de encomendas mais fraco para estampados à medida» estarem atualmente a «amortecer o crescimento das vendas e dos lucros em 2019, não acreditamos que isto reflita a mudança estrutural no nosso negócio, enquanto fornecedor líder de vestuário básico, impulsionado pelo nosso sistema de produção em grande escala, a baixo custo e integrado verticalmente». Para o quarto trimestre, a empresa antecipa um nível contínuo de vendas fracas de produtos para estampados à medida em todos os seus mercados e, para o total do ano fiscal de 2019, prevê que o total das vendas seja inferior ao ano anterior.

3Amazon e Walmart criticadas

Uma investigação do jornal Wall Street Journal alega que vários retalhistas de vestuário online integram vendedores terceiros nas suas plataformas, cujos produtos provêm de fábricas no Bangladesh, que podem ser pouco seguras para os seus trabalhadores. A investigação acusou a Amazon e o Walmart de permitirem que vendedores terceiros disponibilizem vestuário produzido em fábricas não certificadas pelo Acordo sobre Proteção contra Incêndios e Segurança de Edifícios do Bangladesh (Accord on Fire and Building Safety in Bangladesh) ou pela organização Alliance for Bangladesh Worker Safety nas suas plataformas. Estas duas iniciativas foram introduzidas após o colapso da fábrica Rana Plaza, em 2013 – que resultou em mais de 1.100 mortes – e assinadas pela maioria dos retalhistas de vestuário dos EUA e Europa. Os signatários são obrigados a usar fábricas de vestuário classificadas como seguras. A investigação indica que a Amazon oferece «um fluxo constante de vestuário de dezenas de fábricas do Bangladesh, que a maioria dos líderes retalhistas afirmaram ser demasiado perigosas para integrar a sua cadeia de aprovisionamento». O jornal também identificou vestuário à venda na Amazon produzido em fábricas cujos proprietários se recusaram a corrigir problemas de segurança apontados pelos dois grupos de monitorização. Algumas destas peças estavam também disponíveis no Walmart. Adicionalmente, a investigação alega que a Sears, proprietária do Kmart e antiga filial de uma empresa membro de um sistema de monitorização de segurança, retomou a importação a partir de fábricas proibidas. Um porta-voz da Amazon respondeu que os produtos mencionados no relatório não são produzidos pela própria, mas sim por e para outras marcas ou empresas que, entretanto, foram removidas do website e que, apesar de não participar em nenhuma das iniciativas, a sua cadeia de aprovisionamento obedece aos padrões de ambas. «Nenhuma das fábricas identificadas produzem artigos para as marcas da Amazon. A empresa promete abastecer as nossas marcas de fornecedores socialmente responsáveis e trabalhar com outros proprietários, vendedores e produtores que partilham este compromisso», esclareceu o porta-voz, que acrescentou ainda que «os Standards da Cadeia de Aprovisionamento da Amazon descrevem as nossas exigências e compromissos, incluindo aqueles em que os fornecedores providenciam aos trabalhadores um ambiente seguro e saudável para exercer a sua função». Por outro lado, o porta-voz reforçou que «se tomarmos conhecimento de que um produto vem de uma fábrica que não vai ao encontro dos nossos padrões, removeremos o artigo da nossa loja, até que haja provas de que é produzido com as mesmas normas que aplicamos na nossa própria cadeia de aprovisionamento». Neste sentido, a Amazon já removeu todos os produtos identificados destes vendedores da sua loja, que apenas serão admitidos quando se verificar que não provêm de «fábricas inelegíveis sob o acordo [sobre Proteção contra Incêndios e Segurança de Edifícios do Bangladesh]».

4Ralph Lauren prospera na China

A forte procura pelos polos e casacos de tweed da Ralph Lauren na China permitiu à marca de luxo ultrapassar as expectativas de lucro previstas, resultando num crescimento das suas ações de quase 14%. Tal como qualquer outra empresa de moda de luxo, a Ralph Lauren tem vindo a expandir-se para a China, onde, potenciada pelo enfraquecimento da moeda chinesa, começou a abrir mais lojas no país e a juntar-se às plataformas locais de comércio online, como o Tmall, do grupo Alibaba, e o WeChat, para aumentar as suas vendas. A diretora financeira, Jane Nielsen, explica que o crescimento de 4% das receitas na Ásia foi impulsionado pela expansão online da empresa, pelo aumento do número de lojas e pela concretização de iniciativas que contaram com a participação de celebridades. A câmbios constantes, as receitas aumentaram 22% na China Continental, durante o segundo trimestre. Contudo, em Hong Kong, registou-se uma diminuição de 27% devido às manifestações pró-democráticas. Por outro lado, a concretização de uma estratégia de marketing focada no Instagram e no vestuário inspirado na cultura pop, que incluiu uma coleção de celebração dos 25 anos do programa televisivo “Friends”, também contribuiu para que a Ralph Lauren chegasse a uma nova geração de consumidores. «Muitas vezes, quando se referem à Ralph Lauren, as pessoas pensam na marca do pai, antiga e desatualizada», aponta Gabriella Santaniello, fundadora da empresa de análise de retalho A-Line Partners, acrescentando que «as vendas mais fortes dos produtos principais – polos e calças cáqui – indicam que a marca está agora a tornar-se relevante para os consumidores mais jovens». O lucro líquido ajustado da empresa subiu 6,5%, para 198 milhões de dólares (179,89 milhões de euros), ou 2,55 dólares por ação (mais 0,16 dólares do que o previsto) no terceiro trimestre deste ano. Por sua vez, as receitas líquidas aumentaram cerca de 1%, para 1,71 mil milhões de dólares, ultrapassando as expectativas dos analistas em 20 milhões de dólares.

5Calçado e madeira discutem inovação

De 7 a 9 de novembro, a Exponor abriu portas a cerca de 120 empresas e mais de 5 mil profissionais do sector do calçado e da madeira para as feiras Maquishoes – Feira de Máquinas, Tecnologia e Acessório para a Indústria do Calçado e a FIMAP – Feira Internacional de Máquinas, Acessórios e Serviços para a Indústria da Madeira, que decorreram em conjunto. Os eventos apresentaram inovações tecnológicas, promoveram a reflexão sobre um futuro mais sustentável e proporcionaram oportunidades de negócio. No caso da Maquishoes, a principal discussão girou à volta da importância das práticas sustentáveis e dos benefícios da economia circular face às alterações climáticas. Pedro Fernandes, diretor técnico da unidade de mudanças climáticas na APCER, referiu que, no final do mês de maio de 2019, Portugal já tinha gasto todos os recursos naturais para o corrente ano. «Torna-se imperativo estudar a cadeia de valor e sensibilizar as indústrias a desenvolver produtos mais inovadores e amigos do ambiente, recorrendo a energias renováveis e soluções tecnológicas mais limpas que reduzam também, a longo prazo, o impacto económico», afirmou. Já a FIMAP incentivou a discussão de tendências, estratégias e soluções para a indústria da madeira, incluindo temas como, por exemplo, a exploração e a gestão florestal. “Capacidade e oportunidades para a indústria da madeira” foi o workshop apresentado pelo Produtech – Pólo das Tecnologias de Produção que teve como objetivo «disseminar tendências e oportunidades, responder a alguns dos desafios e requisitos como a competitividade, a sustentabilidade e a inovação na indústria transformadora e perspetivar os próximos anos», mencionou o diretor-executivo da Produtech, Pedro Rocha.

6Seguidores da Mango escolhem coleção no Instagram

“Your Choices make us” é o nome da recente iniciativa da Mango que permite que os consumidores possam decidir os artigos da nova coleção que vão chegar às lojas. A equipa criativa da Mango está a estrear este projeto com o mote “Look. Participate. Decide” através do Instagram, onde os seguidores da conta oficial da marca podem votar nas peças, bem como em outros aspetos relacionados com a coleção primavera-verão 2020. Já não é a primeira vez que a Mango dá esta oportunidade à comunidade de 11 milhões de pessoas que a segue na plataforma. O mesmo aconteceu na campanha primavera-verão 2018 onde os seguidores escolheram coordenados e acessórios. No entanto, para esta iniciativa, os utilizadores têm também poder de decisão no desenvolvimento da coleção e na campanha.