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Breves

  1. Mais 40% da viscose protege florestas
  2. Denim apanhado pela onda da reciclagem
  3. ITV das Filipinas quer entrar no Top 10 mundial
  4. Tecnologia eletrónica para gestão da humidade chega ao mercado
  5. Adidas lança vestuário com isolamento de plástico dos oceanos
  6. Exportações de têxteis e vestuário do Vietname em escalada

1Mais 40% da viscose protege florestas

A organização sem fins lucrativos Canopy afirma que mais de 40% do aprovisionamento de viscose global regista um risco reduzido de provir de florestas antigas ou sob ameaça, graças ao seu ranking Hot Button de produtores mundiais desta matéria-prima. Esta lista fornece uma avaliação global do desempenho dos produtores de viscose – na sua mais recente edição, chegaram a um total de 32 – permitindo que marcas, designers e retalhistas, bem como quaisquer outros agentes no sector do vestuário tomem decisões de sourcing responsáveis. De acordo com a organização, verifica-se um aumento significativo no volume de fibras não-naturais de celulose fornecido por produtores com a classificação “camisa verde”, que agora contabilizam 42,5% da respetiva produção global, à medida que estes impõem cada vez mais medidas para eliminar o risco de sourcing de florestas antigas ou sob ameaça e introduzem novas alternativas, como o vestuário reciclado. A designação “camisa verde”, assim como “camisa amarela/verde”, baseia-se no número de “botões”, isto é, pontos, que o produtor tem, identificando aqueles que estão a caminho de cumprir – ou, em alguns casos, já o concluíram – o requerimento, exigido por todas as marcas e retalhistas que fazem parte da iniciativa CanopyStyle, de eliminar o aprovisionamento de florestas antigas e sob ameaça até ao final de 2020. Uma empresa precisa de receber 30 a 35 pontos para atingir o status “camisa verde”. Os critérios incluem auditorias de verificação por parte de terceiros, contribuição para legados de conservação, inovação através de novas fibras alternativas e adoção de uma política forte de sourcing florestal. Entre alguns dos destaques de 2019, estão as empresas Birla Cellulose, ENKA, Kelheim, Lenzing, Tangshan Sanyou e Xinxiang Chemical Fiber (Bailu) que ganharam a designação “camisa verde”. «Com pedidos urgentes de ação por parte de cientistas do clima e da vida selvagem, é necessária uma mudança sistemática e ousada nas cadeias de aprovisionamento globais», afirma Nicole Rycroft, fundadora e CEO da Canopy, explicando que «o Hot Button de 2019 mostra que a cadeia de aprovisionamento de viscose está em transformação real, à medida que a CanopyStyle se aproxima de um nível crítico de envolvimento do produtores e avanços empolgantes em soluções de próxima geração». A CEO revela ainda que «acompanhando a contagem decrescente para 2020, sabemos que os parceiros da CanopyStyle irão ter um papel crescentemente ativo nos progressos de conservação florestal em larga escala e trazer novos tecidos ao mercado produzidos integralmente com matérias-primas de próxima geração, de impacto reduzido».

2Denim apanhado pela onda da reciclagem

O grupo chinês de produção de vestuário Crystal International está a intensificar o seu esforço de reciclagem de desperdício têxtil, com o lançamento de denim reciclado previsto para o segundo trimestre de 2020. A linha de ciclo fechado Second Life foi desenvolvida pela empresa Zhongshan Yida Apparel, que recolhe restos de tecidos das mesas de corte e transforma-os em fibras de algodão de elevada qualidade e novos tecidos. O denim estará certificada com o Recycled Claim Standard e pode ser categorizada por fluxo de material para garantir uma rastreabilidade total às marcas. Esta alternativa pode compensar a pegada ambiental da produção de denim virgem, nomeadamente ao nível do consumo da água – segundo um estudo de ciclo de vida, citado pela Crystal, o cultivo de algodão contabiliza mais de 80% do consumo de água pelos produtores de jeans. Com o desenvolvimento da nova gama, a empresa «visa impulsionar a moda circular de uma forma rastreável e transparente, e maximizar o valor e a praticabilidade da reciclagem do desperdício», explica Miles Lam, gestor de desenvolvimento do produto na Crystal Denim. «Não só trabalhamos no sentido da visão de sustentabilidade da Crystal, como também criamos o nível mais elevado de produtos de denim sustentáveis para os nossos consumidores», afirma. A fábrica Yida é uma das maiores bases de produção de jeans na China, com mais de 5 mil trabalhadores e 20 milhões de peças de vestuário produzidas anualmente. Além disso, desde 2005, utiliza processos de produção inovadores e ecológicos, recebendo o rótulo Platinum da WWF-HK LCMP (Programa de Produção de Baixo Carbono, na sigla original), bem como a certificação de Sistemas de Gestão Ambiental ISO14001. Além disso, obteve uma classificação notável no índice Higg FEM (que mede o desempenho sustentável, a nível social e ambiental), deste ano, com uma pontuação de 93%. Por sua vez, a Crystal lançou a iniciativa de reciclagem de resíduos de tecido nas suas fábricas do Sri Lanka, onde o objetivo é reciclar 40% das 400 toneladas de desperdício têxtil gerado todos os anos. Constituindo-se como uma das maiores empresas de vestuário do mundo, a Crystal International fabrica mais de 470 milhões de peças por ano, com um volume de faturação de 2,5 mil milhões de dólares (2,25 mil milhões de euros). Para além de vestuário denim, produz athleisure e outdoor, camisolas e roupa interior para marcas e retalhistas, onde se incluem Uniqlo, H&M, Victoria’s Secret, Abercrombie & Fitch, Marks & Spencer, Puma, North Face, Levi’s, Gap e Under Armour. O grupo opera a nível internacional, com cerca de 20 fábricas em cinco países: Vietname, China, Camboja, Bangladesh e Sri Lanka.

3ITV das Filipinas quer entrar no Top 10 mundial

As Filipinas lançaram um programa para a sua indústria têxtil e do vestuário (ITV), que a poderá colocar entre os 10 maiores players globais, se atingir o objetivo de crescimento da exportação anual de 45%. Apresentado na Exposição de Vestuário, Indústrias do Couro e Têxtil Filipinos de 2019, em Pasay, no início d dezembro, as recomendações para o cumprimento do objetivo traçado incluem a eliminação de importações de vestuário já utilizado, o consumo de mais fibras naturais, o processamento de produtos sustentáveis e inovadores e a redução de 12% do imposto sobre o valor acrescentado (IVA), segundo o jornal Manila Bulletin. O programa, que se prolongará entre 2020 e 2029, está divido em três fases: curto (2020-2022), médio (2023-2025) e longo prazo (2026-2029). O programa de curto prazo dirige-se ao ranking mundial de exportações de vestuário do sector e estipula a respetiva subida das primeiras 20 posições para as primeiras 15. Para tal, exige-se uma abordagem do governo às lacunas logísticas e infraestruturais, bem como à diversificação do mercado de exportação, com mais acordos de comércio livre bilaterais com países emergentes para reduzir a dependência da União Europeia (UE) e dos EUA. No longo prazo, as Filipinas estão confiantes de que irão alcançar um aumento anual de 45,8% nas exportações de vestuário, entre 2026 e 2029. As exportações de acessórios de vestuário produzidos nas Filipinas no primeiro semestre do ano caíram 8,7%, comparativamente ao período homólogo anterior, para 434,6 milhões de dólares (391,97 milhões de euros), assim como as de fios e tecidos diminuíram 15,2% para 94,7 milhões de dólares. A Associação de Compradores Estrangeiros das Filipinas (FOBAP, na sigla original) identificou recentemente uma longa lista de desafios que impedem o cumprimento por parte da ITV do país dos pedidos internacionais, onde se incluem custos elevados de eletricidade, de mão-de-obra, de logística e de financiamento, reduzida eficiência do trabalhadores, tecnologia obsoleta, apoio governamental insuficiente, contrabando desenfreado, forte dependência das importações e elevadas taxas de IVA.

4Tecnologia eletrónica para gestão da humidade chega ao mercado

A empresa suíça Osmotex integrou uma joint-venture para trazer para o mercado a sua tecnologia eletrónica de gestão da humidade Hydro_Bot. O acordo com a especialista de computação têxtil Myant Inc visa comercializar a membrana ativa controlada eletronicamente, que combate a transpiração ao deslocar até 200 litros de fluído ao longo de um medro quadrado de tecido a cada hora, através de um processo eletro-osmótico. A tecnologia permite, então, obter uma capacidade «praticamente ilimitada», nas palavras da Myant, de gerir a humidade nas aplicações têxteis. A Osmotex acredita que a conjugação da Hydro_Bot com os recursos já existentes da sua parceira irá abrir novas possibilidades para a gestão da transpiração e da humidade, bem como para a termorregulação, possibilitando a melhoria de equipamentos de performance para atletas ou proteções para trabalhadores em condições laborais e/ou climáticas extremas. «A capacidade da Myant de integrar a nossa tecnologia e produzir em escala, num processo totalmente dentro de portas, tornou-a a parceira ideal para ajudar a tornar a nossa visão numa realidade», considera Joacim Holter, diretor administrativo e presidente do Conselho da Osmotex. Por seu lado, Tony Chahine, fundador e CEO da Myant, revela que a criação desta joint-venture «reforça a nossa missão de desenvolver têxteis como interfaces bidirecionais para o corpo humano capazes de otimizar a saúde e o desempenho ao longo de todas as esferas da vida». No ano passado, a marca de desporto Kjus utilizou a tecnologia Hydro_Bot no seu casaco de ski 7Sphere Hydro_Bot, que incorporava uma membrana eletrónica, controlada pelo utilizador, eliminando a transao toque de um botão.

5Adidas lança vestuário com isolamento de plástico dos oceanos

A marca de equipamento desportiva vai lançar os primeiros modelos de vestuário com isolamento da PrimaLoft obtido a partir da Parley Ocean Plastic. A iniciativa surge no seguimento da especialista em têxteis de performance PrimaLoft ter sido designada, em outubro, como a primeira fornecedora de isolamento na indústria têxtil a integrar uma parceria com a organização ambiental Parley for the Oceans, cofundada pela Adidas. Esta iniciativa visa transformar o plástico recolhido em ilhas remotas, praias e comunidades costeiras em fibras e fios técnicos que podem ser usados em produtos de performance – em 2015, os primeiros produtos produzidos com Parley Ocean Plastic trouxeram a crise da poluição marítima para a ribalta e apresentaram uma solução que diverge das abordagens tradicionais de reciclagem. A reutilização do plástico ajuda a combater um dos maiores desafios da Adidas: reduzir a dependência em plásticos virgens, assim como as emissões de carbono. A empresa alemã estima um volume de produção de 11 milhões de pares de sapatilhas com Parley Ocean Plastic até ao fim de 2019 e estipulou o objetivo de usar apenas poliéster reciclado até 2024. A gama de vestuário da Adidas com isolamento da PrimaLoft do Parley Ocean Plastic será apresentada em 2020.

6Exportações de têxteis e vestuário do Vietname em escalada

As exportações de têxteis e vestuário do Vietname aumentaram 7,7% nos primeiros 11 meses do ano, para 29,9 mil milhões de dólares (26,97 mil milhões de euros), e as de calçado subiram 12,5% para 16,5 mil milhões de dólares, segundo o Gabinete Geral de Estatística do Vietname. Contudo, um estudo da Reuters descreve que o sector está a perder negócios para países em desenvolvimento mais baratos, dedução apoiada pelos empresários que confessam não ter encomendas suficientes para 2020 – alguns referem, aliás, uma queda de 20% nos pedidos desde o ano passado. Nguyen Van Thoi, presidente da empresa TNG Investment and Trading JSC, produtora de vestuário, afirma que os compradores não se querem comprometer com contratos de longo prazo. A Associação Têxtil e de Vestuário do Vietname (VITAS, na sigla original) revela que vários pedidos transitaram para países emergentes em África, ao que se acresce o aumento da concorrência por parte da China, Índia e Bangladesh. Por outro lado, sem contar com as peças de pronto-a-vestir, a disponibilidade de insumo têxtil produzido no Vietname continua a ser um problema fundamental que prejudica os seus produtores de vestuário. De facto, as importações de tecidos nos primeiros 11 meses do ano aumentaram 4,2%, relativamente ao período homólogo anterior, para 12,2 mil milhões de dólares. Os acordos de livre comércio CPTPP (Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífica) e União Europeia-Vietname deverão também intensificar a concorrência na mão de obra entre a indústria do vestuário e outros sectores orientados para a exportação. Os compradores já foram alertados para a possibilidade de um crescimento limitado nas exportações do Vietname.