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  1. Humana elege Lisboa para abrir primeira loja vintage
  2. H&M Foundation quer erradicar diferenças financeiras entre géneros
  3. Vestuário e calçado são os mais pirateados
  4. RadiciGroup investe no têxtil sustentável
  5. Gerir o inventário é o ponto crítico dos grandes armazéns
  6. M.J. Bale e Kingston unidas em coleção de lã merino neutra em carbono

1Humana elege Lisboa para abrir primeira loja vintage

A associação sem fins lucrativos, que, desde 1998, luta pela proteção do meio ambiente ao promover a reutilização têxtil e levar programas de desenvolvimento para África, abriu a primeira loja de artigos vintage na baixa pombalina. Apesar da Humana já ter peças presentes em secções de outras lojas, tanto em Lisboa como no Porto, este espaço é o único que abrange o conceito em exclusivo e na totalidade, refere a associação em comunicado. «Esta é uma forma de oferecer um conceito de moda sustentável que vai ao encontro do fenómeno das lojas vintage que abala a capital. Na indústria da moda, observamos o crescimento das lojas secondhand e o despontar do clothing rental, bem como a consciencialização por parte dos consumidores da importância de optar por tecidos menos poluentes», afirma Linda Vinklere, responsável das lojas em Lisboa. Na nova loja estão disponíveis peças de vestuário em segunda mão alusivas a décadas passadas, para homem e mulher. Uma «experiência única» é a promessa que a Humana quer fazer cumprir a quem visita o espaço, que aposta numa decoração «clássica e retro». O conceito pretende ser inovador e, ao mesmo tempo que incentiva a compra de artigos que garantem qualidade, contribui também para uma causa social e ambiental. Os artigos da Humana vão devolver os anos 70, 80 e 90 à atualidade e defender o revivalismo como uma tendência. «Conjugar peças vintage com elementos trendy atuais não só é uma boa forma de renovar o guarda-roupa, como também pode ser uma decisão gratificante ao sabermos que estamos, simultaneamente, a usufruir de um valor intemporal e a apoiar uma causa social», destaca Linda Vinklere.

2H&M Foundation quer erradicar diferenças financeiras entre géneros

A fundação global sem fins lucrativos criou a startup Unfounfed Ldt para incentivar os 100 principais investidores globais a apoiarem esta iniciativa de forma a terminar com as diferenças financeiras entre géneros. O nome Unfounded Ldt surge como uma metáfora para o potencial empresarial inexplorado do género feminino. «Hoje, os 100 maiores investidores do mundo estão a receber uma oportunidade de investimento da Unfounded Ltd com o potencial de desbloquear 330 mil milhões de dólares numa receita global anual. A empresa pode não ser real, mas todos os dados são, assim como o potencial das mulheres no mundo do negócio. Ao não darem às mulheres empreendedoras igual acesso ao financiamento, os investidores continuam a passar todos os dias ao lado do que pode vir a ser a nova Apple Inc ou a Amazon.com», explica a fundação em comunicado, salientando que estas oportunidades de investimento não devem ser ignoradas por nenhum investidor, embora que as estatísticas revelem o contrário. De acordo com a H&M Foundation, o défice de financiamento foi calculado por 1,7 biliões de dólares em todo o mundo, mesmo que as mulheres sejam «responsáveis e tomem riscos calculados». «Com menos de 10 anos para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável até 2030, está na hora de aumentar o foco na igualdade de género e especificamente na inclusão financeira como motor de mudança positiva tanto para as mulheres como para a economia», afirma Diana Amini, gestora global da H&M Foundation. «Ao utilizarmos a linguagem dos investidores, queremos alcançar os indivíduos que tomam as decisões. A Unfounded Ldt é uma ferramenta que pretende quebrar as barreiras que as mulheres empreendedoras enfrentam no acesso ao financiamento», acrescenta. O processo de inclusão financeira foi identificado pelas Nações Unidas como um elemento crucial para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em 2030 como erradicar a pobreza, melhorar a educação, combater a desigualdade, criar inovação, gerar emprego e contribuir para o crescimento económico. Um relatório recente da UNSGSA revelou que, nos países de desenvolvimento, 80% dos negócios pertencentes a mulheres têm necessidade de crédito ou têm crédito insuficiente. Nos EUA, em 2019, apenas 2,8% do capital de risco teve como destino empresas fundadas por mulheres, segundo informações da PitchBook. Em conjunto com a Care, uma organização humanitária e de desenvolvimento internacional, desde 2014, a H&M Foundation já apoiou 182.500 mulheres de países com baixos rendimentos na criação do próprio negócio através da formação. «Sabemos que a inclusão financeira é uma das melhores formas de quebrar o ciclo da pobreza. Com a H&M Foundation apoiamos cinco mil mulheres empreendedoras na Etiópia através de formação e acesso a financiamento, o que resultou num aumento de 500% do rendimento. O investimento nas mulheres tem vantagens tanto financeiras como sociais e quanto mais cedo os investidores entenderem isto melhor», explica Reintje van Haeringen, diretora executiva da Care nos Países Baixos.

3Vestuário e calçado são os mais pirateados

A Comissão Europeia (CE) publicou um estudo sobre propriedade intelectual, onde o vestuário e o calçado continuam a ocupar o topo da lista de produtos mais pirateados. O “Estudo sobre a proteção e execução de direitos de propriedade intelectual [DPI] em países de terceiro mundo” visa informar os criadores, em particular as pequenas e médias empresas, relativamente aos potenciais riscos sobre DPI, ao envolverem-se em atividades comerciais em determinados mercados. O objetivo é dar-lhes os instrumentos para definirem estratégias e operações de negócio de modo a proteger o valor dos seus intangíveis. «A proteção e a aplicação efetiva de DPI são cruciais para o crescimento económico e a capacidade da União Europeia (UE) de estimular a inovação e manter-se competitiva globalmente», refere a CE no seu estudo. «Em termos práticos, os DPI estão diretamente ligados à produção e distribuição de bens e serviços novos e autênticos, a partir dos quais beneficiam todos os cidadãos. Isto requer uma infraestrutura ótima e economicamente eficiente de propriedade intelectual, que cubra o reconhecimento legal, registo, utilização e aplicação efetiva e adequada de todas as formas de DPI, quer em mercados físicos quer online», acrescenta. Citando um estudo de 2019 sobre o Instituto da Propriedade Intelectual da União Europeia (EUIPO, na sigla original), a média de receitas perdidas pelos sectores do vestuário e do calçado no espaço intracomunitário, como resultado da infração aos DPI, contabilizaram 28,4 mil milhões de euros entre 2012 e 2016 – o valor mais alto de 11 áreas de atividade. Os mercados que mais produzem imitações são China, Turquia, Ucrânia, Filipinas, Indonésia e Tailândia. A China continua a ser o maior desafio da UE nesta questão, «dada a escala e persistência dos problemas na área de proteção e aplicação dos DPI» – originando 80% das apreensões de produtos falsificados e pirateados pelas autoridades aduaneiras da UE. Na lista, segue-se o conjunto da Índia, Indonésia, Rússia, Turquia e Ucrânia, onde já se «identificaram problemas sérios sistemáticos» nesta área e, em terceiro lugar, vem o grupo da Argentina, Brasil, Equador, Malásia e Tailândia, aos quais se somam, em 2019, a Nigéria e a Arábia Saudita.

4RadiciGroup investe no têxtil sustentável

O grupo italiano produtor de fios entra em 2020 com duas grandes novidades: o lançamento de uma gama de fios que recorre a poliamida reciclada (Renycle) e a aquisição da italiana Zeta Polimeri, especialista na recuperação de fibras sintéticas e termoplásticos. Estas iniciativas fazem parte da estratégia da empresa na proteção ambiental e resposta a um mercado cada vez mais exigente. Na feira Domotex, que se realizou na Alemanha entre 10 e 13 de janeiro, o RadiciGroup apresentou um conjunto de soluções inovadoras focado nos tecidos para a moda, mobiliário e aplicações automóveis. Estes novos desenvolvimentos resultam da sua produção de poliamida verticalmente integrada e das sinergias entre as diversas áreas de negócios, desde a química e engenharia de polímeros aos fios sintéticos. «O nosso grupo sempre realizou esforços e investimentos para melhorar a sustentabilidade dos seus produtos e processos. Temos uma longa experiência na recuperação e reutilização de resíduos industriais para lhes dar uma segunda vida enquanto matérias-primas secundárias na indústria do polímero. Com estes novos produtos esperamos tomar o lugar central no mundo dos têxteis sustentáveis», revela Angelo Radici, presidente do RadiciGroup. Já há algum tempo que o grupo é reconhecido pela sua especialidade em classificar vários resíduos de polímero e selecionar a nova utilização mais apropriada para cada um deles. Com o Renycle, a empresa tem agora a capacidade de produzir fio para a moda, tapetes e carpetes. Este produto reduz a necessidade de novas matérias-primas de origem fóssil, mitigando o impacto ambiental generalizado, enquanto proporciona o mesmo alto nível de características técnicas às quais o mercado está habituado. Além do mais, é 100% reciclável no final do seu ciclo de vida. «O Renycle permite uma poupança de energia superior a 87% e de água superior a 90%, enquanto mantém a mesma qualidade da performance», aponta Nicola Agnoli, gestor da área de negócios RadiciGroup Fibers. «Além disso, as emissões de dióxido de carbono diminuem em quase 90%», acrescenta. Por outro lado, a aquisição da Zeta Polimeri encaixa-se perfeitamente no plano de inovação sustentável do grupo. «Colaboramos com a Zeta Polimeri há muitos anos e apreciamos a sua abordagem rigorosa e competente na seleção e processamento de material», reconhece Angelo Radici. «Ao combinar o seu know-how com as sinergias que rodeiam as nossas áreas de negócio, podemos unir-nos para otimizar a reutilização de resíduos e oferecer aos nossos clientes produtos sustentáveis com alta performance», admite. Domenico Zulato, diretor da Zeta Polimeri, afirma ainda que «no RadiciGroup, encontramos um parceiro que é tão fiável quanto capaz de assegurar a continuidade do nosso negócio e, como nós, igualmente preocupado com os assuntos de proteção ambiental, particularmente a reciclagem e a energia verde, bem como a qualidade dos produtos. Ao trabalhar em conjunto, seremos capazes de oferecer os nossos serviços enquanto fornecedores de excelentes matérias-primas, produzidas a partir de resíduos de poliamida, não apenas ao mercado dos polímeros mas também à indústria têxtil».

5Gerir o inventário é o ponto crítico dos grandes armazéns

As vendas fracas da quadra natalícia registadas pelos grandes armazéns revelam que os retalhistas antecipavam demasiado a procura, colocando o controlo dos inventários em risco à medida que eram pressionados para combater as pressões da margem. «A gestão de inventário, um problema crónico para o sector, vai, uma vez mais, ser o ponto crítico em 2020. Os grandes armazéns tiveram dificuldades em alinhar o inventário em 2019 porque previam procura. As empresas precisam de prover disponibilidade e rapidez de entrega, ao mesmo tempo que reduzem os investimentos no inventário», refere o serviço de investimento da Moody’s num relatório conduzido pela vice-presidente e diretora de crédito Christina Boni. Os grandes armazéns têm poucas opções. As margens operacionais vão continuar sob pressão, em parte devido a um ambiente promocional intenso que tem sido impulsionado pelo excesso de stock à medida que a previsão da procura não corresponde à realidade. Os retalhistas têm feito um trabalho «excecional» ao gerir os custos de vendas, gerais e administrativos, o que dá pouco espaço para melhorias suplementares no futuro destas vendas. «As poupanças adicionais precisam de ser orientadas de forma eficiente no ambiente de trabalho para tornar os funcionários mais produtivos e otimizar o fluxo de inventários das cadeias de aprovisionamento», aponta a Moody’s, citando a Nordstorm Inc e a Macy’s Inc como dois retalhistas que estão «profundamente focados» na melhoria do fluxo dos inventários. «A Macy’s e a Kohl’s têm sido disciplinadas para reduzir a dívida, mesmo que isso não seja suficiente para reforçar as classificações de crédito, a menos que possam estabilizar rapidamente o modelo de negócio», indica. «A pressão da margem deve ser aliviada e as empresas devem mostrar que o crescimento de vendas pode superar os problemas dos custos. Isso está a tornar-se muito difícil à medida que o sector continua a perder quota de mercado para canais alternativos», acrescenta. Outro problema para o sector é o facto do crédito de rendimento se ter tornado uma parte significativa do lucro operacional, com o crédito a representar cerca de 50% na Macy’s e 48% na Nordstrom. «Embora seja difícil separar totalmente o crédito das vendas de retalho, por serem altamente co-dependentes, esta tendência destaca um pior desempenho sem o fluxo de rendimento», afirma. A Macy’s vendeu a maior parte das contas de crédito e os recebimentos relativos ao Citibank e agora recebe uma participação no desempenho económico do programa. «Qualquer mudança nas condições económicas pode resultar no recebimento de pagamentos mais baixos do programa de crédito», observa a Moody’s. Com poucas opções para compensar as vendas fracas e as perdas nas quotas de mercado para outros canais de retalho, os grandes armazéns vão precisar de agir para estabilizar as operações em 2020 e, consequentemente, as margens operacionais, para mostrar que os modelos de negócios ainda são viáveis face a mudanças que agitem o cenário do retalho.

6M.J. Bale e Kingston unidas em coleção de lã merino neutra em carbono

A M.J. Bale estabeleceu uma parceria para apoiar a agricultura regenerativa e a preservação da biodiversidade de modo a garantir que a empresa australiana de vestuário por medida está a retribuir aquilo que retira ao solo. A insígnia uniu forças com a Kingston da Tasmânia, como parte de um contrato de cinco anos. No âmbito do acordo, a produtora de lã merino vai fornecer exclusivamente lã merino com um título extremamente fino (16 micra) para fatos, blazers e gravatas. A M.J. Bale e o proprietário da Kingston, Simon Cameron, também se comprometeram a uma série de iniciativas, incluindo redução das emissões de metano na pecuária, práticas de agricultura regenerativa e preservação da biodiversidade. «Enquanto marca que produz com fibras naturais australianas da melhor qualidade, continuamos comprometidos com a sustentabilidade e a proteção do meio ambiente», garante Matt Jensen, fundador e CEO da M.J. Bale. «Somos conduzidos a fazer este investimento com Cameron, um dos produtores de lã mais progressivos e éticos do mundo, não apenas por ser a coisa certa para a M.J. Bale, mas também pela saúde do meio ambiente», explica. A empresa de vestuário australiana está a colaborar com a Kingston para apoiar a agricultura regenerativa numa coleção de origem única. «O compromisso com a Kingston não só permite o acesso direto da M.J. Bale à lã merino mais fina, mas torna-se, efetivamente, uma parceira de laboratório para os programas de agricultura regenerativa que estamos a testar como a procura de lã merino neutra em carbono», revela Matt Jensen. A partir de fevereiro, vai iniciar-se o projeto científico que visa produzir lã neutra em carbono, que decorrerá durante um ano na Kingston. De acordo com a Woolmark, muitas fibras e tecidos são fabricados a partir de produtos com uma base de carbono, mas apenas alguns, como é o caso da lã, são feitos de carbono atmosférico. A lã também é naturalmente biodegradável e, quando é descartada, atua como fertilizante, libertando nutrientes valiosos e devolvendo o carbono ao solo. Como termo de comparação, a Woolmark destacou o carbono nas fibras sintéticas de vestuário, como o poliéster ou acrílico que é extraído de combustíveis fósseis e que retira o carbono armazenado há milhões de anos. «Esta parceria significa que posso continuar com o nosso trabalho na preservação ambiental e da biodiversidade, bem como proteger os campos e outros valores naturais que temos. Isso é muito importante para o futuro da Kingston e para o futuro da biodiversidade na Tasmânia», conclui Simon Cameron.