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  1. Lenzing abre nova fábrica para Tencel Luxe
  2. Raf Simons junta-se à Prada
  3. Brexit pressiona exportações do Reino Unido
  4. Indochino estreia linha 100% lã
  5. Vietname a um passo de crise de sourcing
  6. Aerie vai a banhos em poliéster reciclado

1Lenzing abre nova fábrica para Tencel Luxe

O grupo Lenzing concluiu a segunda unidade de produção piloto para o seu inovador fio filamentar Tencel Luxe. Anunciada, pela primeira vez, em 2018, a nova fábrica, na Áustria, envolveu um investimento de 30 milhões de euros e garante, agora, capacidade suficiente para desenvolver programas comerciais e novas formas de aplicação. A Tencel Luxe permite «incorporar a questão da sustentabilidade no mercado de luxo premium, combinando-a com uma estética superior», afirma a Lenzing. O fio filamentar de liocel apresenta propriedades análogas à seda, além de revelar uma forte resistência e um elevado nível de compatibilidade ambiental. Recorrendo a polpa de madeira proveniente de fontes sustentáveis, que cumprem a Política de Polpa e Madeira da Lenzing, os fios são produzidos, mediante o processo de circuito fechado da empresa – que garante um impacto ambiental mínimo devido ao consumo reduzido de água, energia e matérias-primas –, reconhecido já com o Prémio Europeu para o Meio Ambiente da União Europeia. «O Tencel Luxe abre novos mercados para a Lenzing e, portanto, contribui para a implementação bem-sucedida da nossa estratégia corporativa sCore TEN», revela Stefan Doboczky, CEO do grupo. «Ao mesmo tempo, estamos a estabelecer novos padrões no segmento de luxo da indústria da moda no que toca à sustentabilidade», destaca. Deste modo, «a segunda unidade piloto permite-nos avançar ainda mais com a abertura de novas áreas de aplicação em colaboração com os nossos clientes», indica. No ano passado, as fibras Tencel Luxe foram apresentadas numa parceria de vestuário espacial entre a Under Armour e a Virgin Galactic. O equipamento espacial exclusivo para os “Futuros astronautas da Virgin Galactic” marcou um ponto histórico no legado da Lenzing dada a integração do seu fio filamentar de liocel Tencel Luxe como componente principal. Segundo a empresa, a nova fábrica aproveitará o conhecimento adquirido da sua antecessora e alavancará modelos de automação inovadores, que constituirão a base para a expansão adicional da Lenzing no campo dos fios filamentares sustentáveis. Este será também o ponto de partida para a construção prevista de uma grande unidade de produção comercial.

2Raf Simons junta-se à Prada

O designer belga junta-se à casa de moda italiana, na qualidade de codiretor criativo, lado a lado com Miuccia Prada. A partir de abril, ambos deverão trabalhar com «responsabilidades igualitárias para os insumos criativos e para a tomada de decisão», refere a Prada em comunicado. Esta parceria «abre um novo diálogo entre os designers amplamente reconhecidos como dois dos mais importantes e influentes da atualidade. Concetualmente, significa também uma nova abordagem para a própria definição de direção criativa para uma marca de moda – um forte desafio à ideia de singularidade da autoria e um reforço da importância e poder da criatividade num cenário cultural em constante mudança», destaca a casa de moda italiana. Por outro lado, pode também ser interpretado como «o primeiro passo no sentido de contextos mais amplos de interação», acrescenta. Contudo, a Prada enfatiza que «os valores e princípios éticos da marca continuam inalterados: este diálogo criativo radical é, de facto, uma reiteração das filosofias de Miuccia Prada e Raf Simons. Está perfeitamente sintonizado com a história individual de reinvenção, provocação, exploração corajosa de cada designer e o poder das respetivas ideias – agora reunidas».

3Brexit pressiona exportações do Reino Unido

As exportações britânicas para a União Europeia poderão cair até 14%, se ambas as partes não conseguirem chegar a um acordo de livre comércio – e mesmo se o atingirem, poderão descer 9%, já que o mercado intracomunitário absorve 46% das suas vendas para o estrangeiro, revela um estudo da Organização das Nações Unidas (ONU). A imposição de tarifas num cenário sem acordo comprometeria o comércio, efeito esse amplificado pela aplicação de barreiras não tarifárias, como quotas, decisões de regulamentação e licenças que protegem a saúde, a segurança e o meio ambiente. Com efeito, as barreiras não tarifárias duplicariam o impacto negativo das tarifas e poderiam conduzir a uma perda total de 32 mil milhões de dólares (29,10 mil milhões de euros) nas exportações britânicas, de acordo com um estudo da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). Os sectores da agricultura, alimentação e bebidas e madeira e papel estariam particularmente expostos, ao contrário indústria dos produtos de metal, químicos, têxteis e vestuário. O estudo observa ainda que as barreiras não tarifárias afetam mais de 80% do comércio nos países desenvolvidos e mais de 90% no mercado intracomunitário. Tendo abandonado a União Europeia (UE) em janeiro, o Reino Unido prometeu negociar um acordo sobre as futuras relações até ao final deste ano, altura em que termina o período de transição do Brexit. «A adesão à UE tem diversas vantagens no que toca às barreiras não tarifárias, que nem mesmo o acordo mais abrangente pode replicar», afirma a diretora de comércio internacional da UNCTAD, Pamela Coke-Hamilton. Num cenário sem acordo, as exportações da Irlanda para o Reino Unido deverão cair 10%. Por outro lado, as exportações de países em desenvolvimento para o Reino Unido e, em menor escala, para a UE poderão crescer, se o governo britânico não aumentar as taxas para países terceiros. O Reino Unido idealizou um acordo comercial parecido ao que o mercado intracomunitário assume com o Canadá. Não obstante, a UE requer que a outra parte aceite condições equitativas em áreas como o auxílio estatal e a tributação, exigências negadas pelo Reino Unido.

4Indochino estreia linha 100% lã

A Indochino apresentou a sua mais recente coleção de fatos, blazers, calças, outerwear, camisas e coletes, incluindo uma nova linha 100% lã. Para a primavera-verão 2020, a marca traz a gama de edição limitada em lã Milano, além da oferta habitual de tecidos em algodão e linho. Produzido na fábrica têxtil com mais de 200 anos de atividade, Guabello, o tecido de lã oferece propriedades naturais de elasticidade. O preço mínimo dos fatos Milano está definido para 499 dólares (453,81 euros). Além dessa opção de luxo, a Indochino expandiu as suas opções de vestuário casual, adicionando novas calças chino. «As regras do estilo estão a alterar-se cada vez mais, principalmente para a estação mais quente», reconhece o presidente e CEO da Indochino, Drew Green. «O fato tradicional será sempre essencial para exibir uma estética refinada – mas o casual, de uma forma inteligente, está a abrir um novo contexto de estilo e de expressão, dentro e fora do local de trabalho». Deste modo, a equipa de design criou uma «coleção versátil para quebrar os limites das salas de reuniões e permitir que as barreiras entre o formal e o casual se tornem mais ténues do que nunca», acrescenta. Por outro lado, a marca também atualizou os seus modelos chinos, introduzindo um novo tecido em tons de azul, areia, sálvia e pedra, que sustentam a base para as quatro histórias idealizadas para esta estação quente: “Seaside Brights”, “Neutros no Deserto”, “Fresh Indigos” e “Slick Silvers”. Fundada em 2007, a Indochino tornou-se uma concorrente importante no mercado do vestuário masculino. Em setembro, anunciou a sua posição enquanto uma das 500 empresas com um ritmo de crescimento mais rápido no Canadá, entre aquelas cuja receita é superior a 100 milhões de dólares canadianos (68,17 milhões de euros), registando uma taxa de crescimento de 383% em cinco anos.

5Vietname a um passo de crise de sourcing

Os produtores de vestuário do Vietname preparam-se para enfrentar uma severa escassez de materiais a partir do segundo trimestre, devido à disrupção das suas cadeias de aprovisionamento, provocadas pelo surto de coronavírus, revela o presidente da Associação de Têxteis e Vestuário do Vietname, Vu Duc Giang. Esta indústria é a terceira maior fonte de rendimentos no que toca às exportações do país, logo após os sectores dos smartphone e eletrónica. Contudo, a produção têxtil do Sudeste Asiático depende fortemente do aprovisionamento de materiais da China, onde o vírus matou mais de 2.600 pessoas. «As empresas domésticas têm materiais suficientes para alimentar a produção até o final do primeiro trimestre, mas muitas delas enfrentarão uma severa escassez a partir de abril, devido às dificuldades de importação a partir de fornecedores na China, Japão e Coreia do Sul», explica Vu Duc Giang. De facto, mais de 50% das matérias-primas desta indústria provêm da China. «Ainda não sabemos até que ponto o coronavírus afetará a produção de vestuário do Vietname em 2020», admite Giang. «Mas esperamos que durante o primeiro trimestre permaneça estável em relação ao ano anterior», afirma. No entanto, vários produtores terão de cancelar ou atrasar as entregas dos seus artigos. «Estamos a tentar diversificar as nossas fontes de aprovisionamento para mitigar os impactos do vírus», explica Vu Duc Giang, revelando que algumas empresas estão a produzir mais máscaras faciais e equipamentos de proteção médica. As exportações têxteis e de vestuário do Vietname, no ano passado, aumentaram 7,8%, para 32,85 mil milhões de dólares (29,88 mil milhões de euros). Esta semana, o Ministério da Saúde do Vietname garantiu que todas as 16 pessoas infetadas com o coronavírus no país conseguiram recuperar.

6Aerie vai a banhos em poliéster reciclado

As marcas da indústria da moda estão a desenvolver esforços para se tornarem mais ecológicas, desde a decisão da Everlane em eliminar novos plásticos da sua cadeia de aprovisionamentos até a procura da Allbirds por materiais para sapatilhas mais sustentáveis. No início de fevereiro, a Aerie – marca de lingerie e lifestyle da AEO Inc. – juntou-se ao movimento global, anunciando o seu próprio compromisso, através de uma nova linha de moda praia, batizada Real Good Swim. A coleção de 10 peças, cujo preço varia entre os 19 e os 54 dólares (de 17 a 49 euros) recorre ao tecido Repreve, em que 82% da composição é composta por poliéster reciclado de garrafas de plástico. O compromisso da AEO Inc. no sentido de uma produção mais sustentável representa um passo significativo para a indústria global, dada a dimensão da empresa, que gera mais de 4 mil milhões de dólares em receitas anuais. A isto acresce a forte preocupação do seu público-alvo, os jovens consumidores, que «solicitam produtos ambientalmente responsáveis», sublinha Jen Foyle, presidente da marca global da Aerie. A empresa está a implementar uma equipa de embaixadores, à qual atribuiu a denominação Aerie Real Role Models, para auxiliar no lançamento da nova linha. Deste grupo, faz parte Manuela Baron, uma influenciadora de 24 anos da Flórida, com 29 mil seguidores no Instagram e focada na reeducação das massas para a sustentabilidade. «[Esta campanha] ajuda os consumidores a compreender o que significa a sustentabilidade no mundo da moda», acredita. As peças foram pensadas para serem duráveis, produzidas com elastano resistente ao cloro, mesmo após uso continuado na piscina. «Parte do que aconselho é não comprar mais vestuário, a não ser que realmente precisem», defende Manuela Baron. Por seu lado, Jen Foyle concorda que a nova linha de vestuário de banho foi pensada para desencadear uma discussão sobre o tema. «Esta coleção cápsula é mais do que apenas criar produtos ambientalmente responsáveis», considera. «Trata-se também de incentivar conversas sobre o nosso planeta e adotar um estilo de vida que reduza o desperdício», explica. No ano passado, a AEO Inc. já tinha divulgado a sua promessa de se tornar neutra em carbono até 2030 e, no prazo de três anos, de reciclar metade de toda a água usada nas suas lavandarias e reduzir num terço o consumo de água da produção de jeans.