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Breves

  1. Greenpeace aprova empresa de vestuário em malha
  2. Zalando sobe a pique
  3. Indonésia tem nova fábrica de viscose
  4. Gap entra na revenda
  5. ITV do Sri Lanka cresce
  6. Fashion for Good luta contra o plástico

1Greenpeace aprova empresa de vestuário em malha

A especialista em malhas jersey da Lituânia, Utenos trikotažas, é a primeira – e até agora a única – empresa do mundo a trabalhar integralmente de acordo com o standard de aprovisionamento de têxteis da Greenpeace. O grupo ambiental ativista começou a colaborar com os seus fornecedores em maio do ano passado para averiguar a possibilidade de produzir artigos sem recorrer a químicos perigosos, tal como ditam os seus requisitos Detox. Agora, a Greenpeace afirma ter começado a produzir as suas próprias t-shirts na Utenos trikotažas totalmente livres de químicos perigosos – o primeiro lote já está terminado e o resto está programado para seguir ainda este ano. O standard de aprovisionamento têxtil da Greenpeace exige que a empresa controle os químicos utilizados através de um teste completo às águas residuais libertadas durante a tinturaria e a lavagem. «É o standard para qualquer marca de moda que procura verdadeiramente obter credibilidade em termos de sustentabilidade», evidencia Viola Wohlgemuth, porta-voz da campanha de consumo e produtos tóxicos da Greenpeace. «A Utenos trikotažas tornou-se a primeira fabricante a provar que está totalmente em conformidade com esses requisitos. Segundo a norma, as fibras naturais de cultivo orgânico, a produção testada livre de substâncias nocivas, a remuneração justa e a transparência estão interligadas de forma única», acrescenta. Segundo Wohlgemuth, a Utenos trikotažas e os seus parceiros demonstraram que, pela primeira vez na história, foram tomadas medidas para evitar riscos de contaminação e de utilização de produtos químicos em toda a cadeia produtiva, desde a fibra até ao tingimento e estamparia, de acordo com os princípios de Detox e, finalmente, até à confeção e embalamento do vestuário de elevada qualidade. «Esta coleção prova que é possível uma produção verdadeiramente limpa, justa e completamente transparente», regista. Há nove anos a pressionar a indústria de vestuário para eliminar a utilização e posterior libertação de produtos químicos perigosos na cadeia de aprovisionamento, através da campanha Detox, a Greenpeace foi forçada a introduzir o novo standard após terem sido encontradas estas substâncias nas suas próprias mercadorias. A nova norma aplica-se apenas a produtos têxteis à base de fibras naturais e proíbe o uso intencional de produtos químicos perigosos em todas as fases do processo produtivo. Estipula também que os fornecedores devem garantir a transparência das suas cadeias de aprovisionamento, divulgando os nomes e localizações dos seus subcontratados e fornecendo um mapa interativo da sua cadeia. O standard especifica também alguns instrumentos e certificações providenciados pelas organizações Oeko-Tex, especificamente o Detox to Zero da Oeko-Tex, GOTS e Fairtrade.

2Zalando sobe a pique

A retalhista online de moda Zalando quase duplicou o lucro do ano passado, acompanhando uma subida das receitas de 20,3%. Agora, planeia lançar uma categoria de “Usados” e expandir o seu segmento premium para incluir marcas de luxo. Sediada em Berlim, a empresa anunciou que um recorde de 31 milhões de clientes fizeram encomendas no último ano, aproximando-a do seu objetivo de se tornar “o ponto de partida para a moda na Europa”. No ano total de 2019, o volume bruto de mercadorias (GMV) aumentou 23,6%, para 8,2 mil milhões de euros, enquanto as receitas cresceram 20,3%, para 6,5 mil milhões de euros. No mesmo período, o EBIT ascendeu a 224,9 milhões de euros. O crescimento foi especialmente pronunciado no quarto trimestre, com um salto do GMV de 24,3%, para 2,5 mil milhões de euros, e das receitas de 19,5%, para 2 mil milhões de euros, impulsionado pelos recordes da Cyber Week. Por seu turno, o lucro líquido aumentou para 99,7 milhões de euros ao longo de todo o ano (mais 48,5 milhões de euros do que em 2018) e para 85,4 milhões de euros no quarto trimestre (face ao período homólogo anterior). «Recordamos um ano de muito sucesso. Atingimos resultados financeiros fortes em cada um dos trimestres», salienta o diretor financeiro da Zalando, David Schröder. «Este desempenho permitiu um grande progresso na nossa agenda estratégica», acrescenta. Para o futuro próximo, a empresa já definiu vários investimentos, onde se incluem planos para expandir o seu projeto piloto de moda usada, mediante a criação de uma nova categoria. A partir do terceiro trimestre, os clientes poderão comprar vestuário em segunda mão, assim como vender os seus próprios artigos à Zalando. O lançamento está programado para o outono e estará disponível para os segmentos de homem, mulher e criança, restringindo-se ao território alemão. Além disso, a retalhista irá expandir o seu segmento premium às marcas de luxo, planeando duplicar a sua oferta até ao final de 2023, de forma a atingir uma quota de mercado equivalente a 38 mil milhões de euros. Recentemente, já adicionou a Moschino Couture e Alberta Ferretti ao seu portefólio. «Os clientes mais jovens, especialmente, gostam de misturar marcas de alta-costura com peças de desporto e de designer. O premium tem sido a nossa categoria com um crescimento mais acelerado nos últimos meses e distinguimos um grande potencial para aproveitarmos este ritmo», argumenta o diretor financeiro. Além disso, a empresa ampliará a sua rede de logística europeia abrindo um novo armazém em Espanha. Deste modo, até ao final de 2020, a Zalando espera fazer crescer o seu GMV entre 20% a 25% e antecipa uma subida das receitas entre os 15% e os 20%, com um EBIT ajustado entre 225 e 275 milhões de euros.

3Indonésia tem nova fábrica de viscose

A Asia Pacific Rayon (APR) abriu aquilo que afirma ser a maior unidade produtiva integrada de viscose da Indonésia – uma medida que irá contribuir para o apoio ao desenvolvimento da indústria têxtil nacional, bem como para a redução da dependência do país em matérias-primas importadas. Inaugurada pelo Presidente da Indonésia, Joko Widodo, a 21 de fevereiro, a fábrica de 1,1 mil milhões de dólares (980 milhões de euros), com uma capacidade de produção anual de 240 mil toneladas, faz parte da estratégia de desenvolvimento industrial 4.0 do governo. A nova unidade está localizada no mesmo complexo que o grupo APRIL, em Pangkalan Kerinci, na província de Riau, Sumatra, permitindo a integração de operações, desde a plantação de celulose renovável da APRIL até à produção da APR. A cerimónia de inauguração envolveu a vedação simbólica pela mão do Presidente de um contentor de exportação com 10.190 toneladas de fibra de viscose com destino à Turquia e outro de 12 mil toneladas para Java Central. «A nossa indústria do vestuário deverá ser maior que a do Vietname. Já temos as nossas próprias matérias-primas aqui, como a viscose, para a apoiar», declarou o presidente indonésio durante a cerimónia. A fábrica deverá potenciar novos investimentos de valor acrescentado no país, fortalecendo a sua indústria têxtil, além de reduzir a dependência na importação de matérias-primas, particularmente o algodão, para dar resposta à procura interna. Agus Gumiwang Kartasasmita, ministro da indústria, explica que «ao otimizar a disponibilidade e o uso de matérias-primas originárias da Indonésia, podemos melhorar o desempenho do nosso sector têxtil. Este é apenas um dos vários passos que estamos a tomar para continuar a melhorar o desempenho e a competitividade da indústria de trabalho intensivo». Por sua vez, Basrie Kamba, diretor da APR, acredita que a presença da APR terá um «impacto positivo» nas oportunidades de emprego e negócios para pequenas e médias empresas nos sectores a montante e jusante da indústria têxtil. Além da Turquia, os produtos da APR são exportados para 14 países, incluindo o Paquistão, Bangladesh, Vietname, Brasil e diversos destinos europeus. Por outro lado, os produtos também apoiam a indústria da moda em expansão na Indonésia. Estima-se que a APR possa gerar receitas cambiais superiores a 130 milhões de dólares e reduzir a dependência de importações de matérias-primas em cerca de 149 milhões de dólares anualmente.

4Gap entra na revenda

A Gap Inc está a integrar o mercado do vestuário em segunda mão através de uma nova parceria com a loja de revenda online ThredUp. A Gap é a maior participante até à data do programa Resale-as-a-Service (RAAS) da ThredUp, no qual os compradores podem trocar as peças que já não querem por créditos que podem ser utilizados nas compras das marcas Gap, Banana Republic, Athleta ou Janie & Jack. «À medida que a revolução da revenda continua a ganhar impulso, a participação neste segmento de mercado não só é boa para o planeta, como também é positiva para os negócios», defende Mark Breitbard, presidente de marcas especializadas da Gap Inc. «Os nossos clientes estão a diversificar os seus armários, quer com novo vestuário, quer com peças alugadas ou produtos em segunda mão», continua. A partir de abril, as etiquetas ThredUp Clean Out estarão disponíveis em algumas lojas Gap, Banana Republic, Athleta e Janie & Jack, dos EUA, permitindo que os clientes enviem os artigos que já não queiram para a plataforma. Além disso, os clientes que recuperarem os seus créditos nas marcas da Gap recebem um bónus de desconto adicional de 15%. A retalhista estabeleceu como objetivo retirar anualmente mais de 30 milhões de libras (cerca de 13,6 toneladas) em material de aterros sanitários. Atualmente, defende conseguir impedir que quase 50% dos resíduos gerados nas suas instalações da América do Norte tenham o mesmo fim.

5ITV do Sri Lanka cresce

O Sri Lanka registou um crescimento de mais de 5% nas exportações de têxteis e vestuário em 2019, graças à subida da procura por parte de mercados não tradicionais, como o Canadá, Austrália e China. Os mais recentes dados do Banco Central do país indicam que as exportações do sector contabilizaram um total de 5,6 mil milhões de dólares (5,01 mil milhões de euros), entre janeiro e dezembro do ano passado, mais 300 milhões de dólares do que em 2018, o que significa um crescimento de 5,2%. Só no vestuário, as exportações aumentaram 4,9%, para 5,2 mil milhões de dólares, enquanto os têxteis registaram um salto de 9,3%, para 284,3 milhões de dólares. Durante o ano houve uma redução significativa do défice comercial, dada a contração dos gastos em importações, revela o Banco Central. Numa base acumulável, o défice caiu para 8 mil milhões de euros, dos 10,34 mil milhões apresentados em 2018. Ao longo do ano, as exportações globais subiram 0,4%, para 11,94 mil milhões de dólares, enquanto as importações desceram 10,3% para 19,94 mil milhões de dólares. Em termos de relação entre o preço das exportações e o das importações, houve uma deterioração de 1,5% em 2019, comparativamente ao ano anterior. Em dezembro, o banco HSBC e a União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla original) iniciaram um projeto conjunto para auxiliar a transição do sector do vestuário de Sri Lanka para uma indústria de baixo carbono. Este é o segmento com maior representatividade nas exportações nacionais, assumindo um peso próximo dos 40%. A estratégia será desenvolvida em parceria com as organizações Joint Apparel Association Forum do Sri Lanka (JAAFSL), o National Cleaner Production Centre (NCPC) e o Board of Investment (BOI), baseando-se numa investigação conduzida pela IUCN.

6Fashion for Good luta contra o plástico

A empresa de reciclagem First Mile juntou-se à plataforma global Fashion for Good para um novo sistema piloto que visa combater os resíduos de polietileno na indústria da moda. O Polybag Collection Scheme Pilot faz parte do Projeto de Embalagens Plásticas, criado pela Fashion for Good numa tentativa de identificar potenciais soluções para reduzir o impacto e a utilização de embalagens plásticas no sector. Apoiado pelos parceiros mundiais da plataforma, como a Adidas, Kering, PVH Corp e Stella McCartney, o projeto prevê que a First Mile proceda à recolha e reciclagem de sacos de plástico de várias lojas localizadas no centro de Londres, normalmente usados na indústria da moda para embalar, transportar e guardar o vestuário em armazém. Estima-se que, todos os anos, sejam produzidos globalmente 180 mil milhões de sacos de plástico. Tradicionalmente, o filme plástico – a partir do qual são produzidos os sacos de polietileno – apresenta-se como um grande desafio à reciclagem, devido à variedade de tipos e cores deste material, que limitam o potencial de criar um produto de maior valor. Em contrapartida, grande parte dos sacos neste sector é produzida com filme de polietileno de baixa densidade (LDPE), garantindo um potencial de fluxo de resíduos mais puro e limpo que podem ser transformados novamente em filme de alta qualidade. Neste sentido, a Fashion for Good irá testar a capacidade de desenvolver uma infraestrutura de reciclagem numa região da cidade, com possibilidade de expansão em grande escala. Os sacos de plástico recolhidos pela First Mile serão transformados em novos produtos de filme plástico, fechando o ciclo de produção e reduzindo significativamente a quantidade de resíduos descartados. O piloto prolongar-se-á por um período de três meses, ao fim do qual a Fashion for Good irá analisar os dados sobre a viabilidade da recolha separada de sacos para as marcas e, por sua vez, a First Mile divulgará os resultados da reciclagem. «A indústria da moda precisa de lidar com os resíduos de embalagens de polietileno e trabalhar em conjunto para tornar o sistema de circuito fechado numa realidade. Este objetivo implica que o sector se comprometa a contribuir para sacos mais recicláveis, apoiando a inovação e, acima de tudo, os sistemas de recolha em todos os lugares onde os resíduos de sacos são gerados», reforça Katrin Ley, diretora da Fashion for Good. O projeto The Polybag Collection Scheme surge no seguimento do anúncio de lançamento do Circular Polybag Pilot da Fashion for Good, em dezembro, que visa reduzir a utilização e o impacto de sacos de polietileno virgens na indústria da moda, desenvolvendo uma solução totalmente circular de conteúdo reciclado, em parceria com a Cadel Deinking.