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  1. Falta de matérias-primas abranda produção do Camboja
  2. Vestuário europeu sem aumento de taxas
  3. Allied revoluciona a rastreabilidade do enchimento têxtil
  4. Retalho sobe, mas roupa cai nos EUA
  5. VF Corp instala centro global de inovação
  6. Confeção indiana ganha primeira certificação Fairtrade

1Falta de matérias-primas abranda produção do Camboja

Governantes do Camboja advertiram que a produção vai abrandar em 200 fábricas devido à escassez de matérias-primas relacionada com o surte de Covid-19 na China. Heng Sour, porta-voz do Ministério do Trabalho, revelou a jornalistas locais que 10 empresas com 3.000 trabalhadores já notificaram o Governo de que irão suspender as operações parcialmente. «A partir de previsões, assim como de um inquérito sobre o impacto do coronavírus, sabemos que em março quase 200 fábricas irão ter falta de matérias-primas e irá afetar cerca de 110 mil trabalhadores», indicou Heng Sour, de acordo com a Reuters. A ação mostra a pressão que o sector do vestuário do país está a sofrer, depois de recentemente a Comissão Europeia ter confirmado que irá retirar algum do acesso preferencial do Camboja ao mercado da UE. A medida significa que a partir de meados de agosto serão cobradas taxas em alguns produtos de calçado e vestuário e todos os bens de viagem à taxa de Nação Mais Favorecida da Organização Mundial de Comércio (OMC). O governo do Camboja terá prometido isenção de impostos a confeções afetadas pela remoção parcial do acesso preferencial à UE e por disrupções da cadeia de aprovisionamento provocadas pela epidemia do novo coronavírus.

2Vestuário europeu sem aumento de taxas

O vestuário da UE não irá enfrentar uma subida das taxas alfandegárias resultantes do Notice of Modification of the Section 301 Action, publicado pelo Representante do Comércio dos EUA, mantendo-se a taxa em vigor até agora de 25%. As taxas são resultado de uma atual disputa com a UE relacionada com subsídios a aeronaves. Em dezembro, os EUA indicaram estar a considerar taxas adicionais sobre bens da UE por causa dos subsídios em aeronaves, depois de anteriormente terem já aumentado as taxas de alguns artigos de vestuário para 25%. Em outubro, os EUA cobraram taxas sobre 7,5 mil milhões de dólares (6,75 mil milhões de euros) em bens provenientes da UE, incluindo vestuário. A decisão surgiu após os EUA terem recebido luz verde por parte da Organização Mundial de Comércio (OMC) para impor tarifas entre os 10% e os 25%. A American Apparel and Footwear Association expressou a sua desaprovação à ameaça de aumento das taxas numa carta ao Representante do Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, na qual dizia que, embora concordasse com o objetivo do governo dos EUA de eliminar subsídios ilegais à Airbus, ficou «perplexa» sobre como impor taxas sobre as importações de têxteis, vestuário e acessórios iria contribuir para essa meta.

3Allied revoluciona a rastreabilidade do enchimento têxtil

A Allied Feather & Down vai incorporar tecnologia que permite ler e verificar o enchimento de peças de vestuário no que afirma ser «a próxima geração de rastreabilidade e responsabilização no isolamento com penugem para roupa de cama e vestuário». O Optix iMirror, produzida pela Nobal Technologies, tem um scanner embebido que pode ler a assinatura orgânica impregnada no isolamento em penugem dentro de cada peça de vestuário com enchimento da Allied. Os consumidores podem ter a peça de vestuário verificada em tempo real em frente do Optix iMirror e interagir e descobrir de onde vem a penugem, que características tem, como cuidar da peça após a compra e, a nível do retalho, ver outras cores e modelos do produto que possam estar em stock. «A indústria e as marcas estão a trabalhar muito em questões de rastreabilidade, mas muitas vezes isso não é transmitido diretamente ao consumidor de uma forma envolvente e experiencial», aponta o diretor criativo e de marketing da Allied, Matthew Betcher. «O Responsible Down Standard (RDS), por exemplo, não faz nada para comunicar qualquer informação além do facto que está certificado como aprovisionado de forma responsável. Pode ser processado de forma horrível com muito prejuízo para o ambiente. É aí que entra a ferramenta TrackMyDown. O Optix iMirror interage diretamente com o casaco, lendo um acabamento refletor na penugem através do tecido e irá dizer tudo o que se queira saber sobre a penugem dentro. Será uma ferramenta crítica para qualquer marca, tanto como ferramenta de educação para o consumidor, quer como um dispositivo que pode oferecer autenticação e tornar o material impossível de falsificar», acrescenta. Daniel Uretsky, presidente da Allied Feather & Down, destaca que «a Allied gastou milhões de dólares e inúmeras horas a assegurar a nossa posição como líderes da indústria no bem-estar animal e métodos de processamento sustentáveis, e isso inclui um investimento em tecnologia e inovação no retalho para as nossas marcas parceiras, assim como penugem rastreável para o consumidor de cada produção. Sabíamos que era necessário desenvolver uma ferramenta que pudesse envolver o potencial comprador de um produto com penugem para o ajudar a tomar decisões mais informadas e continuamos na vanguarda de temas globais como a Certificação de Isenção de Óleo de Palma e redução de microplásticos no ambiente».

4Retalho sobe, mas roupa cai nos EUA

As vendas a retalho nos EUA aumentaram em janeiro, mas as vendas em lojas de vestuário continuaram a cair. As vendas a retalho subiram 0,2% em janeiro face a dezembro, em termos ajustados sazonalmente, e 2,7% em termos não ajustados, de acordo com a National Retail Federation (NRF). Os números, que excluem as vendas de automóveis, combustível e restauração, incluem um aumento de 7% em termos anuais nas vendas online e à distância, que subiram 0,3% em termos mensais e ajustadas sazonalmente. As vendas em lojas de vestuário e acessórios subiram 0,7% em termos anuais e 3,1% em termos mensais. As vendas em lojas de desporto, por seu lado, desceram 1,5% em termos anuais mas subiram 0,1% em termos mensais. Em dezembro, as vendas aumentaram 0,3% em termos mensais e 6,3% em termos anuais. «A força do consumo continua a ser a âncora da atual expansão económica», afirma o economista-chefe da NRF, Jack Kleinhenz. «As vendas a retalho em janeiro refletem um consumidor confiante apoiado por um sólido aumento dos salários e ganhos laborais. Embora o sector empresarial continue a pesar incertezas significativas, os consumidores estão a alimentar o crescimento da economia americana. Estamos a começar o ano com o pé direito», acrescenta. Até janeiro, a média de três meses subiu 3,5% face ao mesmo período do ano anterior, em comparação com 3,9% em dezembro. Os números da NRF são baseados em dados do gabinete de estatística dos EUA, que divulgou que as vendas de janeiro – incluindo automóveis, combustível e restauração – subiram 0,3% em termos ajustados sazonalmente face a dezembro e 4,4% em termos anuais não ajustados. Neil Saunders, diretor-geral da GlobalData Retail, destaca que 2020 começou com um crescimento modesto no retalho puro, onde as vendas cresceram 2,7%. «Está abaixo da taxa de crescimento mensal média de longo prazo e significativamente abaixo do aumento de 5,7% de dezembro. O consumidor está claramente a não dar prioridade a comprar produtos, mas muito disto deve-se a gamas desfavoráveis, aborrecimento com as compras e algumas condições meteorológicas desfavoráveis: não é o resultado de problemas económicos ou falta de poder de compra», justifica. A nível setorial, Saunders indica que o vestuário teve «um mês mau», com as vendas nas lojas de roupa a descerem 0,7% em comparação com o ano passado. «Fortes descontos, condições meteorológicas desfavoráveis em algumas partes do país e falta de gamas atrativas em players-chave contribuíram para a queda», enumera o diretor-geral da GlobalData Retail. «No geral, este é um início de ano razoável, embora os retalhistas precisem de trabalhar muito mais em 2020 para gerar crescimento e persuadir os consumidores a comprarem», conclui.

5VF Corp instala centro global de inovação

A gigante americana de vestuário VF Corporation vai abrir um Centro Global de Inovação em Denver, perto da localização da nova sede da empresa, na baixa da cidade, que deverá abrir na primeira metade deste ano. A empresa, que detém as marcas Vans e Timberland, entre outras, anunciou em agosto de 2018 que iria transferir a sua sede de Greensboro, na Carolina do Norte, para Denver. Os planos coincidiram com a separação do seu negócio de jeanswear – que inclui as marcas Wrangler e Lee –, atualmente concentrado na empresa Kantoor Brands. O Centro Global de Inovação será usado para inovar e testar produtos, assegurar a qualidade e, além disso, como localização dos showrooms e estúdio de fotografia para as seis marcas sediadas em Denver, incluindo a The North Face, JanSport, Smartwool, Altra e Eagle Creek. «O laboratório de Denver será um centro valioso e vibrante para as nossas iniciativas de inovação e para interagir com os nossos parceiros de retalho», afirma Craig Hodges, vice-presidente de assuntos corporativos e comunicações da VF. Com um número de trabalhadores estimado em 1.200 pessoas, a nova sede da VF deverá dar espaço à empresa para expandir a sua força de trabalho além das 800 pessoas que deverá empregar em Denver nos próximos oito anos. O Centro Global de Inovação deverá empregar cerca de 50 pessoas e estar operacional no outono deste ano.

6Confeção indiana ganha primeira certificação Fairtrade

A empresa indiana Purecotz tornou-se a primeira confeção a ser certificada de acordo com o Fairtrade Textile Standard, numa ação que abre caminho para uma cadeia de aprovisionamento certificada com os padrões de comércio justo. A certificação da Purecotz significa que a empresa de comprometeu a pagar salários suficientes para uma vida digna a todos os seus trabalhadores dentro dos próximos seis anos, assim como a implementar mais medidas relacionadas com segurança no trabalho, contratos laborais, mecanismos de queixa e liberdade de associação e sindicatos. A Purecotz oferece uma operação vertical desde o sourcing de tecidos até à amostragem e modelagem, confeção e expedição de vestuário de bebé e criança, assim como de homem e senhora. Processa em exclusivo tecidos em algodão orgânico, grande parte dos quais têm igualmente certificação Fairtrade. Segundo o fundador e diretor-geral da Purecotz, Amit Narke, a certificação é um passo em frente para uma produção mais sustentável e justa. «Estamos a embarcar numa viagem de melhoria contínua. O nosso objetivo é um equilíbrio entre sustentabilidade económica, ecológica e social. O Fairtrade Textile Standard é um selo importante e fonte de inspiração a este respeito», adianta. Dieter Overath, diretor-geral da TransFair e.V (Fairtrade Germany), a organização sem fins lucrativos que licencia a utilização da marca Fairtrade em produtos na Alemanha, acrescenta que «o Fairtrade Textile Standard traz consigo um compromisso significativo, tanto financeiro como em termos de responsabilidade para com os funcionários. A Purecotz está a fazer pagamentos avançados aqui, por isso é ainda mais importante que as empresas de moda sigam o seu empenho e mudem para os têxteis justos». Os primeiros parceiros licenciados de têxteis Fairtrade são as empresas de moda Melawear e Brands Fashion – ambas clientes da Purecotz. Henning Siedentopp, diretor-geral da Melawear, afirma que tanto uma fiação como uma empresa de descaroçamento deverão ficar certificadas antes do final do ano, permitindo uma cadeia de aprovisionamento completamente certificada Fairtrade. Só quando todos os passos da produção têxtil estão certificados – do descaroçamento do algodão à fiação e produção do tecido para a confeção – é que as empresas poderão usar o selo Fairtrade nos seus produtos. «O nosso objetivo para 2020 é ter a primeira cadeia de aprovisionamento mundial certificada. Desta forma, estamos a reforçar os direitos dos trabalhadores e a assegurar que são pagos salários dignos a longo prazo», acredita Rabea Schafrick, subdiretora de sustentabilidade na Brands Fashion.