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Breves

  1. Stocks de algodão caem em 2019/2020
  2. H&M aumenta vendas no primeiro trimestre
  3. Cotonificio Albini na nuvem
  4. Quebra na China afeta exportações globais
  5. Primark consegue certificado vegan
  6. GOTS com maior taxa de crescimento

1Stocks de algodão caem em 2019/2020

Os stocks mundiais de algodão deverão diminuir 1%, para 18 milhões de toneladas, em 2019/2020, representando a quinta revisão em baixa consecutiva da época. Na sua última atualização mensal, o International Cotton Advisory Council (ICAC) explica que a diminuição global é «completamente devida» ao declínio de 5,5% na quota da China, para 8,4 milhões de toneladas. A China é, de resto, o único país que deverá registar uma quebra, com o resto do mundo a antecipar um aumento de 3%, para 9,6 milhões de toneladas. O ICAC acrescenta que o mercado tem já enfrentado uma grande incerteza devido às tensões comerciais entre os EUA e a China, pelo que o novo surto de coronavírus (COVID-19) apenas ensombra ainda mais as previsões. Em combinação com a desaceleração económica mundial, a associação de países produtores, comerciantes e consumidores de algodão afirma que esses desenvolvimentos levaram o secretariado a rever a sua projeção de preço corrente para 0,79 dólares por libra. Entretanto, face à previsão de que o consumo mundial se deverá manter estável, a queda nos stocks sobrevém, apesar do aumento esperado de 1% na produção mundial. Estima-se que a colheita da Índia aumente 12%, para 6 milhões de toneladas, enquanto os EUA – o maior exportador mundial – deverão registar uma subida de 9%, para 4,4 milhões de toneladas. No passado mês de fevereiro, o National Cotton Council (NCC) alertou para os potenciais impactos do COVID-19 nas previsões do mercado mundial de algodão para a colheita de 2020.

2H&M aumenta vendas no primeiro trimestre

A H&M registou um aumento nas vendas do primeiro trimestre do ano, apesar do impacto negativo sentido na segunda metade deste período devido ao surto do coronavírus que está a afetar as vendas do grupo. A Europa é a área mais afetada, visto que muitas lojas espalhadas pelo Velho Continente estão temporariamente fechadas. Num comunicado alusivo ao primeiro trimestre, a H&M afirmou que os números provisórios mostram um aumento de 8% das vendas líquidas, para 55 mil milhões de coroas suecas (cerca de 4,96 mil milhões de euros), de 1 de dezembro de 2019 a 29 de fevereiro de 2020. Para o mesmo período, no ano anterior registou-se um valor de 51,02 mil milhões de coroas suecas. Em moeda local, as vendas líquidas aumentaram 5%. A retalhista acrescentou que o desenvolvimento de vendas na segunda metade do trimestre sofreu um impacto negativo causado pelo COVID-19, sendo que a China foi o país mais afetado. De 1 de dezembro de 2019 a 23 de janeiro de 2020, as vendas na China cresceram 27% em moeda local. No entanto, a H&M verificou que a procura diminuiu «significativamente» como resultado da propagação da pandemia, tendo diminuído 24% na totalidade do trimestre. No seu pico, 334 lojas das suas 518 lojas na China fecharam em fevereiro. Excluindo a China, Hong Kong, Singapura, Macau, Japão e Taiwan, as vendas do grupo para o trimestre aumentaram 7%. Na primeira metade do mês de março, as vendas foram afetadas negativamente sobretudo na Europa. «A situação está a mudar muito rápido em todos os países. De acordo com as decisões das autoridades, as lojas em Itália estarão temporariamente fechadas e durante o fim de semana encerram as lojas da Bulgária, Bélgica, França e parcialmente na Grécia. A partir de segunda, as lojas do grupo vão fechar na Áustria, Luxemburgo, Bósnia-Herzegovina, Eslovénia e Cazaquistão», afirmou a retalhista num comunicado publicado a 16 de março, acrescentando que as lojas online continuam abertas e que a situação na China começou a recuperar gradualmente à medida que a situação do país melhorava. A H&M informou que o relatório referente ao período de 1 de dezembro de 2019 a 29 de fevereiro de 2020 será publicado a 3 de abril. A retalhista ressalvou ainda que os números apresentados a 16 de março são provisórios e que, por isso, podem divergir um pouco do próximo relatório. Aneesha Sherman, analista da Bernstein concluiu que o encerramento das lojas H&M afeta quase mil lojas e cerca de 18% das vendas líquidas do grupo. «Assumimos que, à semelhança da China, vai levar mais de um mês para que as lojas reabram significativamente. Em estimativa, o grupo pode estar a perder mais de 2% das vendas anuais. Claramente esta não é a dimensão da descida das vendas. Esperamos que seja anunciado o encerramento de mais lojas em mercados maiores, incluindo os países escandinavos (8% das vendas), Reino Unido (7%), Alemanha (14%) e EUA (13%) no próximo mês. De acordo com a analista, nesses países, as vendas online (16% do total) vão ser mais baixas mas, mesmo assim, positivas, atenuando o impacto das lojas físicas.

3Cotonificio Albini na nuvem

A Cotonificio Albini, produtora italiana de tecidos de camisaria, investiu em novos softwares na cloud (nuvem) para ajudar a digitalizar o controlo dos custos de manutenção, compras e reposição de componentes. Com fábricas em Itália, Egito e na República Checa, a Cotonificio Albini gere um grande portefólio de ativos e selecionou o Infor CloudSuite EAM (gestão de ativos corporativos) para fornecer uma plataforma global e comum para garantir formas de operação mais eficientes e eficazes. Implementado pela parceira italiana da Infor, a Know-How, a empresa utilizará uma série de módulos relacionados com ordens de trabalho por deteção de uma falha, planeamento de pedidos, consumo de materiais disponíveis e atividades de inventário, transferências entre armazéns e autorizações específicas para utilizadores. Foi criado ainda um processo personalizado para as necessidades específicas da empresa têxtil relacionado com os prazos de entrega dos lotes do armazém para a gestão de produtos de laboratório. A implantação da solução vai ser dividida em três fases, iniciando-se no primeiro trimestre de 2020 em Itália, seguindo caminho para as filiais do Egito e da República Checa. «Precisávamos de um sistema que gerisse consistentemente as atividades de manutenção nas nossas fábricas, tanto local como internacionalmente dentro do próprio grupo», esclarece Andrea Albini, diretor técnico da Cotonificio Albini. «A solução da Infor dar-nos-á a possibilidade de juntar as operações e otimizar o trabalho realizado por todos os nossos funcionários, melhorando o seu desempenho», remata.

4Quebra na China afeta exportações globais

O abrandamento da produção na China devido ao surto do COVID-19 pode resultar numa queda de 50 mil milhões de dólares (46,40 mil milhões de euros) nas exportações mundiais. De acordo com a UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento), o Purchasing Managers Index (PMI), um índice de produção crítico da China, caiu cerca de 22 pontos, para 37,5, em fevereiro, o valor mais baixo registado desde 2004. Esta quebra traduz-se numa redução de 2% das exportações numa base anual. «Qualquer desaceleração da produção numa parte do globo terá um efeito de cascata na atividade económica mundial, dadas as cadeias de valor regionais e globais», explica o secretário-geral da UNCTAD, Mukhisa Kituyi. Embora a propagação do coronavírus represente, acima de tudo, uma emergência de saúde pública, a organização realça também a ameaça económica significativa. Um cenário preliminar negativo aponta para um défice na receita global de 2 biliões de dólares, com um impacto de 220 mil milhões de dólares nos países em desenvolvimento (excluindo a China). As economias mais afetadas neste panorama serão os países exportadores de petróleo, mas também os exportadores de commodities, bem como aqueles que apresentam fortes vínculos comerciais às economias inicialmente impactadas, revela a UNCTAD. A agência de comércio e desenvolvimento acredita que o choque do COVID-19 vai originar uma recessão nalguns países e uma depressão no crescimento anual de 2020 para menos de 2,5%, o limiar de recessão da economia mundial. A combinação da deflação do preço de ativos, do enfraquecimento da procura agregada, do aumento da pressão da dívida e da deterioração da distribuição dos rendimentos serão fatores que contribuirão para esse efeito. «Em setembro estávamos a estudar o futuro à procura de possíveis choques dadas as fragilidades financeiras por solucionar desde a crise de 2008 e a persistente fraca procura», destaca Richard Kozul-Wright, diretor de globalização e de estratégias de desenvolvimento da UNCTAD. «Ninguém previa isto», acrescenta. A dívida agregada pública e privada em muitos países em desenvolvimento já começou a registar elevados níveis de pressão. «Os países em desenvolvimento enfrentam uma série de vulnerabilidades financeiras e de dívida que se aprofundam rapidamente e que não são um bom presságio para a sua capacidade de suportarem choques externos», afirma Kozul-Wright. A China tornou-se igualmente uma fonte crucial de empréstimos de longo prazo para os países em desenvolvimento e se as suas condições de empréstimo se tornarem mais rígidas, aqueles que estabeleceram uma ligação financeira mais forte com o país podem estar entre os mais lentos a recuperarem do impacto económico da crise do COVID-19.

5Primark consegue certificado vegan

A Primark tornou-se a primeira empresa do mundo a receber o certificado vegan do grupo alemão de certificação TÜV Rheinland para produtos de moda. Esta certificação é considera a primeira etiqueta que não só declara um produto como vegan como assegura que o mesmo foi testado e inspecionado por uma terceira entidade independente. O certificado comprovou que a Primark oferece um produto isento de materiais que tenham compostos animais como a seda, lã, couro, penas, pelos ou peles exóticas. A TÜV Rheinland verifica ainda se os processos químicos implicados nos produtos são realmente livres de qualquer substância de origem animal. Os testes são baseados em requisitos legais de rotulagem para a indústria têxtil e de calçado e também numa lista de produtos. Todos os materiais são verificados em análise microscópica, análises de fibra ou outros métodos apropriados. Os fornecedores de substâncias químicas devem fornecer uma declaração em conformidade a afirmar que os produtos são produzidos sem qualquer matéria-prima de origem animal. O certificado será válido durante um ano depois dos testes, da revisão de documentos e inspeção à fábrica pelos auditores da TÜV Rheinland. A retalhista de fast fashion recebeu esta certificação tanto para o vestuário como para o calçado e para as bolsas. Atualmente, o veganismo não está só presente na alimentação, mas também em todas as opções de compra para os praticantes deste estilo de vida. Em fevereiro, o British Retail Consortium (BRC) criou novas diretrizes para ajudar as marcas e retalhistas no contacto que estabelecem com os fornecedores, de modo a perceberem se os produtos que vão adquirir são efetivamente vegan. A Topshop e a Asos são outros exemplos de retalhistas que lançaram coleções de vestuário e calçado vegan.

6GOTS com maior taxa de crescimento

O número de instalações certificadas para o Global Organic Textile Standard (GOTS) aumentou 35% em 2019 comparativamente com o ano anterior. O GOTS inclui tanto critérios sociais como ambientais, desde o pós-colheita às prateleiras das lojas, abordando várias fases do processamento (descaroçamento, fiação, tricotagem, tecelagem, tingimento e confeção) de vestuário e têxteis-lar feitos com fibras orgânicas certificadas, como algodão e lã orgânicos. Em 2019, o número de instalações certificadas a nível lobal aumentou de 5.760 para 7.765. A taxa de crescimento é a mais alta registada pelo GOTS, com mais de três milhões de colaboradores a trabalhar em instalações com este certificado em 2019. As instalações certificadas estão espalhadas por 70 países, sendo que o maior impulso se verificou tanto nas regiões consumidoras como nas produtoras. Juntamente com os Países Baixos, o Bangladesh registou a maior percentagem em certificação, uma vez que o crescimento foi de 73%. Em Espanha o aumento foi de 71% e na Turquia foi de 65%. Em números absolutos, o número total de instalações certificadas foi de mais 505 no Bangladesh, mais 438 na Índia e mais 396 na Europa. Relativamente ao número total de instalações com o certificado GOTS, a Índia ocupa o primeiro lugar (2.411), seguindo-se o Bangladesh (1.194), a Turquia (858), Alemanha (656), China (448), Itália (444), Portugal (331), Paquistão (276), EUA (147) e Reino Unido (75). «O crescimento enorme mostra que o GOTS serve como uma solução sustentável de fibras orgânicas certificadas para o produto acabado. Com mais produtos e operações certificadas contribuímos substancialmente para o desenvolvimento sustentável», afirma Claudia Kerston, diretora geral do GOTS. O ano de 2019 foi também um período de revisão do GOTS, visto que a versão 6.0 GOTS será lançada na primavera de 2020.