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  1. OMC prevê forte declínio no comércio global
  2. Chargeurs combate COVID-19 com produção em massa
  3. H&M assegura pagamento dos pedidos cancelados
  4. ITV vietnamita perde milhões com novo coronavírus
  5. Amazon bloqueia bens não essenciais
  6. Indústria de artigos desportivos pede apoio financeiro à UE

1OMC prevê forte declínio no comércio global

A Organização Mundial do Comércio (OMC) prevê uma queda «muito acentuada» do comércio global na sequência da pandemia de COVID-19, que está a ter um «impacto enorme» na economia e nos postos de trabalho. «As projeções recentes indicam uma desaceleração económica e perdas de empregos piores do as que as da crise financeira global vivida há 12 anos», afirma Roberto Azevêdo, diretor-geral da OMC. «Dentro de algumas semanas, a OMC vai divulgar as previsões de comércio regulares. Os nossos economistas ainda estão a tratar dos números, mas antecipam uma baixa muito acentuada do comércio», revela. Azevêdo considera que a transparência e a partilha de informação vão ser uma parte critica da resposta à crise, assim como os pacotes de estímulo fiscal e monetário introduzidos pelos Governos. Recentemente, o Governo da Índia anunciou um pacote de estímulo económico no valor de cerca de 20,6 mil milhões de euros. «Nenhum país é autossuficiente por mais poderoso e desenvolvido que seja. O comércio permite a produção e o fornecimento eficiente de bens e serviços básicos, equipamentos médicos, alimentos e energia… Manter o comércio e o investimento a fluir é necessário para manter as prateleiras cheias e preços acessíveis», destaca. «Quando a crise de saúde começar a diminuir, o comércio vai permitir que os países cresçam, conferindo uma recuperação mais rápida e mais forte para todos nós». Neste sentido, a OMC criou uma página de informação para o comércio, que inclui notícias e projeções para o comércio de bens e serviços, além de notificações das medidas comerciais associadas ao novo coronavírus com atualizações das atividades da organização. Os líderes do grupo G20 juntaram-se recentemente para uma reunião extraordinária por vídeo para debater a pandemia global e acordaram a necessidade de uma ação conjunta para impulsionar a economia global. Nas declarações proferidas, os membros comprometeram-se a apoiar em «grande escala» e adiantaram ainda que vão solicitar aos ministros das Finanças e aos governadores do Banco Central que desenvolvam um plano de ação G20 como resposta ao COVID-19 com organizações internacionais para providenciar a assistência financeira internacional apropriada.

2Chargeurs combate COVID-19 com produção em massa

A produtora de tecidos de origem francesa está a focar-se na produção de máscaras e de gel desinfetante industriais para ajudar a combater a pandemia de COVID-19 e, consequentemente, solucionar a falta de equipamento de proteção individual (EPI). O grupo afirma ser capaz de produzir quantidades industriais do gel hidra alcoólico de acordo com as recomendações da OMS, assim como máscaras, especialmente máscaras cirúrgicas. O gel será produzido nas instalações do grupo, na Normandia, com produção direcionada, dependendo do acesso às matérias primas, de cinco toneladas por semana. Outro objetivo é fazer mais de um milhão de máscaras por semana. Os laboratórios de inovação têxtil da Chargeurs em França, Ásia e EUA vão ainda desenvolver novos protótipos de máscaras que podem ser produzidas em massa para atender às necessidades atuais de saúde e segurança. Neste âmbito, o laboratório Senfa Technologies na Alsácia está a estudar os têxteis funcionais. Vários atores do sector tomaram medidas para gerir a falta de EPI provocada pelo novo coronavírus. Exemplo disso, é a H&M que mobilizou a cadeia de aprovisionamento para produzir EPIs a serem entregue nos hospitais e utilizados pelos profissionais da saúde. Nos EUA, uma coligação de empresas têxteis e de vestuário uniram esforços para formar uma cadeia de aprovisionamento para aumentar a produção de máscaras. A Huntsman Corporation, fabricante de produtos químicos, vai começar a produzir soluções hidra alcoólicas para desinfetantes nas suas instalações na Suíça. Já as marcas de luxo Balenciaga e Yves Saint Laurent, pertencentes ao grupo Kering, estão a preparar-se para fabricar máscaras cirúrgicas. A Nike, por sua vez, está focada nos EPIs destinados a médicos e enfermeiros.

3H&M assegura pagamento dos pedidos cancelados

A retalhista de moda sueca anunciou que vai assumir os custos de produção e receber as encomendas já fabricadas. O mesmo está garantido para os pedidos que se encontram em execução. O grupo H&M é um dos primeiros e únicos retalhistas a concordar com o pagamento dos fornecedores, mesmo após cancelamento de encomendas. Deste modo, um porta-voz da empresa assegurou que a H&M não está a cancelar pedidos que já estejam em produção. «A rápida disseminação do COVID-19 causou uma situação excecional em todo o mundo para as pessoas, empresas e comunidades. Agora estamos a trabalhar extensivamente nas funções de negócio para gerir a situação da melhor maneira possível, numa perspetiva ambiental, de negócios e para as pessoas», explica. Como consequência da redução da procura global, o grupo está a rever todas as componentes de negócio. «Nesta situação extrema é necessário interromper temporariamente novas encomendas e avaliar possíveis alterações nos pedidos feitos recentemente. Vamos manter os nossos compromissos com os fornecedores fabricantes de vestuário com peças já confecionadas e que estejam em produção. É claro que vamos pagar por esses produtos e vamos fazê-lo seguindo as condições de pagamento acordadas», revela o porta-voz da H&M. Na semana passada, o Bangladesh fabricou milhares de encomendas para manter a produção durante o período de confinamento de 10 dias, em vigor desde 26 de março. Contudo, o bloqueio parcial chega a quase mil fábricas com cerca de 1,96 milhões de trabalhadores que reportaram aproximadamente 2,5 mil milhões de euros em pedidos cancelados ou suspensos de retalhistas e marcas que estão a enfrentar uma queda nas vendas com o encerramento das lojas, segundo informações da Associação de Produtores e Exportadores de Vestuário do Bangladesh (BGMEA). A presidente da BGMEA apelou às marcas internacionais de vestuário para que estas não atrasem os envios ou cancelem os pedidos, alertando que ao fazê-lo podem estar a impedir que as fábricas paguem aos trabalhadores, o que provocará instabilidade social em todo o país.

4ITV vietnamita perde milhões com novo coronavírus

A indústria têxtil e vestuário do Vietname pode sofrer perdas de aproximadamente 427 milhões de euros causadas pelo novo coronavírus, de acordo com um dos principais grupos têxteis do país. O Vinatex referiu que o COVID-19 continua a ter impacto no sector, com o atraso e o cancelamento de pedidos de expedição, o que vai gerar perdas de postos de trabalho dentro de dois meses. Depois de uma atualização numa reunião de emergência com todas as entidades e agências de gestão, o grupo revelou a probabilidade de muitas empresas perderam a liquidez até ao final de abril, caso não se implementem medidas políticas. O Vinatex prevê uma queda de quase 193 milhões de euros no sector se 30% dos trabalhadores perderam o emprego em abril e 50% em maio. Se a situação se mantiver, as perdas vão ser de 116 milhões de euros por mês. O grupo explicou ainda que o sector importa quase 1,4 mil milhões de euros em materiais por mês e que se 20% forem cancelados, significa que cerca de 274 milhões de euros em matérias-primas não vão ser utilizadas e vão contribuir para o excesso de stock. Só para o Vintex representa uma perda de aproximadamente 22 milhões de euros. No caso do novo coronavírus se extinguir no final do mês de maio, com recuperação do sector em junho, a previsão de perdas do grupo têxtil vietnamita é de cerca de 426 mil milhões de euros para a ITV e de cerca de 39 milhões de euros para a própria empresa.

5Amazon bloqueia bens não essenciais

Os fornecedores de vestuário que vendem a partir da plataforma online Amazon vão ter as encomendas temporariamente bloqueadas, uma vez que o grupo está a garantir espaço nos armazéns para artigos considerados como bens essenciais durante o surto de coronavírus. Deste modo, a Amazon está a impedir os vendedores de enviarem produtos que não sejam essenciais para os armazéns da União Europeia e dos EUA até 5 de abril. Entre as prioridades encontram-se produtos para bebés, artigos domésticos e de saúde, beleza e cuidados pessoais, mantimentos, produtos científicos e industriais e ainda produtos para animais de estimação. «Estamos a registar um aumento nas compras online e, como resultado, alguns produtos médicos e domésticos estão sem stock. A pensar nisso, estamos temporariamente a priorizar os produtos médicos, domésticos e outros artigos com grande procura a entrarem nos nossos armazéns para que possamos receber, reabastecer e enviar estes produtos para os clientes rapidamente. Para as outras categorias de produtos, estamos a desativar temporariamente os envios, adotando uma abordagem semelhante com os fornecedores de retalho», indica a plataforma. «Entendemos que isso é uma mudança para os nossos parceiros de vendas e agradecemos a sua compreensão», acrescenta. A pandemia COVID-19 causou grandes perturbações na indústria de vestuário em todo o mundo e provocou o encerramento de várias lojas, bem como o cancelamento de pedidos de encomendas.

6Indústria de artigos desportivos pede apoio financeiro à UE

A indústria de equipamentos desportivos solicitou à União Europeia e aos respetivos Estados-membros apoios de liquidez «rápidos e ousados» ao sector para ajudar a atenuar o impacto da pandemia COVID-19. O sector de artigos desportivos, que emprega cerca de 700 mil pessoas em toda a Europa, está entre as áreas económicas severamente afetadas pelo novo coronavírus. De acordo com a Federation of the European Sporting Goods Industry (FESI), 80% das empresas em França registaram uma queda de faturação na ordem dos 14%. Foram ainda verificadas grandes dificuldades nas previsões de aprovisionamento, no fluxo de caixa, rendas e pouco tempo de trabalho para os colaboradores do sector. As pequenas e médias empresas, que representam quase 75% dos membros FESI, estão entre as mais afetadas, segundo informações presentes no documento. Por consequência, a Federation of the European Sporting Goods Industry está a requerer liquidez junto da União Europeia e dos Estados-membros para apoiar as empresas que enfrentam graves perturbações e problemas económicos, especialmente as pequenas e médias empresas. É requerido também a implementação de medidas que incluam o adiamento de taxas e impostos, da renda e ainda garantias públicas para ajudar as empresas com empréstimos, garantias de exportação e a renúncia a multas por atraso nos contratos públicos. «A FESI congratula-se vivamente com as recentes respostas da política económica da UE adotadas pelas instituições europeias», garante. A chamada “Iniciativa de investimento em resposta ao coronavírus”, proposta pela Comissão Europeia, vai disponibilizar aproximadamente 36, 7 mil milhões de euros em fundos de coesão aos Estados-membros para enfrentar as consequências da crise. Cerca de oito biliões de euros em liquidez do investimento serão dispensados do pré-financiamento não gasto em 2019 para programas do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, Fundo Social Europeu, Fundo de Coesão e do Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e das Pescas. A medida também vai dar acesso a 29 biliões de euros do financiamento estrutural de toda a União Europeia para 2020. As ações tomadas estão já disponíveis e vão ajudar as pequenas e médias empresas a aliviar os défices de liquidez resultantes da pandemia. Os Estados-membros vão ter maior flexibilidade para transferir fundos entre os programas para ajudar os casos mais afetados pelo novo coronavírus.