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  1. ITV europeia precisa de uma estratégia de recuperação
  2. Lacoste destina produção ao combate do Covid-19
  3. Índia pede «comércio com compaixão» para o sector têxtil
  4. Vendas online de vestuário no Reino Unido em queda
  5. Oeko-Tex facilita renovação de certificações
  6. Peta compra mais ações para proibir uso de pele animal

1ITV europeia precisa de uma estratégia de recuperação

A Confederação Europeia do Têxtil e Vestuário (Euratex) apelou à Comissão Europeia para implementar novas medidas que ajudem a indústria têxtil e vestuário a recuperar da pandemia do novo coronavírus, depois de um novo relatório ter indicado que uma em cada quatro empresas considera fechar portas. Através de uma videoconferência, Alberto Paccanelli, presidente da Euratex, explicou ao comissário Thierry Breton que novo estudo mostrou que 60% das empresas do sector estimam uma queda nas vendas para metade, enquanto 30% preveem uma redução de vendas até 80%. A pesquisa revelou ainda que cerca de 70% das empresas estão com graves contrações financeiras e 80% da amostra estudada reduziu temporariamente a mão de obra. A Euratex sublinhou ainda que as empresas estão a reportar vários problemas nas respetivas cadeias de aprovisionamento, como é o caso dos artigos de verão cancelados e o possível encerramento de uma em cada quatro empresas. «Pedi ao comissário que criasse algumas medidas, a curto e longo prazo, para relançar a economia e manter a cooperação próxima com os representantes da indústria», afirmou Paccanelli. As medidas para aplicar no curto prazo abrangem o acesso a liquidez, reabertura das lojas o mais rápido possível para incitar a procura, de modo a garantir o bom funcionamento do mercado interno e evitar disrupções nos mercados de exportação. A Euratex apelou também para que a Comissão Europeia não «acrescentasse qualquer fardo nestes tempos difíceis». Já as medidas no longo prazo sugerem que é necessário implementar uma estratégia para apoiar o relançamento da indústria e melhorar a competitividade global. «As cadeias de aprovisionamento críticas devem ser levadas de volta à Europa e precisamos de assegurar condições equilibradas no mercado global, nomeadamente nos artigos importados. Inovação, digitalização e uma economia ambiental continuam a ser os objetivos da indústria, mas precisam de ser revistos face ao programa de recuperação para o sector», apontou.

2Lacoste destina produção ao combate do Covid-19

A marca francesa anunciou ter atingido um marco de produção de 100 mil máscaras para ajudar a travar a propagação do novo coronavírus. Em comunicado, a Lacoste destaca um agradecimento a todos os funcionários voluntários que trabalharam para o bem comum de proteger vidas. Com o objetivo de intensificar a produção, em França, a próxima meta é de 200 mil máscaras. Deste modo, a insígnia continua a mobilizar-se em todo o mundo. Exemplo disso é a fábrica na Argentina e o Eren Holding, parceiro turco da marca, que continuam a adaptar a produção a artigos como máscaras e batas médicas. A Lacoste assegurou que vai manter a produção de máscaras mesmo depois de abril e prolongá-la enquanto a situação de pandemia se verificar. Em Troyes, na França, a marca vai dedicar duas linhas de produção para confecionar equipamentos de proteção essenciais, que permitam o regresso à vida “normal”.

3Índia pede «comércio com compaixão» para o sector têxtil

A ministro do sector têxtil da Índia e o organismo de exportação de vestuário do país tornaram-se os últimos a pedir aos compradores de vestuário a nível global para fazer «comércio com compaixão» e não cancelar os pedidos. Numa mensagem de vídeo, Smriti Zubin Irani, ministra têxtil do Governo indiano, apelou, em nome do Apparel Export Promotion Council (AEPC) da Índia, para que as marcas e retalhistas apoiassem a fraternidade de exportação do país. «A Índia sempre acreditou na filosofia de que o mundo é uma família. E em nenhum momento esse conceito foi testado ou considerado como verdadeiro. Agora o mundo está a ser mergulhado no coronavírus e a nossa luta contra ele será um testemunho para a humanidade», afirmou Smriti Zubin Irani. «Hoje apelo às lojas compradoras, aos compradores da indústria têxtil e vestuário indiana. Durante anos usufruíram da produção da nossa indústria têxtil. Recentemente, o nosso primeiro-ministro anunciou medidas para proteger os direitos e os salários dos trabalhadores. Hoje, eu apelo-vos, fiquem unidos. Vamos mostrar ao mundo que podemos comercializar com compaixão. Não cancelem uma única encomenda que já tenha sido feita. Os planos de entrega podem ser reformulados. Os prazos de pagamento podem ser alargados. Se decidirmos trabalhar em conjunto, volto a apelar para não cancelarem pedidos, vamos dar ao mundo um exemplo de que podemos fazer comércio com compaixão», discursou face à situação de pedidos cancelados por várias retalhistas e pelo atraso de pagamentos resultante do fecho das lojas como medida preventiva para impedir a disseminação do vírus. A New Look revelou recentemente que interrompeu os pagamentos aos fornecedores, bem como novas encomendas. Um especialista em envolvimento dos fornecedores de retalho da Solutions for Retail Brands (S4RB) considera que esta mudança na relação poder causar «danos irreparáveis à cadeia de aprovisionamento da New Look» e, consequentemente, levar anos a colmatar as relações de mercado com os consumidores, caso ainda existam. Antes disto, a Primark foi alvo de muitas críticas por ter cancelado todos os pedidos, depois do encerramento de todas as lojas da cadeia a 22 de março, mas a retalhista criou um fundo para assegurar o pagamento das encomendas interrompidas, de modo a garantir os salários dos trabalhadores do Bangladesh, Camboja, Índia, Mianmar, Paquistão, Sri Lanka e Vietnam. Recentemente, nove representantes das seis principais cadeias de países fornecedores de vestuário fizeram um apelo conjunto às marcas e retalhistas para que tivessem em conta os impactos das decisões de compra nos trabalhadores e nos pequenos negócios das respetivas cadeias de aprovisionamento. Vários representantes do Camboja, Vietnam, Paquistão, China, Mianmar e Bangladesh uniram-se para combater estas alterações de compras, uma vez que são vítimas de pressão por parte dos compradores globais para cancelar pedidos em curso ou adiar pagamentos. Um porta-voz da coligação de vestuário da Índia adiantou ao just-style que as medidas «inesperadas e repentinas» de algumas marcas originaram «questões de grande preocupação». «Infelizmente, esta ação imoral que começou com uma entidade está agora a ser seguida por outras. Os exportadores indianos não sabem bem como reagir a esta situação, com quem comunicar ou com quem discutir as consequências futuras nos seus negócios, na mão de obra e no futuro em geral», refere. O porta-voz afiançou ainda que cerca de 30 fábricas com um número de trabalhadores compreendido entre os 40 e os 50 mil, dos quais 80% são do género feminino, vão sofrer impacto direto causado pelo cancelamento de pedidos.

4Vendas online de vestuário no Reino Unido em queda

O bloqueio imposto pelo Governo do Reino Unido fez com as vendas online de vestuário entrassem em queda, de acordo com um novo estudo da IMRG Capgemini Online Retail Index que acompanha a performance online de mais de 200 retalhistas. Durante março, o primeiro mês em que o Reino Unido entrou em suspensão da atividade, as vendas de vestuário online registaram uma queda de 23,1%, especialmente no segmento masculino, com uma baixa de 42,9%, e no calçado, com um declínio de 32,8%. Contudo, o clima mais quente fez com que as vendas online de artigos de jardinagem aumentassem, bem como os dispositivos elétricos, depois do Governo ter dado indicações no início de março para o confinamento doméstico, o que fez com que vários consumidores quisessem passar o período de quarentena equipados. Numa perspetiva geral, o crescimento das vendas online referentes a março abrandou 5,1% comparativamente ao ano anterior. Pelo contrário, à medida que as pessoas são cada vez mais obrigadas a recorrer à esfera digital, as retalhistas multicanais superaram as concorrentes na vertente online pela primeira vez desde abril de 2019, com um crescimento de -4% comparativamente com os -5,5%. «O desempenho das vendas online neste mês é uma história confusa, visto que os retalhistas enfrentam uma grande variedade de desafios», afirma Lucy Gibbs, diretora de consultoria da Capgemini. «As lojas de bens não essenciais fecharam portas nas ruas, o que fez com as retalhistas multicanais impulsionassem o desempenho online na segunda metade do mês, com a procura dos consumidores focada no digital. No entanto, as mudanças na procura e nas necessidades dos consumidores também criaram impactou em diferentes categorias de produtos, onde a vontade de comprar moda caiu significativamente face a segmentos como a casa, jardim e eletrodomésticos, cuja procura subiu à medida que passamos mais tempo em casa», explica. «No próximo mês, é provável que vejamos um aumento contínuo na procura online, mas nunca foi tão importante ouvir as necessidades dos consumidores para corresponder aos novos padrões de gastos e comunicarmo-nos de uma maneira que responda às preocupações e às necessidades dos clientes ao usar dados que nos informem dos próximos passos à medida que passamos pelas alterações», admite. «Existe um mito a correr por aí de que as vendas online estão a crescer. É mais correto dizer que algumas retalhistas online estão a experienciar uma procura enorme, ultrapassando o panorama visto na Black Friday, porque muitas pessoas estão na mesma situação, ou seja, fechadas em casa, o que criou uma procura desequilibrada entre as categorias de produtos», indica Andy Mulcahy, diretor de estratégia da IMRG. «As pessoas simplesmente não têm muita necessidade de novo vestuário e calçado de momento e é por isso que, de uma forma geral, o crescimento de vendas desceu. Como e quando se vai estabelecer uma procura equilibrada é uma questão urgente para os retalhistas do mercado, que estão atualmente no lado errado da barreia», acrescenta.

5Oeko-Tex facilita renovação de certificações

A Oeko-Tex Association está a adaptar os respetivos processos de renovação de certificações para estes tempos de pandemia, uma iniciativa que tem como objetivo acalmar as preocupações das empresas produtoras. A associação afirma que as renovações e as novas aplicações devem continuar a ser efetuadas ao máximo, uma vez que os processos produtivos dos retalhistas não devem ser interrompidos. A renovação das certificações Eco Passport, Step, Leather Standard e Standard 100 continua a ser possível para as empresas que já estiverem previamente certificadas. Atualmente, a certificação está a ser tratada por entidades competentes que não exigem qualquer submissão de amostras. As certificações têm de ser submetidas pelo proprietário da certificação nos próximos três meses e serão posteriormente confirmados pelas entidades responsáveis localmente. A validade das certificações expira três meses depois da data original de vencimento.

6Peta compra mais ações para proibir uso de pele animal

A organização dos direitos dos animais comprou ações de quase duas dezenas de empresas, incluindo a Ralph Lauren e a Urban Outfitters, em prol de uma iniciativa que pretende fazer com que estas marcas proíbam o uso de lã, mohair e caxemira em vestuário. A iniciativa foi tomada quando o mercado de ações sofreu uma recessão causada pelo novo coronavírus, revela a Peta em comunicado. «Os consumidores da atualidade querem apoiar empresas que partilhem os seus valores e que vendam apenas casacos e camisolas vegan elegantes e confortáveis», afirma Elisa Allen, diretora da organização. «A Peta US está a fazer parte do conselho para pressionar as retalhistas Ralph Lauren e Urban Outfitters a não vender artigos para os quais os animais sofrerem e morreram», explica. A Peta, cujo mote é «os animais não são nossos para vestir», compra frequentemente o número mínimo necessários de ações de uma determinada empresa para ter o direito de participar nas reuniões anuais e influenciar as respetivas decisões. A Burberry, Guess, Deckers, Outdoor Corp (a empresa-mãe da Ugg), Tapestry (empresa-mãe da Coach NY, Kate Spade e Stuart Weitzman), Land’s End, Capri Holdings (empresa que controla a Michael Kors e a Versace) e Qurate Retail Group (empresa que controla a QVC e a HSN) são alguns dos nomes mais recentes que constam no portefólio da organização. A nível global, são várias as marcas que impendem o uso de peles de animais nas coleções. Exemplo disso é a Karl Lagerfeld, que baniu o uso de peles, juntando-se assim, a marcas que se regem por esta política, como a Jean-Paul Gaultier, Gucci, Versace, Michael Kors, DKNY, Donna Karan e Jimmy Choo.