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Breves

  1. O segredo do sucesso de uma coleção de tecidos online
  2. Produtores de algodão dos EUA recebem ajuda financeira
  3. Casos de Covid-19 confirmados em visons
  4. Rastreador digital expõe marcas que não cumprem pagamentos
  5. É «crucial» alinhar a indústria de denim
  6. Allbirds rotula pegada de carbono nos sapatos

1O segredo do sucesso de uma coleção de tecidos online

Os produtores de tecido vão precisar de reposicionar as respetivas coleções com o uso de menos materiais, para envolver os compradores, depois que a chegada no novo coronavírus que os obrigou a mostrar as coleções de forma diferente. Num fórum online da Kingspins24, cujo evento físico em Amsterdão foi cancelado devido ao Covid-19, uma empresa especialista em denim revelou que a maior parte das reuniões com clientes está a acontecer via online. Maurizio Baldi, designer têxtil da Diamond Denim, contou que as coleções da produtora de denim, que tradicionalmente abarcavam 60 a 70 tecidos, estão com um máximo de 30 a 40 propostas, sendo que objetivo é conseguir situarem-se entre 10 a 15. Baldi reforçou que no ambiental atual, no qual implica o envio de amostras de tecidos para o cliente em vez de serem apresentada pessoalmente, o que está a ser enviado precisa de ter uma «mensagem muito clara». «A mensagem da coleção na encomenda tem de ser extremamente clara e a coleção tem de ser muito pequena, talvez 20 referências», exemplificou. Bart Van de Woestyne, diretor criativo da Prosperity Textile partilha a mesma opinião. Ainda que a empresa estivesse «no caminho certo» para ter 40 a 60 tecidos numa coleção, dada a probabilidade de apresentações online, a coleção terá de ser reduzida para metade e incluir somente os «conceitos mais especiais». Por sua vez, Hamit Yenici, CEO da Hich Solutions, explicou que a maior parte das coleções das produtoras de tecidos deve ser limitada a 80 referências porque, de outra forma, «perde-se a concentração do cliente». O CEO acredita que no futuro será ainda mais importante reduzir o tamanho das coleções e focar nas peças principais porque os compradores não vão poder tocar nos tecidos. «Penso que ter três ou quatro peças realmente fortes na coleção é muito mais importante do que ter uma coleção vasta. Como vamos fazer sobretudo apresentações à distância, os efeitos visuais são muito mais importantes e o conceito é a chave. Conseguirmos convencer os consumidores com uma boa estratégia, mesmo que seja online, é a chave para o sucesso futuro. Uma boa narrativa deve ser mais importante do que pedir que vejam e toquem no produto», resumiu Yeneci. Apesar de tudo, os três executivos concordaram que, no futuro, a sustentabilidade vai continuar a ser um tema fundamental na indústria de denim. «A sustentabilidade e como estás a afetar a Mãe Natureza são realmente fundamentais, especialmente depois deste vírus. As pessoas agora estão mais preocupadas do que nunca com o impacto que causam no meio ambiente. Em vez de falarmos de sustentabilidade temos de agir. Esta será uma consideração crucial para a próxima estação», antecipa.

2Produtores de algodão dos EUA recebem ajuda financeira

O Governo de Trump estabeleceu os detalhes de um pacote de ajuda de 19 mil milhões de dólares (17,5 mil milhões de euros) para apoiar os agricultores, incluindo os produtores de algodão, a sobreviver à crise de Covid-19. O plano do Ministério da Agricultura dos EUA, conhecido como Coronavirus Food Assistance Program (CFAP), «não só vai conferir um alívio imediato aos agricultores, como também vai permitir que a compra e distribuição da nossa abundância agrícola ajude os nossos concidadãos americanos que mais precisam», aponta Sonny Perdue, secretário norte-americano da Agricultura . O programa vai recorrer a financiamento da Coronavirus Aid, Relief, and Economic Security Act (CARES) e da Families First Coronavirus Response Act (FFCRA) e outras entidades do Ministério da Agricultura dos EUA e consiste em duas medidas principais. A primeira é de 16 mil milhões de dólares em pagamentos diretos aos agricultores, com base nas perdas atuais para os produtores agrícolas, onde os preços e as cadeias de aprovisionamento do mercado têm sido afetadas pela pandemia. O fundo vai ajudar os produtores com ajustamentos suplementares e custos de marketing resultantes da queda da procura e excesso de oferta a curto prazo para o marketing de 2020 causadas pelo novo coronavírus. A segunda vai dispensar 3 mil milhões de dólares para a compra de produtos frescos, laticínios e carne, que vão ser distribuídos por trabalhadores afetados pelo encerramento de restaurantes, hotéis e outros serviços de alimentação devido à crise de Covid-19. Ainda que não tenham sido revelados mais detalhes sobre elegibilidade, taxas e outras implementações ainda não divulgadas, a American Farm Bureau Federation cita relatórios que sugerem que estão previstos 16 mil milhões de dólares para pagamentos diretos aos produtores, com 3,9 mil milhões de dólares destinados aos produtores de culturas como a de algodão. Contudo, restam ainda dúvidas sobres os preços que serão aplicados para o cálculo de pagamento dos produtos. O Coronavirus Food Assistance Program (CFAP) foi anunciado logo depois de um grupo de 21 senadores do Cotton Belt terem escrito uma carta a Sonny Perdue para chamar a atenção para «este sector crítico». A indústria de algodão dos EUA tem sido particularmente afetada durante a pandemia, que fez com que procura diminuísse. «Desde o início de 2020, os preços futuros do algodão tiveram um declínio de 30%. À medida que as lojas de retalho encerraram em todo o mundo, os pedidos das fábricas têxteis baixaram 90% no último mês. Os comerciantes e distribuidores de algodão também estão a enfrentar custos adicionais de armazém, juros e outros custos de transporte, já que a procura a nível mundial está significativamente reduzida», referem na missiva. «A semente de algodão, a maio parte usada como ração para gado, está numa situação delicada, pois os seus principais clientes – os criadores de gado – também estão a registar graves perdas económicas provocadas pela crise sanitária», acrescentam. Os analistas da Moody’s Investors Service consideram que a ajuda direta aos agricultores e pecuários dos EUA vai amenizar «o impacto da procura fraca e dos preços baixos para muitos produtos agrícolas».

3Casos de Covid-19 confirmados em visons

Um grupo de direitos dos animais pediu urgência na proibição de explorações de produção de peles de animais depois de visons em duas quintas holandesas terem sido confirmados com Covid-19. Num comunicado emitido no último fim de semana, o Ministério da Agricultura dos Países Baixos revelou que essas duas explorações de visons, em Gemert-Bakel e Laarbeek, detetaram casos positivos de Covid-19 em diferentes animais. Os visons apresentam vários sintomas como problemas respiratórios e a investigação para determinar a fonte de contágio está já em curso. A organização de proteção animal Humane Society International, que defende o fim do comércio mundial de peles alertou para o facto da pecuária industrial ter dezenas de milhões de visons, raposas, guaxinins, chinchilas e coelhos em «condições degradadas» em países de todo o mundo, que representam um risco desnecessário e inaceitável para a saúde humana e animal. O Ministério acredita que os visons afetados são um risco «negligenciável» para a saúde humana. A exploração de novas quintas de criação de visons está proibida nos Países Baixos desde 2013 e as que continuam ativas têm até 2024 para fecharem portas. «As produtoras industriais de peles são criadoras de doenças infeciosas, confinando milhares de animais selvagens em condições mórbidas, stressantes e lotadas, com poucos cuidados veterinários», afirma Claire Bass, diretora-executiva da Humane Society International, que lidera a campanha “FurFreeBritain”, para a proibição de vendas de peles no Reino Unido. «Além do sofrimento dos animas, que é inevitável no comércio de peles, o potencial de propagação de doenças zoonóticas é outra razão convincente para as empresas de moda se tornarem livres de peles e para os Governos tomarem medidas para acabar com este comércio sujo. Uma das lições que devemos aprender com o Covid-19 é que não podemos continuar a levar os animais ao limite da sua resistência sem sérias consequências tanto para a saúde animal como para a saúde humana», sublinha. A organização está a incitar os Países Baixos e outras nações a eliminarem a exploração de peles e a acelerar o encerramento deste sector. O objetivo é que outros países sigam os mesmo passos e implementem também estas proibições, incluindo a China e a Finlândia. A Humane Society International cita um relatório de 2016, divulgado pela Chinese Academy of Engineering, que afirma que 75% do comércio de animais selvagens na China é dominado pela produção de peles. Peles de animais como guaxinins, raposas e visons são muito comuns nos mercados chineses, o foco de aparecimento do Covid-19. A exploração de peles é proibida em todo o Reino Unido desde 2003 e está ou vai ser banida na Áustria, República Checa, Croácia, Eslovénia, Países Baixos, Luxemburgo, Eslováquia, Irlanda e Bulgária. No entanto, é uma atividade que se mantém em países como a Dinamarca, Finlândia e Polónia, que são os maiores países produtores de peles. Em 2019, a Califórnia tornou-se o primeiro estado dos EUA a banir a venda de peles, assim como a implementar medidas de proibição noutras cidades, como é o caso de Los Angels, São Francisco, Berkeley e West Hollywood. Em 2020, Havai e Rhode Island introduziram políticas de proibição de comércio de peles em cidades como Minnesota e Massachusetts. A campanha “FurFreeBritain” pretende que o Reino unido se torne o primeiro país do mundo a eliminar a vendas de peles. São vários os designers e retalhistas que têm vindo a aderir a esta causa. Nos últimos anos, Prada, Gucci, Armani, Versace, Michael Kors, Jimmy Choo, DKNY, Burberry, Chanel, Macy’s, Bloomingdale’s e outras marcas de elevado perfil adotaram medidas contra o comércio de peles. Também as retalhistas de moda online Net-A-Porter e Farfetch disseram não ao uso de peles.

4Rastreador digital expõe marcas que não cumprem pagamentos

Um novo rastreador nomeia e revela as marcas e retalhistas de vestuário e de calçado que não se comprometeram a pagar aos fornecedores pelos pedidos em produção ou já finalizados durante a pandemia do novo coronavírus, destacando também as entidades que cumpriram essas mesmas obrigações. O rastreador online “Covid-19 Brand Tracker” foi criado pelo Worker Rights Consortium (WRC), em colaboração com o Center for Global Workers’ Rights (CGWR) do Estado da Pensilvânia, e monitoriza e reporta as posições das empresas líderes com uma atualização regular. As listas divulgadas mostram que várias marcas e retalhistas de vestuário estão a pagar pela totalidade dos pedidos acabados e em produção, como é o caso da Adidas, H&M, Inditex, Kiabi, Marks & Spencer, Nike, PVH, Target e Uniqlo. Pelo contrário, a não cumprir com as obrigações, constam nomes como Arcadia, Asos, Bestseller, C&A, Urban Outfitters e Walmart. As listas são feitas com base em declarações púbicas, correspondência direta com o WRC e CGWR e informações provenientes de associações de fornecedores a nível nacional bem como de fornecedores individuais. O WRC e o CGWR estão também a avaliar se as empresas estão a honrar os seus compromissos estabelecidos com os fornecedores. Os grupos reconhecem que o Covid-19 se traduziu numa enorme quebra na procura de vestuário, o que criou desafios financeiros para as marcas e retalhistas, mas afirmam ainda que as empresas têm o dever de gerir a crise de forma responsável. Foram várias as marcas e retalhistas que cancelaram ou suspenderam encomendas, exigindo a redução de custos para as peças em produção ou já acabadas prontas para envio. Em alguns casos, as marcas exigiram grandes descontos, mesmo nas encomendas em circulação, depois de terem sido já enviadas pelo fornecedor. O cancelamento de encomendas, nas quais os fornecedores gastaram milhões de dólares, provocam grandes danos financeiros e está a levar à demissão em grande escala de trabalhadores, normalmente sem direito a indeminização.

5É «crucial» alinhar a indústria de denim

De acordo com a PVH Corp, proprietária das marcas Tommy Hilfiger e Calvin Klein, o alinhamento na definição de sustentabilidade e uma abordagem holística das problemáticas de toda a cadeia de aprovisionamento, desde a raiz até ao consumidor, é a chave para combater as questões da indústria global de denim. No evento virtual da Kingpins24, Nicolas Prophte, vice-presidente do Global Denim Center of Excellence da PVH Corp, afirmou que o maior desafio que a indústria de denim enfrenta é a falta de consonância. «Existem muitas certificações, muitas orientações. Mas, no final de contas, há uma dissonância de comunicação na nossa indústria e também para o consumidor. Precisamos de nos alinhar – o que é que a sustentabilidade significa numa visão holística?», explicou. «Devíamos analisar todos os nossos processos desde as sementes de fibra e de algodão, por exemplo, para o comportamento do consumidor e realmente abordar isto de forma holística. Este é o maior desafio: alinhar a indústria. Para as marcas, o desafio é ter comunicação justa, mas comunicação verdadeira – evitar mal-entendidos e evitar falsas declarações ou mensagens confusas para o consumidor», explicou. Prophte defendeu ainda que o sector deve trabalhar em conjunto para evitar notícias falsas, utilizando a tecnologia a favor. «Devemos trabalhar primeiro para alinhar onde precisamos de melhorar na indústria porque temos alguma tecnologia, temos já algumas soluções e provavelmente devemos focar-nos aí, devemos partilhar. Para a indústria de denim, a melhor prática seria ser mais positiva, porque a mensagem lá fora está confusa ao nível do consumidor, mas mesmo como indústria devemos alinhar-nos», admitiu. «Para o consumidor é ainda mais caótico, é ainda mais confuso, porque cada marca tem a sua forma de comunicar. E também cada marca não tem o mesmo nível de experiência, consequentemente, por vezes, adotam a mensagem muito rapidamente sem verificar os dados reais e é por isso que as mensagens contraditórias são difíceis de entender». O vice-presidente do Global Denim Center of Excellence da PVH Corp acrescentou ainda que a colaboração é a chave para descodificar a confusão. «Temos muita boa vontade, boas pessoas e intenções. Precisamos de um chefe de orquestra para reunir os instrumentos. Claro que estamos numa competição mas, por uma vez, para esta temática – prática sustentável – devemos alinhar-nos, juntar todas as regras e realmente pensar “estas devem ser as nossas 10 principais prioridades, estes devem ser os desafios da nossa indústria e devemos enfrentá-los da mesma forma, ao mesmo tempo e com as mesmas ferramentas, e estarmos alinhados», afirmou. «O alinhamento da indústria é o primeiro passo e usar a sua fundação como uma plataforma de conexão e palco. Conversamos muito, mas agora está na hora de agir. O tempo já está a contar. Já perdemos demasiado tempo», concluiu.

6Allbirds rotula pegada de carbono nos sapatos

A marca sustentável de calçado vai etiquetar todos os produtos com a pegada de carbono, de modo a que os clientes «comecem a pensar no carbono da mesma forma que pensam em calorias». A Allbirds afirma que a iniciativa a torna a primeira marca de moda a rotular cada produto com a pegada de carbono. A marca desenvolveu uma ferramenta de avaliação do ciclo de vida do produto, submetida a apreciação de terceiros, para medir meticulosamente a intensidade do carbono em cada etapa, desde os materiais ao desenvolvimento, produção e até ao fim de vida. A meta é mudar o comportamento do consumidor, para que um dia os compradores passem a comparar os dados de carbono como fazem com os rótulos nutricionais no supermercado. A Allbirds, que se tornou 100% neutra em carbono no ano passado, está focada em fazer com que as suas emissões cheguem ao zero e, de acordo com a marca, estar ciente do impacto e partilhá-lo com o mundo é o primeiro passo para a solução. «A partir de agora estamos a incluir a nossa pegada de carbono a todos os produtos que fabricamos. À semelhança dos rótulos nutricionais nos alimentos, queremos que o mundo veja a quantidade de carbono emitida quando um produto da Allbirds é criado», refere num vídeo que anuncia a iniciativa no website e nas redes sociais da marca. «Em todas as fases, desde o material ao design, produção e eliminação, medimos a pegada de carbono dos nossos produtos, para ilustrar o impacto de tudo aquilo que fazemos e responsabilizarmo-nos. A nossa pegada não é ainda zero, mas pode ser, assim como a de todo a gente», acrescenta. No futuro cada produto terá um autocolante na sola que revela a pegada do produto – 7,6kg CO2e é a média no calçado da Allbirds, um valor comparável ao que a empresa diz ser o valor médio da pegada de carbono nos ténis, 12,5kg CO2e. O modelo Wool Runner da marca tem uma pegada de carbono de 7,1 kg CO2e.