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Breves

  1. Trio de algodão proibido na H&M
  2. Moda impressa em 3D dá mais um passo
  3. Flyknit da Nike com poliéster reciclado
  4. Primark retoma crescimento
  5. Preços sobem em janeiro
  6. Rip Curl em escândalo com a Coreia do Norte

1Trio de algodão proibido na H&M

A retalhista sueca H&M baniu o sourcing de algodão do Turquemenistão e da Síria numa tentativa de erradicar o trabalho forçado da sua cadeia de aprovisionamento. A proibição, que começou em dezembro, exige que todos os fornecedores que trabalham com a H&M assinem um documento assim como não vão comprar algodão em nenhum dos países. Os que recusarem deixarão de trabalhar com a H&M. «A razão para esta proibição é que, sob nenhuma circunstância, a H&M aceita que seja usado trabalho de menores e/ou forçado em algum momento da nossa cadeia de valor, incluindo o cultivo de algodão», indicou o grupo. «Infelizmente esse é às vezes o caso no Uzbequistão e no Turquemenistão e a H&M, por isso, não aceita o algodão convencional do Uzbequistão, do Turquemenistão ou da Síria nos nossos produtos», acrescentou.  Um relatório publicado no final de 2015 dava conta que o governo do Turquemenistão forçou mais pessoas a colher algodão no ano passado (ver Trabalho forçado no Turquemenistão). Desde 2013 que a H&M proíbe a utilização de algodão do Turquemenistão. Como parte dos seus objetivos de sustentabilidade, o grupo sueco pretende que, até 2020, todo o algodão usado nos seus produtos seja proveniente de fontes sustentáveis – orgânico, reciclado ou da iniciativa Better Cotton – e, como tal, completamente rastreável.

2Moda impressa em 3D dá mais um passo

Dois vestidos impressos em 3D percorreram a passerelle da Semana de Moda de Nova Iorque. A diferença? Ambos usaram um novo material, com tecnologia elastomérica melhorada por nanotecnologia que deverá chegar ao mercado no final deste ano e que, afirmam os promotores, representa um grande passo para o design de moda com recurso à impressão 3D. Os designers ThreeAsFour e Travis Fitch criaram os vestidos recorrendo à tecnologia de impressão 3D multicor e multimaterial Objet500 Connex 3, desenvolvida pela Stratasys. «Ter a capacidade de variar a cor e a rigidez numa única peça inspirou-nos a explorar a flexibilidade, profundidade e transformação como objetivos de design inerentes», explica Adi Gil, da ThreeAsFour. Gil acrescenta ainda que esta tecnologia permite novas possibilidades, nomeadamente com a possibilidade de misturar materiais rígidos e borracha em qualquer grau de flexibilidade, em qualquer cor e numa única impressão. O vestido Pangolin é composto por 14 peças com uma “pele” geral criada através da mistura de várias tramas que mimetizam as texturas naturais de animais. Embora haja ainda poucos detalhes sobre o material, a Stratasys afirma que tem extrema flexibilidade e durabilidade e representa um grande passo em frente para o design de moda em 3D.

3Flyknit da Nike com poliéster reciclado

A Nike revelou ter concluído a transição de todos os fios das suas sapatilhas Flyknit para poliéster reciclado. A marca americana, que lançou os seus modelos ultraleves e quase sem costuras Flyknit em fevereiro de 2012, revelou que até agora retirou 182 milhões de garrafas de plástico de aterros – o suficiente para cobrir mais de 300 campos de futebol. O calçado, que pode ser completamente ajustado aos pés dos atletas, reduziu ainda os desperdícios em 60%, em média, em comparação com o calçado feito de forma tradicional, e desde 2012 que já poupou cerca de 5.670 toneladas de resíduos. «A Nike Flyknit é um método revolucionário de produzir calçado que permite que os designers sejam precisos em cada ponto de costura para criar uma parte de cima leve como uma pena, adaptada à forma e virtualmente sem costuras, ao mesmo tempo que reduz os desperdícios e a quantidade de materiais usados», sublinhou a marca. Atualmente a Nike tem seis categorias de sapatilhas Flyknit – corrida, treino, sportswear, futebol, basquetebol e futebol americano – que compreendem 28 modelos diferentes.

4Primark retoma crescimento

A Primark registou uma recuperação das vendas após uma época de Natal menos boa, com as margens de lucro a subirem igualmente nos primeiros seis meses do novo ano fiscal, graças a menos promoções e um stock mais bem gerido. Na atualização dos números para os seis meses que terminam a 27 de fevereiro, a Primark indicou que espera um aumento das vendas de 7,5% em termos anuais e a taxas de câmbio constantes, impulsionado por um aumento da área de venda, e de 4% a câmbios atuais. A previsão é de melhoria face ao período do Natal, altura em que as vendas foram afetadas por temperaturas anormalmente quentes no Norte da Europa. As vendas comparáveis melhoraram desde então, indicou a retalhista, e deverão ficar ao mesmo nível do primeiro semestre do último ano fiscal. Em particular, França permaneceu «otimista», sendo esperadas fortes vendas comparáveis no período, apesar de «densidades de vendas muito elevadas» no primeiro ano de vendas. A Primark tem ainda estado ocupada com a expansão internacional, tendo entrado nos EUA em setembro do ano passado, com abertura de lojas em Boston e na Pensilvânia. A retalhista indicou que os números iniciais têm sido «encorajadores» e que estão planeadas mais seis aberturas no país para este ano. Kate Ormrod, analista-sénior na Verdict Retail, afirmou que, apesar de um primeiro semestre difícil, a atratividade da Primark parece «resiliente», com a sua proposta a ser bem recebida em novos mercados e com as suas gamas trendy e novidades regulares a assegurarem que mantém a sua vantagem competitiva no Reino Unido. «A Primark mantém uma abordagem ponderada à expansão e, embora a entrada em mais mercados europeus seja pouco provável a curto prazo, tendo em conta o foco em Itália, a Primark não deve perder de vista as operações domésticas existentes, com o investimento a ser muito necessário para consolidar a sua rede de lojas no Reino Unido em termos de design e ambiente», destacou a analista.

5Preços sobem em janeiro

Os preços do vestuário nos EUA recuperaram em janeiro, após quatro meses consecutivos em queda. Segundo o gabinete de estatística do trabalho dos EUA, o índice do vestuário subiu 0,6% em termos sazonalmente ajustados em janeiro, embora tenha caído 0,5% antes de ajustes sazonais nos últimos 12 meses. O US Consumer Price Index for All Urban Consumers continuou inalterado em janeiro quando ajustado sazonalmente, mas nos últimos 12 meses, o índice de todos os artigos subiu 1,4% antes do ajustamento sazonal. Já sem produtos alimentares e energia, a subida do índice foi de 0,3% no mês de janeiro. O aumento teve várias origens, com os principais componentes a registarem um crescimento. Em termos anuais, o índice para todos os artigos menos produtos alimentares e energia subiu 2,2%, um valor que tem vindo a subir gradualmente nos últimos meses.

6Rip Curl em escândalo com a Coreia do Norte

A marca australiana de surf e ski Rip Curl admitiu ter feito «asneira» depois de ter sido denunciado que algumas das suas roupas eram feitas numa fábrica na Coreia do Norte. A empresa atribuiu as culpas a um fornecedor por ter divergido a produção para fábricas não-certificadas e afirma que ficou a saber «há alguns meses»  que isso estava a acontecer. Contudo, o problema foi detetado pela Fairfax Media, cuja notícia principal no The Sydney Morning Herald de 21 de fevereiro acusa a Rip Curl de usar «trabalho escravo» para fazer as suas roupas. A notícia dá conta que a Taedonggang Clothing Factory, perto da capital Pyongyang, fez algum do vestuário de inverno de 2015 da marca – com as peças a terem, contudo, uma etiqueta “made in China”. A Rip Curl confirma que «dois modelos, totalizando 4.000 unidades do vestuário de ski da Rip Curl passaram e foram enviadas para os clientes». A empresa acrescenta que «os fundadores e diretores da Rip Curl assumem toda a responsabilidade por esta asneira. Lamentamos que a Rip Curl tenha quebrado a confiança que os nossos clientes têm em nós para nos assegurarmos que os produtos que usam não trazem problemas morais. É a nossa responsabilidade para com os consumidores e deixámo-los ficar mal». Em comunicado, a Rip Curl garante ainda ter tomado medidas para «disciplinar o fornecedor por esta quebra e estamos a aumentar as nossas inspeções e auditorias». A diretora-executiva da Oxfam Australia, Helen Szoke, considera que a Rip Curl «não tem desculpa para não rastrear o vestuário produzido pelos seus próprios fornecedores» e lembra que «as empresas são responsáveis por abusos dos direitos humanos dentro dos seus negócios – não apenas moralmente mas também dentro das diretrizes das Nações Unidas sobre as responsabilidades dos negócios no que diz respeito aos direitos humanos. É também muito preocupante que neste caso, o vestuário tenha sido produzido num país que não subscreve as convenções da Organização Internacional do Trabalho, incluindo o direito de livre associação e negociação coletiva». Tim Wilson, fundador e CEO da Historic Futures, que recentemente lançou uma ferramenta online de monitorização de riscos na cadeia de aprovisionamento, sublinha, contudo, que a maior parte das empresas «apenas sabe quem são os seus fornecedores imediatos e não têm qualquer ideia sobre onde os seus produtos são na realidade feitos, por quem e de onde vêm as matérias-primas. Isto, em parte, deve-se ao facto das cadeias de aprovisionamento serem incrivelmente complicadas e estarem constantemente a mudar e os fornecedores também muitas vezes não querem partilhar quem são os seus fornecedores».