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Brexit afeta Next

A retalhista britânica Next anunciou vendas do primeiro semestre em linha com as expectativas, mas alertou que os custos de aprovisionamento podem aumentar devido à quebra da libra desde o Brexit.

Numa atualização para as 26 semanas terminadas a 30 de julho, a Next revelou que as vendas totais aumentaram 1,8%, uma subida motivada pelo escoamento de stock do ano passado durante os saldos. Ainda assim, as vendas de artigos a preço total caíram 0,3% e o crescimento de 4,9% no canal online não conseguiu compensar uma queda de 4% nas vendas a retalho.

A Next alertou ainda que, a médio prazo, a desvalorização da libra poderá afetar o preço dos seus produtos, mas salvaguardou que, a partir de janeiro de 2017, conta com cobertura cambial. «O impacto da desvalorização no próximo ano está a ser parcialmente atenuado pela cobertura pré-referendo e pelas receitas em euros e dólares no exterior», explicou a empresa ao Just-Style.

A Next reviu as suas expectativas e espera agora apresentar entre 775 milhões e 845 milhões de dólares (aproximadamente entre 684 e 746 milhões de euros) de lucro antes de impostos no ano terminado a janeiro de 2017, em vez dos valores anunciados em maio, situados entre os 748 milhões e 852 milhões de dólares.

Jamie Merriman, analista da Bernstein, considera que, embora os resultados estejam em linha com o quadro atual do retalho britânico, ainda é muito cedo para observar o impacto do Brexit no consumidor. «Acreditamos que, nos próximos 12 a 18 meses, os gastos dos consumidores poderão estar sob pressão, dado o aumento provável dos preços e o potencial aumento do desemprego. Não acreditamos que isto se esteja já a refletir nos preços», refere Merriman.

Nivindya Sharma, analista do Retail Verdict, admite que a comparação entre o full-price da Next e as vendas totais «destaca a luta que a retalhista trava continuadamente para atrair clientes para suas novas coleções, apesar dos preços acessíveis, novidades regulares, boa qualidade e apelo global». Porém, Sharma acredita que os planos da retalhista para compras mais responsivas, lançamentos regulares e a mudança frequente de merchandising em loja e nas montras deverão ajudar a corrigir este problema.

A Next espera que os custos de aprovisionamento aumentem em 5% no próximo ano, mas assegura estar preparada para suavizar a subida, aumentando a oferta das novas localizações, como Bangladesh, Camboja e Myanmar.

A considerável capacidade da cadeia de aprovisionamento da Next, explica Nivindya Sharma do Retail Verdict, significa que a retalhista está em melhor posição do que concorrentes mais pequenas, mas as mudanças fundamentais no sourcing serão essenciais para salvaguardar a sua quota de mercado à luz das mudanças nos padrões de compra dos consumidores.