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Brexit sem efeito sobre a Next

A gigante retalhista britânica registou um crescimento das suas receitas e lucros durante o primeiro semestre do ano, com as vendas online a ultrapassarem já as transações em loja. A empresa diz «não encontrar qualquer evidência» sobre a influência do impasse do Brexit no consumo dos seus clientes.

A Next terminou o mês de julho com uma margem positiva nas vendas, cujo crescimento total se situou nos 3,8%, o que se traduz em 2,01 mil milhões de libras (2,27 mil milhões de euros). A empresa que detém a retalhista, a Next Plc, chegou aos 2,06 mil milhões de libras, uma subida de 3,7% relativamente ao ano passado, enquanto as suas vendas online cresceram 12,6%. No entanto, esta tendência não se evidenciou nas vendas em loja, que registaram uma diminuição de 5,5%, para 874,3 milhões de libras, o que poderá ter contribuído para uma redução das ações do grupo de mais de 4%, registadas na manhã de 19 de setembro.

Ainda assim, o lucro bruto foi positivo: uma subida de 2,7%, para 319,6 milhões de libras, o que significa uma diferença de 59,1 milhões de libras relativamente ao lucro líquido.

Imunidade ao Brexit

A retalhista indica ainda não ter conseguido determinar se o Brexit está a surtir algum efeito sobre os gastos dos clientes. Apesar da crença geral de que este impasse pode enfraquecer a confiança dos consumidores, a experiência da empresa diz-lhe que «as tempestades políticas, por si só, raramente afetam as vendas e os consumidores apenas alteram os seus comportamentos quando estes acontecimentos prejudicam diretamente o seu salário ou aumentam as suas despesas», indica o just-style.com. A empresa acredita que influência do Brexit só se fará sentir na «eventualidade de instigar uma pressão inflacionária nos preços ou problemas logísticos nos portos», acrescenta.

Contudo, a Next Plc defende estar protegida contra um eventual aumento dos preços das matérias-primas usadas nos seus produtos, devido à cobertura cambial, à descida monetária das commodities e ao desenvolvimento contínuo da sua base de aprovisionamento.

Deste modo, o grupo decidiu manter a mesma orientação estratégica até ao resto do ano, que inclui um crescimento das vendas (sem promoção) de 3,6% e do lucro em 0,3% (o que significa 725 milhões de libras). No entanto, admite que esta previsão não tem em conta os efeitos potenciais de um Brexit com ou sem acordo. «É impossível prever se o Reino Unido vai sair da União Europeia com ou sem acordo e igualmente difícil prever o efeito que um [Brexit] sem acordo pode ter na economia», refere.

Estratégia omnipresente

Por outro lado, a Next parece estar a adaptar-se de forma positiva ao comércio online. Richard Lim, diretor da Retail Economics, considera que «a retalhista conseguiu reposicionar com sucesso o seu negócio para ir ao encontro desta nova realidade, evidenciada pela maioria das vendas que agora ocorrem online».

A proposta omnicanal da empresa permite-lhe manter a viabilidade dos meios físicos e digital, já que, apesar do volume de transações online estar em crescimento, 50% das encomendas são entregues em loja, assim como 82% das devoluções.

O diretor da Next, Simon Wolfson, acredita que o modelo de negócio da empresa é «robusto» e «capaz de sobreviver e prosperar num mundo online». No entanto, admite que o custo de manter as lojas abertas pode também tornar-se um problema. «Se as lojas se mantiverem abertas, as rendas têm de diminuir e, felizmente, é exatamente isso que está a acontecer», aponta. Cerca de metade dos contratos de arrendamento vão expirar nos próximos cinco anos, providenciando a flexibilidade de que a empresa precisa para deixar locais não rentáveis e negociar novos acordos de arrendamento.

Emily Salter, analista de retalho na GlobalData, sublinha que à medida que este mercado se vai transformando num meio cada vez mais digital, a Next «tem o potencial de se tornar não só uma marcar líder global online a longo prazo, como também uma das mais lucrativas».