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Brilho regressa às compras de Natal

Os retalhistas americanos acreditam que esta época de vendas retomará o ímpeto de 2019, apesar das preocupações com as cadeias de aprovisionamento e os transportes. Ainda assim, o regresso da opulência deverá marcar o Natal de 2021, a acreditar nos sinais já sentidos pelos grandes retalhistas.

Nordstrom [©Nordstrom]

Da Neiman Marcus à Macy’s e Home Depot, vários grandes retalhistas americanos confessaram à Reuters que esperam ver os consumidores regressarem em força às reuniões familiares tradicionais desta época de Natal, depois do covid-19 ter obrigado a um maior distanciamento social no ano passado.

«Depois de terem estado limitados pelas restrições do covid-19, as pessoas querem viajar, passar mais tempo no exterior a usufruir de atividades outdoor, expressarem-se e, acima de tudo, viver e partilhar experiências», acredita Remo Ruffini, presidente do conselho de administração e CEO da Moncler.

Muitos consumidores têm agora mais rendimento disponível, por terem poupado durante os confinamentos e por causa da retoma da economia. O Dow Jones Industrial Average tem batido recordes neste início de novembro e o índice FTSE 100 de Londres fechou no valor mais alto em 20 meses no passado dia 1 de novembro.

«Notámos um tema de festa», confirma Macarena Blanco, editora de moda da Heuritech, uma empresa de dados que analisa cerca de 30 mil imagens por dia nas redes sociais, sobretudo no Instagram e no TikTok.

No entanto, os retalhistas enfrentam uma crise da cadeia de aprovisionamento que os deixou com dificuldades para encontrarem espumante, ouropel, velas de cheiro e vestuário de festa, entre outras coisas. Além disso, a nova variante do coronavírus AY.4.2 Delta Plus está a ganhar terreno nos EUA, depois de ter causado alguma preocupação no Reino Unido.

Mais é melhor

«Uma das maiores tendências que estamos a ver transversalmente é o maximalismo, que é sobre “mais é melhor” e mais opulência – tem a ver com adotar cores e padrões», salienta Sarah Fishburne, diretora de tendências e design da Home Depot. Mas em setembro, a Home Depot referiu, na apresentação dos resultados trimestrais, que «a escassez de matérias-primas, as restrições à produção e a pressão nos meios de transporte estão a criar um ambiente difícil na cadeia de aprovisionamento».

Macy’s [©Macy’s]
A rival Lowe’s deu conta da mesma preocupação em outubro, explicando que o inventário no segundo trimestre foi de 17,3 mil milhões de dólares (cerca de 15 mil milhões de euros), menos 1,1 mil milhões de dólares do que no primeiro trimestre. Ainda assim, Bill Boltz, diretor de merchandising da Lowe’s, afirmou que «os consumidores vão querer fazer as coisas em grande esta época… Estamos a expandir as nossas seleções. Por exemplo, este ano vamos ter uma oferta maior de árvores artificiais com mais de 8 pés [cerca de 2,45 metros] para os que querem preencher uma sala maior».

Os grandes armazéns Nordstrom recentemente enviaram um email aos seus clientes a apelar a que «abusem do glamour em lantejoulas, metálicos e mais» e «vistam-se para impressionar», afirmando que «esta é a época para brilhar».

Mas na semana anterior, a retalhista tinha alertado os consumidores sobre os desafios da cadeia de aprovisionamento e os atrasos nos envios, advertindo que «os presentes mais procurados podem esgotar no nosso website e os envios podem demorar mais do que o que todos desejamos».

O vestuário de festa já está a esgotar, de acordo com a plataforma de inteligência de mercado Edited, que refere um aumento de 236% no vestuário a preço completo esgotado entre julho e outubro deste ano, globalmente, que leva a que haja menos opções para os consumidores que fazem compras online nos EUA – cerca de metade em comparação com a mesma altura do ano passado.

Lantejoulas e veludo

A Macy’s está a capitalizar com o facto de os consumidores estarem a escolher malas e sapatos metalizados, blazers de veludo e pérolas entre a oferta de vestuário de festa elegante. A empresa está entre os vários retalhistas que foram forçados a investir fortemente em trazer a produção para mais perto do país.

A Macy’s revelou que está a usar múltiplos portos para reduzir os congestionamentos, a manter abertos os seus centros logísticos 24 horas por dia, sete dias por semana, a fazer parcerias com a gigante de envios Makers para eficientemente tirar os seus produtos dos portos e a contratar mais de 20 mil pessoas para a logística.

Os designers estão igualmente a usar têxteis com brilho nas suas propostas, com lantejoulas, por exemplo, em referências aos anos 90 e às festas de mudança de milénio no ano 2000, destaca Macarena Blanco. A Heuritech identificou uma subida em tendências como botas com brilho, que estão a subir 15% nos EUA em comparação com o ano passado, e uso de penas, que aumentou 42% na estação de final de ano.

Neiman Marcus [©Neiman Marcus]
«Depois de termos todos sido um pouco forçados a desaparecer do mundo, queremos celebrar, divertirmo-nos e partilhar com os outros», afirma a designer de moda Christelle Koche. A designer emergente indica que procurou trabalhar conceitos como a individualidade e para esta época de Natal está a oferecer uma série de vestidos justos em veludo, incluindo um com chamas cor de rosa num dos lados.

Lana Todorovich, presidente e diretora de merchandising na Neiman Marcus, descreveu a emergência de «um estilo dramático e sem arrependimentos» dos consumidores à medida que se aproxima a época de Natal, citando a popularidade de peças decoradas com lantejoulas e penas de marcas como a Balmain e a Tom Ford.

As vendas mundiais de vestuário de designer deverão atingir 90,16 mil milhões de dólares, um aumento de 11,6% em comparação com o ano passado, mas ainda 10 mil milhões de dólares abaixo do valor registado em 2019, antes da pandemia de Covid-19, segundo os dados do Euromonitor.

Consciente dos riscos de ter pouco stock, a Meghan Fabulous, uma produtora de vestuário que depende de fábricas na Índia, na China e em Los Angeles, comprou, para esta época de Natal, mais vestuário de festa em verde e vermelho do que no mesmo período do ano passado e neste início de novembro tem cerca de 10 mil vestidos a «flutuar em cargueiros no Oceano Pacífico». O diretor-executivo Steve Dunlap confessa-se preocupado que não cheguem antes de janeiro. «É o meu cenário de pesadelo. Vão vender-se, mas a maior parte deles vão ficar parados até à época festiva de 2022 se isso acontecer», conclui.