Início Arquivo

Brioni acima da crise

A Brioni quer manter o ritmo de crescimento sustentado verificado nos últimos anos. O grupo italiano de moda masculina de luxo que, em 2006, registando resultados operacionais brutod de 35,5 milhões de euros (mais 43%), aponta uma nova progressão significativa» para 2007. E a tendência deverÁ igualmente manter-se em 2008», prevê Antonella de Simone, que dirige o grupo juntamente com Andrea Perrone, director comercial, e Antonio Bianchini, encarregado da administração e das finanças, todos herdeiros em linha directa dos dois mestres-alfaiates fundadores da marca, Nazareno Fonticoli e Gaetano Savini. A Brioni, que conta com 700 clientes multi-marca no mundo, assim como 28 sucursais e 15 franchisings, vai abrir uma dezena de novos pontos de venda até ao final de 2008, um número idêntico ao de 2007. A marca de luxo italiana prevê, nomeadamente, instalar-se em Pequim e em Nova Deli. JÁ abrimos em Bombaim hÁ alguns meses», sublinha Antonella de Simone, e os resultados são notÁveis. Ao contrÁrio dos Chineses, o consumidor indiano tem uma cultura do luxo próxima da nossa e estÁ, por isso, pronto a apreciar a nossa marca». O grupo tem igualmente os olhos postos no mercado francês, onde deseja reforçar a sua presença. A Brioni jÁ estabeleceu contactos com grandes lojas parisienses, em particular com a Printemps, ao mesmo tempo que as conversações estão em curso para abrir uma loja em Cannes. é uma localização extremamente importante, e não só por causa do Festival de Cinema», refere a dirigente. O grupo faz uma parte essencial das suas vendas no mercado americano (cerca de 70 milhões de euros em 2006), seguido de ItÁlia e, logo atrÁs, da Rússia, que destronou países como a Suíça e a Alemanha. Uma tendência que deverÁ manter-se ao longo dos próximos meses apesar do efeito do dólar. O nosso cliente não sofre com a crise. Ele procura ter prazer com o vestuÁrio, com um produto personalizado, que se adapta ao seu físico, mas também aos seus estados de alma. A única coisa que pode acontecer é uma reacção psicológica, como houve no início do milénio. Mas para jÁ não é esse o caso». Embora o homem se mantenha no centro da sua estratégia, a Brioni não negligencia a mulher, que pesa 10% no seu volume de negócios. é um valor estÁvel», comenta a dirigente, mas o produto que ao longo das quatro últimas estações foi assinado pela estilista espanhola Cristina Ortiz (que passou no último Outono para a Salvatore Ferragamo), vai sofrer uma nova evolução. Queremos regrassar às origens», sublinha Antonella de Simone. As últimas colecções foram voltadas um pouco demais para as tendências e não corresponderam verdadeiramente ao que a nossa cliente deseja». A marca que, no passado, vestiu estrelas como Ava Gardner ou Elizabeth Taylor, quer renovar a sua força, o tailleur e o casaco, modernos mas com um corte rigoroso, com uma grande atenção nos materiais e nos detalhes, como jÁ faz para o homem. A Brioni, que realiza 35% das suas vendas com o sob-medida, quer igualmente desenvolver este conceito no vestuÁrio feminino. é clÁssico para o homem, mas mais recente para a mulher. Achamos que existe um verdadeiro potencial», afirma. Instalada em Roma, a Brioni controla todas as fases da produção. O grupo conta com cinco fÁbricas em ItÁlia, das quais uma modelo em Penne, na região de Pescara, que emprega 1.100 pessoas e que fabrica todos os casacos e calças da marca, cerca de 85.000 peças por ano. O seu know-how neste sector obteve em apenas algumas semanas um reconhecimento oficial, com a Brioni a assinar um acordo de parceria com o Royal College of Art de Londres por três anos. Os estudantes que seguem o curso de moda masculina terão assim os alfaiates da Brioni como professores e poderão efectuar estÁgios em Penne. Foi igualmente criado o Prémio Brioni que, para o ano escolar em curso, terÁ como tema o smoking.