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Buchinho incendeia Paris

Luís Buchinho transformou a Galerie de Photographie (Mansart), na Biblioteca Nacional de França, numa verdadeira “pool party”, onde não faltaram fatos de banho retro nem vestidos cocktail adequados à estação mais quente do ano. “Happy Hour”, como a batizou, «é uma coleção leve, bem-disposta, com um toque de humor e muitos elementos ligados ao verão», explicou o criador. Vestidos, calções, tops e saias em tons pastéis – verde-claro, azul-céu, nude, lilás e malva –, construídos com jogos de transparências e de sobreposições e conjugados, por vezes, com fatos-de-banho de estilo retro, subiram à passerelle, onde as calças ficaram de fora. «É uma coleção com muita perna à mostra, um intercâmbio entre o que é o fato de banho e vestido cocktail e a junção dos dois, numa silhueta um bocadinho híbrida mas bastante sensual e sempre muito feminina», acrescentou. Apesar de ser uma coleção bastante sensual, Luís Buchinho acredita na transversalidade das suas criações, tanto em Portugal como no estrangeiro. «A mulher estrangeira que compra Luís Buchinho é muito variada, não há um padrão, porque as asiáticas compram umas coisas, as americanas compram outras, as holandesas compram outras…», referiu. Já as clientes portuguesas «gostam de tudo», revela. Presença assídua na passerelle parisiense desde 2009, Luís Buchinho tem vindo a construir a notoriedade da sua marca no estrangeiro, onde além das passerelles está igualmente presente em feiras internacionais. Aliás, após o desfile, a coleção do criador ficou em showroom em Paris durante 15 dias, para ser apresentada aos compradores internacionais presentes na cidade. «O meu principal objetivo neste momento é a internacionalização da marca em termos comerciais», assumiu o criador, que anunciou ainda a possibilidade de fazer showrooms «também na Austrália e na Nova Zelândia». De resto, em paralelo ao seu desfile na Semana da Moda de Paris, o designer português exibiu ainda a sua coleção no conceituado salão Tranoï e é já uma presença regular no também salão parisiense Who’s Next, onde tem conquistado compradores vindos dos quatro cantos do mundo. Apesar de reconhecer a evolução da moda nacional, Luís Buchinho lembrou que a Portugal está apenas a dar os primeiros passos nesta área. «Estamos a desbravar caminho, porque a moda em Portugal começou há 20 anos. Tão simples quanto isso. Não nos pode ser exigido aquilo que vemos na Chanel ou na Louis Vuitton, que é uma marca centenária, uma multinacional. Isso simplesmente não é algo que esteja de acordo com aquilo que é a realidade de um criador ou uma marca portuguesa», destacou. Ainda assim, o criador faz uma avaliação «excelente» da sua marca no estrangeiro, que já está à venda em 12 países. «Quando mostramos o portefólio daquilo que estamos a fazer estação após estação e, além de todos os lookbooks que desenvolvemos com a coleção comercial, temos também o apoio de um desfile em Paris, com uma coleção mais de imagem que a torna muito mais mediática, muito mais visível aos olhos da imprensa internacional, os compradores acham que a coleção está num outro patamar e que está dentro dos parâmetros que são exigidos em semanas de moda com esta responsabilidade», reconheceu. Depois de um magistral desfile num dos mais eruditos recantos da paisagem literária francesa, Luís Buchinho troca a Biblioteca Nacional de França pelo não menos histórico Conservatório de Música do Porto, onde também no âmbito do Portugal Fashion vai apresentar a mesma coleção da Semana de Moda de Paris, que ilustra que o talento não escolhe nacionalidade e, por isso mesmo, constitui um “espetáculo” a não perder no sábado, pelas 14h30 (ver Portugal Fashion desdobra-se).