Início Notícias Marcas

Burberry com nova velocidade

Na sexta-feira passada, a Burberry anunciou uma mudança radical na sua estratégia. Já a partir de setembro, a marca britânica apresentará uma abordagem “veja agora, compre agora”, acabando com a espera de seis meses entre a apresentação da coleção e a sua chegada ao retalho.

Depois do plano de consolidação (ver O tudo em 1 da Burberry), surge o anúncio do fim das coleções primavera-verão e outono-inverno e a chegada das coleções designadas apenas de fevereiro e setembro.

Christopher Bailey, CEO e diretor criativo da marca, revelou, na semana passada, que os desfiles deixarão de acontecer separadamente em semanas masculinas e femininas, passando a integrar uma só coleção, que será apresentada de forma conjunta duas vezes por ano. O primeiro desfile com a união de feminino e masculino acontecerá já em setembro.

Contudo, a maior novidade é de que a Burberry proporcionará às peças uma chegada instantânea da passerelle ao consumidor, apoiada por campanhas publicitárias direcionadas e montras. A marca parece ter abraçado o modelo da fast fashion, analisa o WGSN.

Bailey explicou ao WWD que o movimento é feito a pensar no consumidor final. «As mudanças que estamos a fazer permitirão construir uma ligação mais estreita entre a experiência que criamos com os nossos desfiles e o momento em que as pessoas podem fisicamente explorar as coleções», advogou.

O diretor criativo da Burberry disse ainda ao The Business of Fashion que «todas as coisas que temos desenvolvido [desde 2010] foram passos para nos aproximarmos de um público que gosta de moda, adora a energia da moda, a música, o espetáculo, as pessoas. Este seria o próximo passo natural».

Sobre os desafios que esta nova velocidade colocará à cadeia de aprovisionamento e aos vendedores da marca, Bailey referiu apenas que, de momento, não tem as respostas para tudo. «É certamente um novo comportamento para nós e isso significa que queremos construir parcerias mais fortes com os nossos parceiros porque é uma forma diferente de trabalhar», explicou o criador.

O CEO sublinhou ainda o tempo e esforço despendidos num desfile cujas peças alcançarão o consumidor meses depois e que este modelo “veja agora, compre agora” «vai remediar esta situação e permitir que a emoção que é criada por um desfile ou evento impulsione as vendas» e satisfaça o desejo dos clientes em aceder à coleção no momento em que ela é mostrada.

O portal de tendências WGSN questionou os compradores e vendedores para conhecer a sua reação e a resposta foi, sobretudo, positiva. «A moda é sobre mudança e seguir em frente, e a decisão da Burberry de fazer os desfiles virados para o cliente faz sentido no ambiente digital hiper-conectado de hoje» afirmou Sarah Rutson, vice-presidente de compra global na net-a-porter. «Na net-a-porter, que é construída sobre o imediatismo, na velocidade e no comprar agora/usar agora, por isso entendemos esta mudança de dinâmica na moda e damos-lhe as boas-vindas», acrescentou.

Chris Morton, CEO e cofundador do website Lyst, que liga compradores globais a mais de 11.000 designers e lojas, explicou ainda ao WGSN que «as casas de moda têm vindo a falar sobre este assunto há algum tempo. É surpreendente que uma marca como a Burberry tenha sido a primeira casa a dar o passo. Agora resta manter um olhar atento sobre como isso vai funcionar na prática». Morton observou ainda que «apesar de fevereiro e setembro serem meses importantes no calendário de moda devido à Fashion Week, comercialmente são, muitas vezes, pontos baixos. Comemorar a semana de moda como um evento em que o consumidor tem acesso imediato ao produto tem o potencial para impulsionar as vendas nestes meses tradicionalmente tranquilos».

Adam Kelly, diretor de compra dos grandes armazéns londrinos Fenwick Bond Street, afirmou ao WGSN que a notícia da Burberry foi «muito bem-vinda». «Uma declaração para a indústria e para o consumidor. As coisas definitivamente necessitavam de um abanão e isto veio fazer isso», defendeu.

Poucas horas depois do anúncio da Burberry, a Tom Ford seguiu o exemplo, divulgando um comunicado que informava que a marca do criador epónimo iria cancelar as apresentações previstas na Semana de Moda de Nova Iorque, dentro de duas semanas. Em vez disso, a marca iria regressar ao calendário de setembro com a apresentação das coleções masculina e feminina para o outono-inverno 2016. «Os nossos clientes querem hoje uma coleção que esteja imediatamente disponível. Os desfiles de moda e o calendário de moda tradicional, como os conhecemos, já não funcionam como funcionaram», explicou Tom Ford ao WWD sobre as razões da nova estratégia.

Tags:

Autor: Bárbara Matias

Fonte: WGSN