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Burberry de pedra e cal

Uma vez mais, a Burberry provou conhecer os seus clientes, enquanto os seus produtos continuam a ressoar à escala mundial, tendo anunciado recentemente o habitual aumento de lucros e vendas, ainda que ligeiramente diminuídos pela desvantagem das flutuações cambiais.

No último exercício, terminado a 31 de março, o lucro líquido aumentou 4,3% para 336,3 milhões de libras, ficando aquém do resultado possível, com uma perda de 40 milhões de libras em consequência das taxas de câmbio adversas.

As receitas subiram 11% em base anual para 2,52 mil milhões de libras, ou 8% em base de moeda-neutra, impulsionadas pelo crescimento dos sectores do retalho e grossista.

A Burberry tem sido capaz de consecutivamente maximizar o seu património mantendo, simultaneamente, a imagem de uma marca ditadora de tendências. A empresa admitiu concentrar um «intenso foco» no seu património nuclear, com os clássicos trench coats e cachecóis de caxemira britânicos a potenciarem o crescimento anual registado.

As vendas combinadas da linha principal de sobretudos e acessórios cresceram quase 20%. As receitas do segmento masculino, «uma categoria pouco representada na Burberry», aumentaram 10%.

Os investimentos contínuos no comércio eletrónico permitiram a superação do seu desempenho em todas as regiões. No formato online, o segmento móvel duplicou a sua quota de receitas em apenas um ano, após o lançamento de uma plataforma móvel atualizada no segundo semestre.

O retalho «superou significativamente o segmento grossista», no qual se deu continuidade ao processo de reposicionamento, especialmente nos EUA. As vendas a retalho, que agora representam 71% da receita, face a 70% no ano anterior, cresceram 14% em base subjacente, registando simultaneamente um aumento de 9% das vendas em base comparável.

A afluência nos espaços comerciais da marca diminuiu mas foi compensada por valores de conversão superiores e transações de maior valor.

As vendas a retalho da linha principal da marca foram potenciadas por um crescimento de duplo dígito na categoria de sobretudos. A venda de cachecóis e sapatos aumentou no segmento masculino, que respondeu apenas por 20% do total das receitas provenientes do retalho de acessórios, uma outra área de oportunidade para a Burberry.

As receitas subjacentes do sector grossista aumentaram 6%, ou 3% em base reportada. O segmento de beleza cresceu 26% no decorrer do ano.

Por região, a América do Norte e a América do Sul, a par da EMEIA, cuja denominação engloba a Europa, Médio Oriente e África, cresceram mais de 10%, enquanto a região da Ásia Pacífico cresceu apenas cerca de 5%, em resultado dos conflitos assinalados em Hong Kong.

Christopher Bailey, CEO da Burberry, que recentemente completou um ano à frente da marca, afirmou que «contrariando um cenário externo desafiador, a nossa equipa global tem-se concentrado intensamente na nossa oferta principal, incluindo a celebração dos produtos britânicos, que são a nossa imagem de marca, e na ampliação da nossa integração online e offline».

Bailey alerta para a incerteza do mercado, mas mostra-se decidido a continuar a gestão dinâmica da marca, «capitalizando oportunidades significativas do seu canal, região e produtos, de forma a criar valor para os acionistas».

A Burberry limitou as suas previsões sobre o lucro dos sectores do retalho e grossista para 2016, ficando aquém das expectativas, devido a movimentos cambiais desfavoráveis.