Início Notícias Vestuário

Burberry volta a cortar

Depois de ter consolidado as linhas, concentrado as mostras masculina e feminina em desfiles mistos e reduzido o compasso de espera pelas coleções com a implementação do modelo ver agora/comprar agora, a marca britânica Burberry voltou a cortar e decidiu reduzir entre 15% a 20% a sua oferta de produtos.

Em linha com as expectativas, na semana passada, a Burberry publicou uma queda de 24% no lucro do primeiro semestre. De resto, as marcas de luxo têm conhecido tempos difíceis, com a desaceleração do crescimento na Ásia, uma queda nos gastos dos turistas na Europa, depois de vários atentados terroristas, e a concorrência das cadeias de moda rápida.

A 19 de setembro, a casa de moda britânica apresentou a sua versão do modelo ver agora/comprar agora, anunciando uma nova era para a indústria, na qual os consumidores podem levar para casa as peças acabadas de desfilar na passerelle (ver Ver agora/comprar agora na Burberry). Antes disso, já havia iniciado um processo de consolidação, com o fim da Burberry London, Burberry Brit e Burberry Prorsum (ver O tudo em 1 da Burberry).

Na semana passada, a diretora financeira da Burberry, Carol Fairweather, anunciou que a empresa iria reduzir as suas linhas de produtos ainda antes do Natal e dar maior destaque aos produtos novos, como a bolsa The Bridle, um dos artigos mais vendidos em setembro. «Estamos muito satisfeitos com tudo o que temos preparado para a quadra natalícia», afirmou Fairweather à Reuters.

A Burberry, que lançou uma curta-metragem sobre o seu fundador, Thomas Burberry, como campanha de Natal, reportou um lucro antes de impostos de 146 milhões de libras (aproximadamente 169 milhões de euros), refletindo algumas dificuldade em mercados como os EUA e Hong Kong.

A empresa já havia anunciado uma queda de 4% nas vendas do semestre para 1,16 mil milhões de libras no mês passado, com a fraca procura em alguns mercados estrangeiros a ser compensada pelo incremento das vendas no mercado interno, com os turistas a aproveitarem uma libra mais baixa.

As ações da Burberry, juntamente com as de outros grupos de luxo como o LVMH, caíram na quarta-feira passada depois da vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais norte-americanas (ver A Europa depois da vitória de Trump), que aumentou a incerteza sobre as perspetivas para a economia global. A icónica marca do xadrez faz aproximadamente 20% das vendas nos EUA.

Os analistas do Citibank sublinharam ainda que as eleições norte-americanas e a volatilidade da taxa de câmbio podem afetar a confiança dos consumidores e a procura global de luxo. «Consideramos os acontecimentos políticos uma fonte potencial de perturbação da procura de luxo em alguns dos principais mercados (EUA, França, Alemanha, Itália, Hong Kong), onde eleições e outros eventos políticos estão a ocorrer», resumiram.