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Burkini: proibição dispara vendas

Depois das notícias que deram conta de uma mulher obrigada a tirar o burkini numa praia de Nice, em França, se terem multiplicado nos media e gerado uma onda de indignação nas redes sociais, a designer creditada como criadora da peça afirma que as vendas escalaram 200%.

Se a proibição do uso da burka e do niqab em espaços públicos não causaram particular celeuma – afinal, como resumem muitos opinion makers, trata-se de deixar o rosto descoberto e garantir que todos possam ser responsabilizados pelos seus atos – a tentativa de banir a utilização do burkini, uma peça de nome infeliz que mais não é do que um fato de banho que apenas deixa ver a face, mãos e pés de quem a usa, está na ordem do dia.

Esta semana, a imagem de uma mulher muçulmana abordada por vários polícias numa praia de Nice, correu o mundo. Alegadamente, os polícias obrigaram a mulher a despir o fato de banho de corpo inteiro que usava e pagar uma multa com o argumento de não estar usar roupa que “respeitasse os bons costumes e o secularismo”.

Nice não é um caso isolado: o burkini já foi proibido em 15 localidades francesas, numa altura sensível para o país e, particularmente, para Nice, depois do atentado terrorista perpetrado por um muçulmano que ceifou a vida a mais de 80 pessoas no passado mês de julho. Outros municípios do país anunciaram o desejo de tomarem medidas idênticas.

“Islamofobia não é liberdade” foi apenas um dos cartazes erguidos por estes dias pelos protestantes na embaixada francesa em Londres. Nas redes sociais multiplicam-se imagens que cruzam a fotografia da Nice com imagens dos anos 1925, quando a verdadeira “polícia dos costumes” controlava as praias medindo a quantidade de pele descoberta e multando caso a roupa de banho mostrasse mais do que o estipulado.

Aheada Zanetti, mulher que terá feito nascer da peça, veio também esclarecer, em declarações à Reuters, que «o burkini foi desenhado por uma questão de liberdade, flexibilidade e confiança. Foi desenhado para ser integrado na sociedade australiana».

A designer que cresceu na Austrália e registou as palavras burkini e burqini, reclama que a sua invenção, datada de 2004, deu liberdade às mulheres muçulmanas, que agora lhes querem tirar.

Apesar da polémica que envolve o burkini, Aheada Zanetti não poderia viver melhor momento nos negócios, com a proibição do uso da peça a fazer disparar as vendas – online, as encomendas cresceram 200%. «Posso dizer que online, no domingo, recebemos 60 pedidos – todos eles não muçulmanos», revela a designer de 48 anos, que habitualmente contabiliza entre 10 a 12 encomendas aos domingos e que tem, por exemplo, clientes que sobreviveram ao cancro da pele e que compram os seus artigos como proteção para os perigos da exposição solar.

Zanetti afirma que tem ainda colhido inúmeras mensagens de apoio – e apenas um email depreciativo – referindo-se às proibições franceses. «O apoio que estou a receber é, de certa forma, sobre poder feminino», admite. «As mulheres uniram-se em torno disto, independentemente da etnia ou religião»,

Sobre a decisão das localidades que já baniram a utilização da peça, a designer acredita que os franceses «não entenderam o burkini» e que qualquer pessoa, independentemente da sua religião, pode usar a peça.

Também a Marks & Spencer, que vende este tipo de artigos há três anos – primeiro no Dubai e na Líbia, depois em Londres e no portal de comércio eletrónico – está a desfrutar da querela à volta dos burkinis, noticia o The Independent. A retalhista britânica anunciou que, por estes dias, a sua gama de burkinis da coleção primavera-verão, esgotou.