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Cabeças bem protegidas

Apesar de as proteções para a cabeça representarem um segmento importante do mercado de equipamentos desportivos, os capacetes de desporto permaneceram essencialmente inalterados ao longo de décadas, com os grandes produtores e a indústria de testes a capacetes a evidenciarem resistência à mudança. No entanto, diversas empresas têm vindo a apostar no desenvolvimento de tecnologias que podem proporcionar um maior nível de proteção para os desportistas e mitigar os efeitos das lesões traumáticas na cabeça, nomeadamente a concussão. Uma dessas empresas é a MIPS AB, que desenvolveu o Sistema de Proteção de Impacto Multidirecional (sigla em inglês de Multi-directional Impact Protection System). Esta tecnologia proporciona um aumento do nível de proteção da cabeça contra os choques oblíquos, que constituem uma das principais causas de concussão. Num capacete com tecnologia MIPS, o invólucro e o revestimento interior estão separados por uma camada de baixo atrito, permitindo que o invólucro gire em relação ao forro quando o capacete está sujeito a um impacto oblíquo. Desta forma, o casco é capaz de absorver grande parte da aceleração rotacional durante o impacto. A tecnologia MIPS ganhou força significativa no mercado desde o seu desenvolvimento em 2009 e foi incorporada em capacetes para equitação, ciclismo e desportos radicais por uma série de empresas, incluindo Back on Track, POC e Scott Sports. Na mesma linha, a Phillips Helmet desenvolveu o Sistema Phillips de Proteção da Cabeça (sigla em inglês de Phillips Head Protection System). Este tem uma membrana flexível lubrificada sobre o exterior do capacete e pode reduzir a força de rotação sobre o cérebro em mais de 60% nos milissegundos críticos na sequência de um impacto na cabeça. Como resultado, o sistema é capaz de reduzir significativamente o traumatismo craniano e o risco de uma lesão cerebral traumática. A tecnologia provou ser popular e foi adotada pela Lazer, produtora belga de capacetes para motociclismo, na sua linha de capacetes SuperSkin. Além disso, uma série de empresas de desporto parecem ter reconhecido o potencial de crescimento do mercado de equipamentos de proteção da cabeça e estão a desenvolver produtos inteligentes para utilização numa variedade de desportos. A Reebok tem trabalhado com a MC10, uma empresa de tecnologia com sede nos EUA, para desenvolver o seu capacete de desporto CheckLight, que é capaz de detetar quando um atleta recebeu um duro golpe na cabeça. Já a Adidas tem trabalhado com a Ayrtek para desenvolver a sua gama de capacetes AdiPower para a prática de críquete. Os capacetes incorporam um revestimento patenteado, batizado Sistema de Impacto por Almofada de Ar, que permite ao utilizador obter um ajuste sob medida insuflando o forro através de uma bomba de ar ou esvaziando-o através de uma válvula de liberação de ar. No futuro, as tecnologias para os equipamentos de proteção da cabeça deverão proporcionar oportunidades acrescidas para as empresas capitalizarem com o crescimento do mercado dos equipamentos desportivos, à medida que aumenta a procura por este tipo de produtos.