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Cadeia de valor devia ser mais extensa

A dificuldade fulcral com que se depara a indústria têxtil e de vestuário nacional é a pequena extensão da cadeia de valores. Esta é, pelo menos, a opinião do secretário de Estado da Indústria expressa em declarações ao Diário de Notícias. Neste contexto, Vítor Santos sublinha que «as indústrias concentram a sua atenção na produção e tendem a valorizar tudo, menos o que está a montante da produção, como a inovação e a concepção, e a jusante, designadamente o marketing, a comercialização, a distribuição e a internacionalização». Outra debilidade a considerar no sector é a qualificação. Vítor Santos considera que «o problema não é criar emprego, nem procurar compatibilizar a oferta de qualificações por parte do ensino, mas sim procurar pessoas para a mudança». No âmbito de um desafio mais corrente surge o conceito das tecnologias de informação, cuja utilização se encontra mais difundida no sector dos serviços do que na indústria, implicando, segundo Vítor Santos, que se atenda à importância da gestão da produção, da logística e da gestão de stocks. Nesta última, refira-se a necessidade de substituir o habitual just-in-time pela rapidez de resposta.

Observa-se que o consumo deixou de se orientar para uma estação inteira, obrigando as cadeias de pronto-a-vestir a apostar em colecções pequenas, com menor número de referências e uma elevada rotação de stocks, como é o caso da renovação realizada de 15 em 15 dias pelo grupo Inditex nas suas lojas da Zara.

A crescente globalização e a total liberalização do comércio mundial deste sector em 2005 são os dois maiores desafios, relativamente aos quais Vítor Santos e António Marques, da federação dos sindicatos do sector (Fesete), adiantam que está a ser preparada uma resposta do sector ao nível da competitividade, investindo na qualificação e na qualidade. António Marques adianta que a aposta dos artigos nacionais deve ser nas gamas média e alta, considerando Vítor Santos que o segmento com maior fragilidade será o da moda feminina, pela sua maior exigência, apresentando Portugal vantagens comparativas nos segmentos masculino e infantil.

No actual contexto das presentes negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC), o secretário de Estado da Indústria adianta que o Governo, a presidir à UE neste primeiro semestre de 2000, está a assegurar «a manutenção do calendário e a reciprocidade». «No âmbito da UE tem havido um cumprimento escrupuloso do regulamento da OMC, mas o mesmo não acontece relativamente a alguns países terceiros, nossos parceiros comerciais», esclarece.

Acrescente-se que as áreas do mercado e legislação laborais, protecção do ambiente e preocupação social são as que continuam a originar as maiores divergências.