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Calçado e sinergias na Springkode

A plataforma de comércio eletrónico Springkode está na corrida para lançar o segmento de calçado no modelo de negócio regido pelo conceito loja de fábrica. Além de integrar o programa Google Startups Growth Lab em Portugal, a Springkode soma novas fábricas parceiras que se unem em prol da transparência e sustentabilidade.

Reinaldo Moreira

Com o objetivo de analisar o ano de 2019 e projetar o futuro, dia 23 de janeiro a Springkode juntou as fábricas parceiras numa reunião que «superou as expectativas». Entre os tópicos destacou-se o que correu bem e o que correu menos bem no caminho percorrido pela plataforma de comércio online. «Foi um momento de reflexão sobre o que nós aprendemos, aquilo que fizemos em 2019 e projetar 2020 com toda a gente alinhada, com toda a gente consciente relativamente aos objetivos, mas também conscientes de que antes dos objetivos existe uma visão e uma missão que temos de estar todos conscientes de qual é», refere Reinaldo Moreira, CEO da Springkode.

A visão comum assenta numa conexão que liga diretamente o consumidor às fábricas parceiras através de uma relação pautada pela rastreabilidade, transparência, circularidade e sustentabilidade. «É uma ambição muito grande, uma visão de longo prazo como todas as visões o são e nós, até à data, estamos a trabalhar a componente da rastreabilidade que é a primeira fase. O produto tem de ser rastreável e para ser rastreável eu tenho que saber a que confeção pertence, de onde é que veio, quem é que fez este produto», explica o CEO.

A fase seguinte das metas estipuladas pela Springkode passa por conhecer a origem da matéria-prima e as condições em que foi feita. «Essa informação nós vamos conseguir trazendo a bordo fábricas que já não estão num nível da confeção, que estão antes na produção de matérias-primas, como é o caso da Tintex que trouxemos recentemente para a plataforma e outras que se juntarão», completa.

A Springkode, de resto, aumentou o número de aliados. A empresa Lopes & Carvalho, de Vila Nova de Famalicão, e a Consifex, sediada em Barcelos, estão agora a iniciar a ligação com a plataforma eletrónica que conta já com um total de 17 fábricas parceiras.

Propósitos e cooperação

São várias as razões que levam as empresas a fazer parte da comunidade da Springkode, nomeadamente aumentar o número de mercados, o volume de negócios e a visibilidade. No entanto, a palavras de ordem é mesmo sustentabilidade. «O nosso objetivo deve ser comum aos colegas, é realmente vender o nosso produto de uma forma direta e escoar os stocks das matérias-primas, aumentar a sustentabilidade. Acho que deve ser a razão pela qual todos os parceiros estão neste projeto», afirma Adília Silvia, CEO da Consifex. Para a Scorecode, membro da iniciativa Gobal Compact das Nações Unidas, o propósito é de «ordem maior». «O nosso objetivo é conseguirmos usar todo o nosso stock para assim podermos poupar 400 milhões de litros de água. Esse é que é o grande objetivo da Scorecode e queremos usar a plataforma da Springkode para o atingir», destaca Daniel Mota Pinto, diretor de estratégia da Scorecode.

Daniel Mota Pinto

Subsequente à integração das empresas na plataforma, que se diferencia pela qualidade, advém um ambiente de cooperação entre os parceiros envolvidos. «Não faz sentido as coisas ficarem num canto a estragar-se. Pelo contrário, nós temos é que saber olhar para o que está dentro de portas e reutilizar, fazer upcycling, juntar com outras matérias, daí haver a possibilidade de colaborar com outra empresa. Eu não tenho o tecido que pretende, mas pode ser que a empresa que está no grupo tenha e, se calhar, se ele precisar de acessórios, tenho eu. Isso é ótimo, porque não temos que ir comprar, não temos que fazer novo, temos é de saber reutilizar o que cada um de nós tem», explica Cátia Pereira, designer e controladora de qualidade da Confecções Manuela & Pereira.

Crescer com saltos altos

Em julho do ano passado, a plataforma de comércio online, que foi convidada pela Google para constituir o primeiro Growth Lab em Portugal, integrou o segmento de homem no site. Contudo, as novidades têm pernas para andar, uma vez que a estreia no segmento de calçado está já em «negociações avançadas», com uma previsão de lançamento para o primeiro trimestre de 2020. «Estamos à procura ativamente de alargar a nossa oferta que hoje está limitada ao vertical da roupa, alargá-la para outros verticais de negócio, como sendo o calçado, os acessórios, eventualmente o têxtil-lar, porque acreditamos que o modelo que temos e o feedback que recebemos legitima essa adição ao negócio», adianta Reinaldo Moreira.

Com um tráfego «consistente» e a gerar 1.000 visitas diárias ao site, que transcendeu a presença em Portugal ao contar com os mercados de Espanha e Reino Unido, os próximos passos da Springkode visam aumentar a visibilidade da plataforma. «Temos alinhadas várias possíveis parcerias, colaborações com pessoas relacionadas com a indústria da moda que poderão auxiliar-nos a gerar mais awareness, maior divulgação do projeto», assume o CEO. «Para além disso temos vontade de prosseguir com mais iterações, mais testes de modelo pull, o modelo em que trabalhamos o pre order, o make to order. São ideias muito interessantes que já testamos em alguma medida durante 2019, mas que queremos replicar e aprofundar durante 2020», conclui.