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Calçado versão 3.0

Evolução, não revolução” é a mensagem principal na tecnologia para calçado de performance contemporâneo, que é cada vez mais leve, mais conectado e com novas características para servir os desportistas profissionais e os praticantes comuns que não dispensam uma corrida ou um jogo de futebol no final do dia.

Sem grandes revoluções, os novos modelos de calçado de performance que estão a chegar ao mercado apresentam, sobretudo, desenvolvimentos de tecnologias atuais ou a adaptação a outras práticas desportivas, muitas vezes com um único par a combinar várias funcionalidades. Esta “pausa tecnológica”, como descreve o gabinete de tendências WGSN, está também a levar muitas marcas a revisitar os seus arquivos e tecnologias incipientes e retrabalhá-las em novas aplicações para uma nova geração de calçado vencedor.

Jogos de luz
Ao contrário das tecnologias focadas na segurança na transição do dia para a noite, como refletores e brilho no escuro, as novas tecnologias cromáticas focam-se na performance, traduzindo a atividade física numa resposta visual. Nos novos lançamentos da Nike e da Adidas, as chuteiras de futebol e ténis de corrida utilizam materiais inovadores que mudam de cor em resposta ao movimento e calor corporal, transformando o calçado num monitor de performance básico.

Esta resposta visual é única a cada utilizador, criando uma assinatura ativa individual. Já os ténis inteligentes Orphe têm um sistema de luzes customizável que responde ao movimento e ao som. Fazendo eco da tendência de vestuário de artigos que se adaptam à atividade e ao ambiente, o calçado modular olha para o futuro. Uma abordagem disruptiva ao design afasta-se das construções tradicionais de corte e costura e usa materiais moldáveis e sustentáveis.

Individual e customizável, o calçado modular é importante para exercícios no ginásio, tradicionalmente realizados descalços, e para os desportos extremos, podem ser acrescentadas solas e redes diferentes para utilização em terrenos pedregosos e em condições de chuva. Embora os ténis de corrida minimalistas tenham tido o seu momento de fama, isso pode ser coisa do passado. Exibidos por marcas de outdoor como a Hoka e a Altra, os ténis maximalistas apresentam solas espessas tipo desenho animado que usam princípios semelhantes aos pneus de bicicleta grossos. Ao terem uma ótima tração e amortecimento, os ténis maximalistas reduzem a fadiga muscular e o tempo de recuperação.

Energia sem cordões
Usada inicialmente no calçado de corrida, a maior parte das tecnologias que devolvem energia como a Speedfoam da Under Armour e a Boost da Adidas utilizam espuma tecnologicamente avançada que amortece e dá “um retorno explosivo de energia”. Em alternativa, o sapato de suspensão da Enko usa choques mecânicos para impulsionar o pé para a frente. A marca APL levou o retorno de energia para os campos de basquetebol com resultados interessantes.

A sua tecnologia que melhora os saltos Load’ N Launch foi considerada tão eficiente que foi banida na Liga Nacional de Basquetebol dos EUA, uma ação que a APL descreveu como «para a marca, a melhor coisa que aconteceu». 2015 é, teoricamente, o ano em que a Nike vai finalmente desvendar ténis que se apertam sozinhos. Mas para quem não quer esperar por esta mudança de paradigma, há várias inovações para simplificar a tarefa de calçar os ténis. É o caso do Powerlace, com um sistema mecânico de cabos ativado por pressão para “atar” os ténis à volta do pé. Semelhante à tecnologia usada no sistema da Boa, a tensão é ajustada através da língua dos ténis. Num nível mais simples mas igualmente muito funcional, o Zubit é um fecho magnético que substitui atar os cordões e elimina o risco dos cordões se desapertarem no meio de uma corrida.

Sempre ligados
Direcionados para os fãs de ténis, as marcas e retalhistas estão a usar aplicações para ligar os seus consumidores e mudar a forma como compramos. A nova aplicação da Footlockers é um centro “tudo-em-um” que permite que o consumidor compre e verifique as datas de lançamento e na loja, e inclui emojis de ténis que podem ser partilhados nas redes sociais. A aplicação SNKRS da Nike é descrita como uma “fonte interna” para colecionadores de ténis que procuram os modelos mais cobiçados.

Depois de no ano passado ter lançado a aplicação de customização de fotografias #miFlux, a Adidas fez uma parceria com o Spotify para lançar uma aplicação de treino que faz corresponder a música à passada e ritmo do utilizador. A conectividade faz também através de solas inteligentes, que recolhem dados em tempo real. A Digitsole não só tem as mesmas características de uma sola interior, como faz a ligação a uma aplicação para estimar as calorias gastas e contar os passos.

Frescos e leves
Manter os pés frescos e secos durante uma atividade física é um desafio, mas uma nova onda de tecnologias inovadoras pretende resolver este problema, permitindo que os atletas se mantenham confortáveis e, assim, tenham boas performances durante mais tempo. Embora tanto a Adidas Climachill como a tecnologia Breathe da Nike usem construções mecânicas para conduzir fluxos de ar e aumentar a respirabilidade, é a tecnologia PWRCool da Puma que deverá mudar o jogo. O forro Comfortemp regula a temperatura corporal e um estampado ativado pela humidade no interior arrefece quando o utilizador transpira, não sendo por isso necessário usar meias. Para as chuteiras de futebol, o contacto é essencial.

Mas enquanto as chuteiras do passado se focavam em melhorar a performance dos jogadores através de um melhor contacto com o relvado, as mais recentes inovações focam-se em dar um melhor controlo da bola. Leves, dando um sentimento de descalço, estas chuteiras hápticas incluem várias inovações táteis. Na vanguarda, a chuteira ACE15 da Adidas tem uma “rede de controlo” única, um material 3D com uma superfície EVA que melhora a fricção entre a chuteira e a bola.

A Hypervenom II da Nike e a UX-1 da Umbro têm um mapeamento estratégico das áreas com forte contacto com a bola para um toque melhorado. Melhorar a performance através da redução do peso e da libertação dos ténis de elementos não-essenciais continua igualmente entre as prioridades. Evoluindo da mesma tendência registada no vestuário, o calçado de performance, especialmente no futebol e corrida, usa novos materiais e construções inovadoras para eliminar todo e qualquer excesso.

Com um peso de apenas 99 gramas, a chuteira Adizero da Adidas é a primeira abaixo dos 100 gramas. A sua construção minimalista usa uma sola exterior de um milímetro em poliamida e uma parte de cima superleve que confere proteção. Na corrida, os Flyknit Luna, da Nike, têm também uma sola extremamente leve que faz com que o utlizador sinta quase como se estivesse descalço, cumprindo a promessa “feita leve para ir longe”.