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Calendário da moda segue online

Mesmo com a nova realidade a condicionar a concretização dos eventos de moda, o certo é que os desfiles e as negociações continuam. Segundo a GlobalData, o canal online é um palco «bem-sucedido» em manter a indústria ligada.

London Fashion Week

«As preocupações com a saúde e com as viagens mexeram com o calendário de eventos do sector [da moda], o que levou ao cancelamento massivo de eventos em todo o mundo. Mas a tecnologia moderna da atualidade pode ajudar, com um número crescente dos organizadores de ferias a optar por alternativas digitais, para manter o diálogo fluido na indústria», afirma Beth Wright, responsável de vestuário da GlobalData, empresa de análise do mercado.

Aa feiras, as exposições, as conferências e os seminários desempenham um papel crucial na ligação entre os fornecedores e os compradores, para além de inspirarem as coleções das novas estações. As feiras atuam como uma plataforma que dá a oportunidade às empresas de lançar novos produtos e destacar as tendências e preocupações da indústria.

Para evitar o adiamento de mais eventos ou até mesmo o cancelamento, as organizações estão a recorrer ao formato digital para cumprir o calendário. Exemplo disso é a Kingpins24, que criou a versão online da feira de denim de Amsterdão, que incluiu a transmissão em tempo real de painéis e entrevistas. De acordo com a entidade responsável pela organização do evento, o conteúdo que foi também exposto pelos expositores durante a emissão foi visto por milhares de pessoas.

Kingpins24

A seguir esta alternativa está a Make It British, uma plataforma que promove os produtores e as marcas britânicas, que está a ponderar concretizar o evento virtualmente. «A indústria é sobre fazer ligações e reunir as cadeias de aprovisionamento e podemos fazê-lo facilmente de forma virtual, assim como o fazemos em conjunto num grande espaço», explica Kate Hills, fundadora da Make it British. «Temos o software e a capacidade para o fazer agora. Trata-se de reuniões presenciais e podemos realizá-las através da webcam com a mesma facilidade que estamos uns ao lado dos outros», acrescenta.

À semelhança da Make It British, a Sewn Products Equipment & Suppliers of the Americas (SPESA) está a considerar a possibilidade de tours em vídeo e outras tecnologias online para expor os produtos dos respetivos membros, enquanto a Apparel Textile Sourcing Trade Shows criou a iniciativa Apparel Textile Sourcing Virtual (ATSV) para complementar o calendário de 2020.

«As exibições podem continuar durante a crise de Covid-19 com a ajuda da tecnologia e do software atuais. Aderir aos eventos digitais da indústria encoraja os compradores e os fornecedores a manter a ligação e permite que o diálogo-chave continue em toda a cadeia de aprovisionamento, ao mesmo tempo que promove a colaboração necessária do sector perante a crise», aponta Beth Wright.

A responsável de vestuário da GlobalData destaca ainda o aumento do número de participantes nos eventos, uma vez que este tipo de formatos não requer qualquer tipo de deslocação, o que faz com que exista maior acessibilidade para todos com a comodidade de não sair de casa.

«Os organizadores têm de recriar o sucesso dos eventos físicos da indústria para resistir aos tempos de tempestade, mantendo o diálogo constante em tempos difíceis. Também vai ser interessante ver se os eventos virtuais se vão tornar um alicerce do calendário da indústria da moda no pós-pandemia», conclui.