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Calvelex continua na luta pela Jaeger

Os credores da Jaeger, liderados por César Araújo, administrador da Calvelex, continuam a contestação à insolvência da marca britânica de luxo. A recente reunião com os administradores de insolvência resultou na criação de um comité consultivo informal, para investigar os meandros do negócio.

Num processo que se arrasta há meses, o grupo de credores da Jaeger continua a procurar explicações para o negócio feito pela Better Capital – que detinha a marca britânica – em abril, apenas uns dias antes do pedido de insolvência (ver Calvelex questiona negócio da Jaeger) – e as decisões tomadas pela AlixPartners, administradora de insolvência, representada por Peter Saville, Ryan Grant e Catherine Williamson.

O administrador da Calvelex lidera um grupo de 16 credores de diferentes países europeus na contestação ao negócio e, recentemente, adquiriu ações da Better Capital para poder questionar a administração sobre o processo (ver Credores pressionam administração da Jaeger).

O encontro a 30 de junho com os administradores de insolvência, solicitado por este grupo de credores, resultou na criação de um comité consultivo informal, constituído por fornecedores que perderam dinheiro com a insolvência da Jaeger. «Queremos saber onde começa e acaba responsabilidade de diretores e do acionista», afirma César Araújo.

Entre as várias dúvidas levantadas na reunião, incluindo a retirada de apoio financeiro da BECAP 12 Jaeger Limited (subsidiária da Better Capital) ao grupo Jaeger e da venda da propriedade intelectual e de marcas registadas apenas dias antes do pedido de insolvência, os credores questionam ainda a continuação das compras aos fornecedores e a aceleração da entrega das encomendas, quando o plano de insolvência já estaria, alegadamente, delineado. «Se eles aceleraram as compras já com um plano, os diretores estavam a cometer uma ilegalidade», explica o administrador da Calvelex ao Portugal Têxtil.

Com este conjunto de medidas, o grupo de credores tem como objetivo,

além de uma possível ação legal sobre os responsáveis pelas decisões de gestão, «anular o negócio ou conseguir que os fornecedores sejam pagos», uma vez que a dívida ascende a «milhões de euros».

Ao Portugal Têxtil, César Araújo adianta que «os próximos passos passam por ir a uma nova reunião com a AlixPartners e também à reunião de acionistas da Better Capital, da qual ainda serei notificado, para perceber as investigações que estão a ser feitas ao negócio».

Do lado da AlixPartners, um porta-voz da administradora da insolvência garantiu ao site britânico just-style.com, que «como é comum com todos os casos de insolvência, vamos continuar a manter um diálogo aberto com os credores e vamos continuar a explorar opções para o negócio».

Para César Araújo, contudo, não é só este negócio que está em causa mas toda a legislação de insolvência do Reino Unido que, destaca o administrador da Calvelex, implica elevados riscos para os fornecedores.  «A legislação deveria ser alterada para garantir uma maior proteção aos funcionários e aos credores não seguros de empresas que entram em administração ou liquidação».

A queda de um ícone

Fundada em 1884, a Jaeger tornou-se conhecida e preferida por estrelas como Audrey Hepburn e Marilyn Monroe, mas os últimos anos foram de declínio, tendo passado de um volume de negócios de 84,2 milhões de libras no ano fiscal de 2015 para 78,4 milhões de libras em 2016, com um prejuízo bruto de 5,4 milhões de libras.

Glen Tooke, diretor de informação de consumo na Kantar Worldpanel, afirmou ao just-style.com que a Jaeger está há anos a tentar compreender completamente o seu consumidor-alvo. «As coleções na London Fashion Week e designs mais vanguardistas podem ser atrativos para os jovens consumidores, mas com as pessoas entre os 45 e os 54 anos a representarem um quinto do consumo, a tendência da Jaeger para os ignorar prejudicou fortemente a marca», resumiu.