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Calvelex na corrida pela Jaeger

A Calvelex integra o consórcio que está a fazer uma proposta de compra da Jaeger. A empresa têxtil portuguesa tem Harold Tillman, que liderou a marca de moda de 2003 a 2012, do seu lado e ambiciona não só desenvolver a insígnia britânica, mas também contribuir para a verticalização do negócio da moda em Portugal.

«Acredito na verticalização do negócio e Portugal deve apostar em marcas e ter canais de distribuição à escala europeia e até mundial», afirma César Araújo, administrador da Calvelex, ao Portugal Têxtil. O empresário português esteve em Londres esta semana e, juntamente com outros fornecedores, fez já uma proposta pela aquisição da casa de moda, detida pela empresa de private equity Better Capital, que a 5 de abril apresentou um pedido de insolvência.

A Calvelex, que tem a Jaeger como cliente há 20 anos, integra um grupo de fornecedores a quem a marca britânica deve «milhões», explica César Araújo. «O grupo pediu a Harold Tillman, ex-presidente do conselho de administração e proprietário entre 2003 e 2012, quando o negócio era um enorme sucesso, para liderar o negócio novamente e recrutar a equipa que o tornou bem-sucedido», revela o empresário português, que acredita que a insígnia «pode tornar-se líder de mercado novamente».

As pretensões deste grupo de fornecedores vão ainda mais longe, estando a solicitar ao governo britânico uma mudança da legislação. «Os fornecedores acreditam que é importante que o governo britânico reveja as leis de insolvência no Reino Unido para permitir um campo de jogo mais nivelado, mais ético e moral, que dê aos credores acesso à informação e a oportunidade de ter uma palavra a dizer sobre o futuro das empresas em administração», explica César Araújo. «É cada vez mais difícil para os fornecedores fazerem negócios no Reino Unido sem correrem o risco de perder dinheiro em caso de insolvência de um cliente», sublinha.

Os altos e baixos de uma história com 133 anos

A Jaeger é uma referência da moda britânica. Tendo sido fundada em 1884 por Lewis Tomalin como Dr. Jaeger’s Sanitary Wollen System Co – um nome que pretendia homenagear o zoologista alemão Gustav Jaeger, que promoveu a utilização de fibras naturais animais no vestuário –, a marca mereceu a distinção de fornecedor oficial da família real inglesa em 1910. Em 1919 lançou o primeiro casaco com pelo de camelo e com isso ganhou a preferência das mulheres londrinas, que invadiram a sua flagship em Regent Street, conta o jornal inglês Independent.

Os últimos anos, contudo, têm sido conturbados, com a marca a sentir dificuldades em adaptar-se às preferências das consumidoras atuais, o que afetou o negócio. Em 2012, 90% da Jaeger foi vendida por Harold Tillman à empresa de private equity Better Capital, por 19,5 milhões de libras (cerca de 23,3 milhões de euros), com Tillman a manter uma quota de 10%.

Depois de ter colocado anteriormente a marca no mercado sem sucesso, a Better Capital terá vendido, a 30 de março, a dívida da Jaeger, no valor de 7 milhões de euros, a uma empresa controlada pelo bilionário Philip Day, que lidera a Edinburgh Wollen Mill. Segundo os meios de comunicação britânicos, a Edinburgh Wollen Mill está igualmente na corrida para a aquisição.

Atualmente a Jaeger emprega cerca de 680 pessoas em 46 lojas, 63 concessões, na sede em Londres e no centro de logística em Kings Lynn, mas a administração, que está atualmente a cargo da Alix Partners, já anunciou que pretende encerrar 20 lojas «financeiramente inviáveis», o que deverá levar ao despedimento de 200 pessoas.