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Calvelex valoriza know-how

Concentrada na produção de vestuário formal para senhora, a empresa quer continuar a apostar nas valências industriais e competências dos seus cerca de 700 trabalhadores, enaltecendo o conceito de alfaiataria. Ao mesmo tempo procura desenvolver marcas próprias e investir em energia solar.

César Araújo

O mantra “a união faz a força” nunca fez tanto sentido e é nessa disposição que César Araújo, administrador da Calvelex, se juntou à iniciativa Zona Industrial ModaPortugal. «É um acontecimento único. Nunca trouxeram uma fábrica para a Semana de Moda. E nós achamos que havia esta oportunidade de mostrar um Portugal moderno, com uma indústria sofisticada e igualar-se à moda, porque moda sem indústria não existe. Então trouxemos fábricas sofisticadas e modernas», revela ao Jornal Têxtil.

Com 700 trabalhadores, a Calvelex conta com três fábricas e dois centros logísticos, mas César Araújo acredita que, a somar ao know-how dos seus funcionários, a força da empresa se faz também do meio que a rodeia. «Quando um cliente vai a Portugal, eu quero que ele vá não só à Calvelex, mas que vá a mais empresas», afirma. «Quando Portugal está no radar dos clientes, beneficiamos todos e com uma grande vantagem: todo o nosso ecossistema está, no máximo, a duas horas do Grande Porto. Quer dizer que numa semana o cliente consegue visitar muitas empresas», explica o administrador.

Sustentabilidade em foco

A Calvelex está também atenta à sustentabilidade embora, sublinha César Araújo, é desde logo a montante que a questão se coloca. «A sustentabilidade não nasce na fábrica, nasce na criação. O designer, quando desenvolve um produto, tem que ter consciência ambiental. A indústria tem que estar preparada para responder aos seus clientes», considera. Além disso, destaca, «há um caminho que toda a sociedade e o próprio consumidor têm de fazer. O consumidor tem que ter consciência que quanto mais os produtos são sustentáveis, mais caros eles vão ser».

Do lado da empresa, a Calvelex já usa energia solar nos centros logísticos e, depois da conversão para iluminação LED, deverá alargar a instalação de painéis fotovoltaicos às unidades produtivas nos próximos anos. «Vamos efetuar um investimento entre 700 mil e um milhão de euros e prevemos que esteja pago em seis ou sete anos», aponta César Araújo. «Temos consciência que temos, cada vez mais, de ter pegadas ecológicas. Temos essa consciência e já estamos a fazer esse caminho da sustentabilidade, reutilização e economia circular. Isso já está na nossa agenda, mas leva o seu tempo», afirma.

O trunfo das marcas

A empresa está também a reforçar a sua presença internacional a jusante, com o desenvolvimento de duas marcas próprias: a Frenken, cuja nova coleção esteve num showroom em Paris durante a Paris Fashion Week de moda feminina, e a Helen McAlinden. «São produtos sofisticados porque, com estas marcas, estou a competir com os melhores, e no melhor sítio», assegura César Araújo. As coleções destas marcas são produzidas em Portugal e vendidas em cerca de 20 países. «Vamos fazendo esse percurso sem grandes pressas, porque exige um esforço financeiro muito grande», admite o administrador da Calvelex.

Com uma forte aposta na mão de obra qualificada, que César Araújo acredita que dificilmente poderá ser substituída por maquinaria, a produtora de vestuário está empenhada em vender menos mas com mais valor acrescentado. «Estamos a fazer peças de pessoas para pessoas. Há clientes preparados para pagar um produto mais caro e que seja manual», confidencia. Por isso mesmo, a Calvelex reduziu o número de peças produzidas anualmente, que rondam agora as 800 mil.

Sem desvendar o volume de negócios da empresa, César Araújo reconhece que «a Calvelex tem impacto na economia porque cria emprego. É um ecossistema. O que interessa é produzir em Portugal».