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Calzedonia ameaça Victoria’s Secret

O grupo italiano, que inclui as marcas Intimissimi, Calzedonia e Falconeri, está a preparar a abertura de lojas do outro lado do Atlântico, numa estratégia de crescimento que se apoia no aumento da notoriedade das suas marcas e na conquista de novas clientes.

A Victoria’s Secret terá, em breve, nova concorrência no seu mercado interno, revelou Sandro Veronesi, o bilionário que detém o Grupo Calzedonia, que vendeu 1,8 mil milhões de euros em roupa interior e vestuário no ano passado.

«Vamos começar talvez em Nova Iorque, que é uma cidade de moda, e depois vamos expandir-nos para as principais cidades», explicou Veronesi numa entrevista ao canal de televisão Bloomberg. «Há um concorrente dominante nos EUA, mas é talvez essa a razão por que as mulheres gostariam de ter uma alternativa», acrescenta.

A empresa vende lingerie da Intimissimi, meias da Calzedonia e vestuário em malha da Falconeri através de uma rede de mais de 3.800 lojas, sobretudo localizadas na Europa. O italiano de 55 anos detém 84% do negócio e tem uma fortuna de 2,4 mil milhões de dólares (2,1 mil milhões de euros), segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg.

A produtora de roupa interior tem cinco lojas em Hong Kong e no Japão e não está a planear expandir-se mais na Ásia, onde os consumidores se têm mostrado relutantes em mudar dos rivais domésticos.

«É um pouco mais fácil do que a Ásia, mesmo que seja difícil», acredita David Pambianco, diretor-geral da consultora de moda Pambianco, sediada em Milão. «Ele está a jogar com empresas maiores do que a dele, com muito dinheiro para investir. Ser melhor do que os outros não é fácil», acrescenta.

Sandro Veronesi revelou que as lojas nos EUA devem abrir nos próximos dois anos, embora reconheça que será difícil conquistar consumidores num mercado dominado pela L Brands Inc – que detém as marcas Victoria’s Secret e La Senza –, que no ano terminado a 31 de janeiro de 2015 registou um volume de negócios de 24,7 mil milhões de dólares.

Veronesi considera que a valorização de 2,8 mil milhões de dólares do grupo Calzedonia pela Bloomberg é «mais ou menos» precisa, embora tenha sublinhado que o valor exato é difícil de avaliar. O grupo não tem planos imediatos para uma oferta pública inicial e não está a ponderar novas aquisições, garantiu Veronesi. «Preferimos crescer internamente», afirmou o empresário. «Há muitas empresas à venda na Europa no nosso negócio, mas atualmente os preços pedidos são muito altos», acrescentou.

Ao mesmo tempo, Sandro Veronesi está a tentar aumentar a visibilidade das marcas, nomeadamente através da realização de eventos como a produção do espetáculo no gelo Intimissimi On Ice, que decorreu no último fim de semana, em Verona, que incluiu a mostra das propostas da marca, a performance de patinadores olímpicos e a atuação da cantora Ellie Goulding.

«Cada marca está a tentar comunicar melhor, de forma mais eficiente, com os seus consumidores, porque os consumidores estão certamente cansados do mesmo tipo de comunicação», acredita Veronesi. «A ideia é oferecer um espetáculo – é uma forma de tornar a marca mais acolhedora, mais interessante, mais atual», resumiu o empresário.