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Cama amiga do ambiente

Os artigos das empresas portuguesas já não fazem só uma boa cama: fazem também bem ao meio ambiente, graças às preocupações desde as fibras aos processos de produção.

Adalberto

A roupa de cama portuguesa, tal como acontece com a de banho, está a vestir-se com as cores da sustentabilidade, com a oferta de produtos “amigos do ambiente” a aumentar, nomeadamente em marcas e empresas como a Adalberto, Home Flavours, Inup, Lameirinho, Marizé, Moretextile, Sampedro,  Piscatêxtil ou Têxteis Penedo, para referir apenas algumas.

Joaquim Ferreira

«Olhamos muito para o estilo e para a forma como as pessoas vivem hoje», reconhece Joaquim Ferreira, CEO da Inup. «Tentamos sempre entender bem os clientes e usar matérias-primas interessantes, mas sempre focados no estilo de vida dos clientes: como vivem, como mudaram os seus hábitos na decoração da casa», aponta.

Na Heimtextil, e a pensar já nas próximas estações, as propostas da Inup concentraram-se nos fios reciclados e no algodão orgânico, acompanhadas pelos respetivos certificados. «O mercado procura este tipo de produto. Não atinge grandes volumes, mas há procura», assegura o empresário, que revela que é nos EUA que sente um maior apetite pelos artigos sustentáveis. «Mas hoje em dia todos procuram. Não há é grande volume por causa do preço», afirma ao Jornal Têxtil.

Maria José Faria

Na Marizé, que se estreou nesta edição da Heimtextil, há também uma estratégia cada vez mais verde. «Temos a preocupação desde a escolha dos fios, da matéria-prima, preocupamo-nos que os fornecedores cumpram todas as regulamentações», garante a diretora-executiva Maria José Faria. «A nossa preocupação com a ecologia já vem de trás, mas a nova geração ainda nos impõe mais esse sentido de responsabilidade», admite.

A empresa, que conta no portefólio com lençóis, almofadas, colchas e capas de edredão, ostenta a certificação Oeko-Tex e «estamos em processo de certificação BCI – Better Cotton Initiative», revela Maria José Faria. Ao mesmo tempo, tem realizado novos investimentos não só em teares mais eficientes em termos energéticos, como também na iluminação das instalações e em painéis fotovoltaicos.

Boas energias

Esta preocupação com a energia é praticamente transversal e empresas como a Adalberto estão igualmente a substituir a iluminação fluorescente por LED’s, que são mais eficientes. «A sustentabilidade e a economia circular são duas situações que, quer como consumidores, quer como produtores, estamos todos a assumir consciência da importância de preservar e de ajudar para que o planeta seja sustentável. E, como tal, todos temos obrigações. Não é o que os outros podem fazer, é o que cada um de nós pode fazer para o que planeta seja sustentável», defende Mário Jorge Machado, presidente da Adalberto, que foi uma das pioneiras na estamparia digital, uma tecnologia que reduz o consumo de água e energia em comparação com a tecnologia convencional.

Na Sampedro – que desde 1921 aposta no linho, uma das matérias-primas naturais mais “amigas” do ambiente –, os novos investimentos, que em dois anos somaram 3,2 milhões de euros, foram concentrados, entre outras áreas, em máquinas «mais eficientes em energia, com menos consumo de água e auxiliares», explica o presidente da produtora de roupa de cama, Simão Gomes.

Reciclar e inovar

Outra preocupação das empresas que trabalham a roupa de cama prende-se com a reciclagem ou reaproveitamento dos desperdícios no processo produtivo. «Os nossos resíduos são todos reciclados. Temos empresas que recolhem os resíduos, tanto de algodão, como de plástico e papel», afirma Décio Costa, administrador da Piscatêxtil.

Décio Costa

Embora tenha sentido esta preocupação desde cedo, a introdução de artigos com caráter mais ecológico deu-se mais recentemente. «Só agora é que se justifica porque começa a haver procura por parte dos clientes. Quando é só um cliente a procurar é mais complicado», considera. Atualmente, contudo, «já tenho alguns clientes que só compram produtos com fios orgânicos – se não for orgânico, não compram», adianta Décio Costa.

Com foco nos mercados nórdicos, que têm maior apetência por este tipo de artigo, a Piscatêxtil apresentou na Heimtextil, pela primeira vez, tapetes com fios orgânicos e colchas «com uma lavagem especial que consome menos 83% de água», que foram bem recebidos pelos visitantes da feira de têxteis-lar. «Já temos algumas encomendas para estes novos produtos», anuncia o administrador.

Xavier Leite

Já a Têxteis Penedo colocou em destaque tecidos produzidos com o novo fio de cortiça desenvolvido em parceria com a Sedacor. «Acreditamos que tem um grande potencial de negócio», sublinha Xavier Leite. «As primeiras impressões são extremamente positivas. Existe a curiosidade também pelo produto, agora falta ver a aceitação do público geral consumidor. Mas penso que não será problemático», afiança.

As propriedades da cortiça, que é totalmente reciclável e aprovisionada de forma sustentável, além de ser resistente à fricção e ter propriedades antibacterianas e termorreguladoras naturais, tornam-na numa matéria-prima de eleição para quem quer dar cartas na ecologia. «Cada vez mais temos de nos preocupar com a natureza – se todos continuarmos a contaminá-la ao nível que se verifica hoje, não existirá muito futuro», sublinha o presidente da Têxteis Penedo.