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Camboja aumenta salário mínimo

O apelo para a permanência no país surge na sequência da decisão, divulgada no dia 12 de novembro, do Comité Consultivo do Trabalho nomeado pelo governo cambojano, para aumentar o salário mínimo mensal dos atuais 100 dólares para os 128 dólares a partir do dia 1 de janeiro de 2015. O Comité Consultivo do Trabalho aprovou a moção de apoio aos 123 dólares por votação, com o primeiro-ministro, em seguida, a adicionar 5 dólares, representando um valor final de 128 dólares, conforme referiu Ken Loo, secretário-geral da Associação de Fabricantes de Vestuário no Camboja (GMAC), em declarações ao just-style. Mesmo sem prémios e subsídios – que as estimativas do GMAC levam o salário mensal dos trabalhadores para os 145 dólares –, a medida significa que o salário mínimo mensal do Camboja é agora maior do que: Mianmar (50,6 a 60,6 dólares), Bangladesh (68,0 dólares), Paquistão (101,0 dólares), e até mesmo algumas zonas da Índia (65,0 a 142,6 dólares) e do Vietname (88,7 a 126,0 dólares), de acordo com os dados incluídos num relatório da Organização Mundial do Comércio (OMC). Embora os produtores digam que vão cumprir com a decisão do governo, também alertaram que o aumento salarial «vai afetar seriamente a sobrevivência de muitas fábricas». O novo salário é superior ao limite mínimo esperado de 121 dólares, mas fica aquém da meta de 140 dólares dos trabalhadores e sindicatos. Na realidade, os sindicatos dizem que a decisão do governo, embora um pouco acima da recomendação do comité consultivo do trabalho de 123 dólares, representa «mais uma oportunidade desperdiçada». Eles já avisaram que os longos atrasos para atingir o novo salário mínimo poderão desencadear protestos, depois de mais de 1.000 pessoas terem participado num comício em setembro para exigir melhores salários. «Vamos deixar clara a nossa deceção com o Camboja», sublinhou Philip Jennings, secretário-geral da Uni Global Union. Oito das principais marcas de moda mundiais, incluindo um dos maiores clientes do Camboja, a H&M, manifestaram o seu apoio em relação às negociações para aumentar os salários dos trabalhadores de vestuário do país – em linha com os esforços para melhorar a produtividade dos fornecedores. «Temos a intenção de fazer as marcas cumprirem a sua palavra e vamos continuar a trabalhar com elas num mecanismo que vai alargar os salários para os trabalhadores nas suas fábricas fornecedoras», afirmou Jyrki Raina, secretário-geral da IndustriALL. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) também pediu às marcas internacionais para permanecerem comprometidas com o Camboja como destino de subcontratação e para refletirem o aumento do salário nos seus preços FOB para 2015. «Isso vai abrir caminho para uma implementação harmoniosa do novo salário mínimo e aliviar a pressão dos custos nas fábricas de vestuário, que têm enfrentado a estagnação ou queda dos preços em alguns dos seus principais mercados de exportação», revelou a organização em comunicado enviado ao just-style. A OIT tem desempenhado um papel fundamental na elaboração de um acordo entre sindicatos, empregadores e governo, para realizar ajustes anuais ao salário mínimo que entram em vigor a 1 de Janeiro de cada ano. Os salários são ajustados para ter em conta as necessidades dos trabalhadores e das suas famílias, mudanças no custo de vida e nos preços e o impacto do salário mínimo sobre as empresas, sobre a competitividade internacional dos sectores, no mercado de trabalho e no emprego.