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Camboja contraria futuro verde

Os planos do Camboja para aumentar a quantidade de energia gerada a partir do carvão nos próximos anos estão a deixar as marcas de vestuário preocupadas, visto que possuem objetivos opostos, visando a utilização de energias renováveis e a redução da pegada de carbono.

[©Bloomberg]

Uma carta dirigida ao governo do Camboja, referida na Nikkei Asian Review, revela que empresas como a Adidas, H&M, Puma e a Gap estão a mostrar alguma inquietação com os planos do país, de quase triplicar a quantidade de energia produzida a partir do carvão no curto prazo.

Ainda na missiva, as empresas advertem para o facto de que os projetos do Camboja, que pretendem recorrer a combustíveis fosseis em vez de adotarem energias renováveis como a energia solar ou eólica, entram em desacordo com as metas de redução das emissões de carbono, destaca a Nikkei Asian Review.

«As decisões de eletricidade tomadas hoje vão condicionar o Camboja a um futuro que parecer ser o oposto das tendências globais e regionais e que é menos atrativo para a nossa indústria», pode ler-se na carta.

«Os países que atualmente priorizam as energias renováveis e um futuro verde vão evitar desperdiçar dinheiro em tecnologias desatualizadas, que muito em breve se vão tornar caras e obsoletas», afirma.

A carta foi enviada a 11 de agosto, quando o Camboja foi parcialmente suspenso do programa Everything But Arms (EBA) da União Europeia, o que na prática quer dizer que algumas das exportações do país asiático, como vestuário, calçado e artigos de viagem, ficaram sujeitos às taxas alfandegárias da UE e vão agora contrair taxas à nação mais favorecida da OMC.

[©Cambodianess]
«Uma parte importante da nossa meta de nos tornarmos positivos para o clima até 2040 é manter um diálogo próximo com as partes interessadas e os responsáveis políticos nos países em que estamos presentes. Na carta para o governo, mencionámos a importância de continuar a desenvolver um plano de energia renovável no Camboja e diminuir a dependência das cadeias de aprovisionamento nas soluções de combustíveis fosseis, enquanto, em simultâneo, as empresas tomam medidas que levem a cumprir as metas climáticas», explicou um porta-voz da H&M ao just-style. «Isto vai ter um papel crucial no futuro do Camboja como um mercado atrativo de sourcing», sublinhou.

A Adidas não quis comentar a participação na carta, mas um porta-voz da gigante alemã reconheceu que a empresa está focada em promover o uso de energias renováveis para os próximos anos, como já acontece na Alemanha, onde quase todas as fontes de eletricidade são renováveis. A Adidas proporciona ainda, aos fornecedores, orientações políticas e as melhores práticas de gestão ambiental ao oferecer sessões de formação adaptadas a todas as necessidades, para medir o progresso face às metas estabelecidas de redução de energia.

A Puma e a Gap, igualmente participantes na carta, não responderam atempadamente aos pedidos de comentários do just-style.