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Camboja soma exportações

O aumento do salário mínimo não beliscou as exportações de vestuário e calçado do Camboja em 2015, com o país a registar um crescimento no comércio externo de 7,6%, para 6,3 mil milhões de dólares. Os preços mantiveram-se em rota descendente, apesar da subida verificada nos envios para a UE.

Os dados mais recentes sobre as exportações, o emprego e a abertura de fábricas no mais recente Boletim Sectorial de Vestuário e Calçado do Camboja, publicado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), mostram que o aumento nos salários não prejudicou as trocas comerciais.

O salário mínimo subiu de 128 dólares para 140 dólares (de cerca de 112 euros para 123 euros) no início do ano e os salários médios mensais dos trabalhadores aumentaram 20,7%, para 175 dólares, em 2015, em comparação com 145 dólares no ano anterior, uma vez que vários subsídios obrigatórios foram incluídos.

A OIT adverte, contudo, que «embora pareça não ter havido efeitos negativos dos aumentos do passado, o salário mínimo do Camboja era baixo pelos padrões internacionais. É possível que possa haver um ponto de viragem em que aumentos futuros possam afetar negativamente o emprego e isso vai ser uma questão importante para continuar a monitorizar».

Para a globalidade do ano, as exportações de vestuário e calçado atingiram 6,3 mil milhões de dólares, um aumento de 7,6% em comparação com os 5,8 mil milhões de dólares alcançados no ano anterior. O crescimento é, no entanto, inferior ao aumento de 9,6% atingido entre 2013 e 2014.

O sector do calçado continuou a acelerar, com um aumento de 21,8% nos envios, para 538 milhões de dólares, enquanto as exportações de vestuário subiram 6,5%, para 5,7 mil milhões de dólares.

A União Europeia continua a ser o principal mercado do vestuário e calçado fabricado no Camboja, com uma quota de 46%, enquanto os EUA representam 30% das exportações. Os restantes 24% têm outros mercados como destino, sobretudo o Canadá e o Japão.

Apesar da forte performance das exportações, os produtores de vestuário do Camboja enfrentaram o desafio da continuação do declínio nos preços pagos pelos compradores, sobretudo nos EUA e no Japão. O preço médio do vestuário (por dúzia) vendido nos EUA em 2015 foi 29% mais baixo do que em 2005. Da mesma forma, os preços do vestuário vendido nos mercados da UE foram 18% mais baixos no ano passado do que em 2005.

Mas houve uma ligeira recuperação no vestuário vendido à UE e ao Canadá, com aumentos anuais de 1,1% e 6%, respetivamente. O ligeiro incremento nos preços da UE foi o primeiro evidenciado em quatro anos.

Embora o vestuário e o calçado continuem a ser a espinha dorsal das exportações do Camboja, representando 78% do total vendido ao exterior, houve uma redução da sua quota, em comparação com 82% em 2010, à medida que a economia do país se diversifica.

A Política de Desenvolvimento Industrial de 2015 a 2025 – oficialmente lançada em agosto de 2015 – pretende reduzir a quota do vestuário e calçado nas exportações para apenas 50% do total até 2025.

Investimentos em curso

O empurrão do governo para promover outros sectores da economia pode também ser responsável pela queda no número de aberturas de novas fábricas no ano passado.

Segundo o Conselho de Investimento do Camboja, houve 124 novos projetos de investimento em todos os sectores aprovados em 2015 – 72 dos quais no sector do calçado e vestuário, avaliados em 377 milhões de dólares em bens fixos. Este número marca um declínio de 17% em termos de valor em comparação com o mesmo período de 2014.

O investimento direto estrangeiro no sector foi largamente impulsionado por investidores da China Continental, que representaram 34,6% do total, seguidos do Reino Unido (29,5%), Taiwan (10,3%) e Hong Kong (10%). O resto foi proveniente do Japão, Coreia do Sul, Malásia, Seychelles e do próprio Camboja.

A maior parte dos projetos de vestuário e calçado aprovados durante o ano foi na forma de um único proprietário (87,5%), com as joint-ventures a representarem os restantes 12,5%. Houve 75 fábricas novas de vestuário e calçado abertas em 2015 e só encerraram duas – dando um aumento líquido de 73 fábricas em 2015, das quais 68 de vestuário e cinco de calçado. Este aumento foi ligeiramente inferior ao de 2014, onde se registou um aumento líquido de 98 novas fábricas de vestuário e calçado. Tanto o número de aberturas como de encerramentos de fábricas foi mais baixo em 2015 do que em 2014.

Em linha com este crescimento, o emprego manteve-se sólido, tendo aumentado 10,4%, para mais de 620 mil trabalhadores.

Entre as outras políticas que afetaram os trabalhadores no sector no último ano destacam-se ainda a ligação direta dos quartos dos trabalhadores ao sistema elétrico e de água estatal, uma lei de controlo de rendas para quem tem rendimentos baixos – que foi aprovada com o intuito de proteger os trabalhadores do vestuário e do calçado da subida das rendas que ocorre em resposta aos aumentos do salário mínimo – e uma maior abrangência da segurança social, que passa agora a incluir proteção na saúde para além da proteção em casos de acidentes ou doenças profissionais.