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Campanha promove salário base – Parte 2

O debate em torno da definição de um salário de sobrevivência, capaz de garantir as despesas básicas, ganhou nova vida com a iniciativa Asia Floor Wage Alliance (AFW Alliance), que integra representantes de catorze países e quer estabelecer um salário mínimo mensal proporcional a 475 dólares em toda a ásia (ver Campanha promove salário base – Parte 1). Conseguir o envolvimento das empresas Um dos maiores desafios na implementação do salário de sobrevivência passa por convencer os retalhistas e fornecedores a apoiarem a sua aplicação, arcando com os custos mais elevados de fazer negócios nos países envolvidos e evitando a potencial deslocação dos negócios de um país para outro. Embora a realidade evidencie que o facto de pagar um salário de sobrevivência em países produtores com baixos salários acrescentaria apenas alguns centavos no preço de retalho do vestuário, a procura dos retalhistas por moda barata, que Anna McMullen, coordenadora da campanha Labour Behind the Label, descreve como «uma grande corrida para o fundo dos salários e dos preços», combinada com um foco renovado nas despesas, fruto da recessão, pode tornar mais difícil a aceitação. O plano é promover um esforço colaborativo entre diversos grandes compradores, para alterarem as suas práticas e, em última instância, convencer as marcas e os retalhistas a comprometerem-se a pagar, no mínimo, o valor estipulado pelo Asia Floor Wage. Não se espera que seja uma mudança da noite para o dia, «vai ser através de uma combinação de melhorias de produtividade e de preços e consulta com trabalhadores e fornecedores», explica McMullen. «A esperança é que, quando uma empresa se comprometer [com o AFW], vamos colocá-la em contacto com os sindicatos, para que trabalhem no sentido de encontrar formas de avançar com os níveis salariais que foram definidos», acrescenta a responsável. Responsabilidade do retalhista No entanto, a responsabilidade de absorver o custo dos salários mais elevados, encontra-se fundamentalmente na capacidade dos compradores pagarem preços mais elevados aos fornecedores. Uma vez que os salários representam apenas uma pequena percentagem no preço de retalho, normalmente 0,5% a 1,5%, a AFW Alliance acredita que a cadeia de fornecimento tem capacidade para absorver os aumentos de salários, sem muita dificuldade. «O dinheiro para os salários não vai sair dos bolsos dos fornecedores asiáticos», afirma Anannya Bhattacharjee, coordenadora internacional da AFW Alliance. «Deveria sair dos lucros que se estão a acumular desproporcionalmente nos compradores. Queremos uma distribuição insignificante de uma parte dos lucros… não esperamos que os fornecedores paguem os salários dos seus próprios bolsos. São realmente os compradores, que são os principais empregadores e são os compradores que têm essa obrigação». A responsável também observa que a AFW Alliance tem a responsabilidade de garantir que salários mais altos acabam nos bolsos dos trabalhadores. A Labour Behind the Label também pretende influenciar os governos a apoiarem uma base salarial e a ajustarem os níveis do salário mínimo em concordância. Em última instância, a campanha Asia Floor Wage estabeleceu o desafio para as marcas, retalhistas, governos e empregadores, no sentido de se certificarem de que a indústria do vestuário comece, finalmente, a pagar aos trabalhadores o que eles merecem.