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Campos & Campos com prego a fundo

A produtora vertical de meias, fundada em 1982, investiu fortemente na internacionalização nos últimos 12 anos e está a aumentar a sua capacidade para responder à procura. Para 2017 conta com um projeto de investimento de 11 milhões de euros, apoiado pelo Portugal 2020, para incrementar a competitividade do negócio.

Conhecido pelo seu percurso ímpar como piloto de rally, Miguel Campos assumiu em 2004 o volante da empresa fundada pelo pai e, desde logo, voltou-se para os mercados internacionais. «Em 2005 tivemos uma grande crise económica, a nível de mercado interno, ficamos completamente estagnados com a entrada da China, da Turquia. Vendíamos muito para o mercado interno e tivemos que pensar noutras saídas. E a saída n.º 1 foi mesmo o mercado externo, encaminhei todas as nossas energias para a exportação», revelou o CEO da Campos & Campos ao Jornal Têxtil, numa entrevista publicada na edição de fevereiro.

A quota de exportação passou de 60% para 99%, indicou Miguel Campos, com a Europa a ser o principal destino, embora a empresa tenha igualmente relações comerciais com países na América, África e Ásia. «A Campos & Campos tem investido muito em feiras e missões de prospeção de mercado – estamos muito no terreno. É claro que no meio de 100 contactos, se calhar aproveitamos 10. Às vezes ando a trabalhar um cliente e só depois de cinco ou seis anos é que começo a colher frutos. É um processo longo, tem de se investir, fazer muitas amostras, muitas visitas, muitas reuniões, mostrar até as pessoas acreditarem, porque temos que nos colocar no lugar do comprador», explicou o CEO. Mas a fórmula para conquistar os clientes já está definida: «temos apostado em artigos diferentes, preços competitivos e, especialmente, no poder de resposta. O poder de resposta é muito importante porque, hoje em dia, os clientes querem tudo rápido».

A unidade industrial vertical tem crescido de ano para ano e 2016 não foi exceção, com um aumento superior a 35% do volume de negócios, para 15 milhões de euros. «Desde 2004, temos tido sempre um crescimento anual acentuado e posso dizer que a nossa empresa é das maiores da Europa», destacou.

A Campos & Campos emprega atualmente cerca de 260 pessoas e tem uma capacidade produtiva de 150 mil a 200 mil pares por dia. Atenta às mudanças no mercado, a empresa, que atualmente realiza 70% do volume de negócios em meias de desporto e de trabalho, está ainda a investir na marca própria, a Silver Clean, que representa 10% do negócio. «É uma marca mais virada para a exportação, para os mercados da Escandinávia. Tem várias vertentes, desde a vertente medicinal, antibacteriana a outras vertentes voltadas para o conforto», referiu Miguel Campos. Aliás, o CEO acredita que é na inovação que estará o futuro do sector. «Penso que as meias vão fazer sempre a diferença pela parte técnica. Uma pessoa que veja uma meia técnica nova vai comprar para experimentar se é boa, se faz efeito. Portanto, penso que a vertente técnica é o futuro da meia», sublinhou.

Depois de um ano de 2016 de «muito investimento», com a aquisição de maquinaria que permitiu aumentar em 30% a produção, o CEO está convicto que 2017 «vai ser o ano de consolidar todo o investimento, de organização, de expansão em novos mercados e expectamos um crescimento de 3% a 4% no final do ano». Já a mais longo prazo, afirmou, «esperamos chegar aos 20 milhões de euros em 2019», acrescentando que «o nosso objetivo é sempre apostar na modernização, porque a partir daí estamos sempre no topo e podemos melhorar a nível de custos e de qualidade».