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Cânhamo cresce no Texas

Com o valor do mercado do cânhamo industrial a dever mais do que quintuplicar nos próximos cinco anos, a Panda Biotech está a criar nos EUA a primeira unidade fora da China capaz de processar e tratar cânhamo para utilização na indústria têxtil.

[©Business Wire]

A empresa sediada em Dallas, selecionou Wichita Falls, no Texas, para o que afirma ser o maior e mais atualizado centro industrial de processamento de cânhamo dos EUA. A Panda Texas Plains Hemp Gin será igualmente a primeira unidade no país a ser capaz de tratar a fibra de cânhamo à escala comercial para a indústria têxtil e vestuário e a única instalação no mundo, com exceção da China, dedicada tanto ao processamento como ao tratamento de remoção da lenhina que une as fibras de cânhamo e impede que sejam fiadas nos mesmos equipamentos usados para o algodão e a lã. Este tratamento permite que as fibras de cânhamo sejam misturadas com outras fibras naturais ou sintéticas em fios para malhas ou tecidos.

Nos ensaios, a fibra foi fiada, os fios foram tricotados, as malhas resultantes foram estampadas, cortadas e costuradas, dando origem a uma peça de vestuário de gama alta.

A empresa está a trabalhar com diversas marcas conhecidas para desenvolver fios de mistura em vários títulos, para têxteis sustentáveis e inovadores que vão usar o tratamento desenvolvido pela Panda Biotech para o cânhamo.

«Depois de fazer uma pesquisa ao nível estatal de potenciais instalações, para além de reunirmos com responsáveis em várias cidades, escolhemos Wichita Falls como a localização perfeita», explica Scott Evans, vice-presidente executivo da Panda. «Além da comunidade agrícola local, a cidade e os responsáveis têm sido excelentes», aponta.

Gigante na produção

Na sua capacidade total, a Panda Biotech espera que a fábrica de Wichita Falls produza anualmente mais de 15 toneladas de fibra de cânhamo adequada para ser usada em vestuário.

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As instalações de 46.500 metros quadrados e o campus circundante de quase 400 mil metros quadrados vão albergar uma linha “gigante” de remoção da lenhina, com equipamento para separar a parte externa da parte interna do cânhamo. Na sua capacidade total, os equipamentos deverão processar cerca de 136 toneladas por ano de cânhamo cultivado no Texas.

A fibra será refinada para aplicações têxteis e a parte de dentro, mais amadeirada, será processada para diversos propósitos industriais, como construção e compósitos.  A Panda estima que as duas linhas de processamento gerem aproximadamente 30 milhões de dólares (25,6 milhões de euros) por ano para os agricultores do Texas.

A primeira linha está a ser construída e deverá ser entregue em dezembro de 2020, pelo que a fábrica deverá começar a laborar, de forma parcial, no primeiro trimestre de 2021 e ambas as linhas devem ficar prontas até ao final do próximo ano. A Panda vai ainda assinar contratos com agricultores do Texas na região para a época de cultivo de 2021.

«Estamos muito entusiasmados por esta unidade não só ajudar a responder ao aumento da procura mundial por fibra industrial de cânhamo, como também por ajudar a criar uma nova indústria sustentável», afirma Scott Evans.

Uma cultura sustentável

O cânhamo é considerado uma das culturas mais ecológicas, exigindo menos 70% de água do que a maioria das fibras vegetais usadas na produção de têxteis. Além disso, o cânhamo exige poucos herbicidas, fungicidas ou pesticidas e tem qualidades consideráveis de regeneração do solo. A agricultura de cânhamo industrial revelou cientificamente ser capaz de minimizar as emissões de dióxido de carbono, absorvendo mais CO2 por metro quadrado do que qualquer outra cultura comercial ou florestal, destaca a Panda Biotech.

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O cânhamo industrial é usado para diferentes aplicações, graças à sua durabilidade e sustentabilidade ambiental. A fibra processada, o centro de madeira e a celulose do cânhamo industrial podem ser usados de diferentes formas, em produtos como têxteis, materiais de construção, papel, componentes automóveis, nanomateriais, compósitos e bioplásticos. Há ainda investigações que mostram que supercapacitadores à base de cânhamo oferecem uma alternativa mais barata aos materiais atualmente usados em baterias recarregáveis para aplicações como smartphones e automóveis elétricos.

Por tudo isso, o mercado mundial de cânhamo industrial deverá crescer, segundo a Panda Biotech, de 4,6 mil milhões de dólares em 2019 para 26,6 mil milhões de dólares até 2025, impulsionado sobretudo pelos consumidores que procuram produtos e serviços mais sustentáveis ambientalmente.