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Carrefour reforça aposta no lar

O Carrefour tem fortes ambições para o seu novo conceito de produtos para a casa. A nova marca Carrefour Home, no mercado desde o final de 2006, deverá alargar, em 2008, a oferta de têxteis-lar. Nathalie Boutelet, responsável pelo sector não-alimentar, relembra que, no ano passado, o Carrefour não tinha muita variedade nesta área, mas que «este ano, para as festas de fim de ano, criamos uma linha de mesa coordenada com as louças. Na Primavera/Verão 2008, vamos acrescentar os cortinados, as mantas e as almofadas de decoração». A marca prevê também desenvolver a sua oferta de produtos de marca Carrefour Home para o quarto (um sector onde já está tradicionalmente forte, sobretudo na linha de cama) e para a casa de banho. A marca Carrefour Home centrou-se, por altura do lançamento no ano passado, nas artes de mesa. Em 2007, estendeu-se aos objectos e a diferentes acessórios, coordenados em temas como "Vida em Cor-de-Rosa", "Ouro Festivo", "Preto e Branco", etc. A decoração de exterior deverá ser o passo seguinte, uma vez que para o Carrefour «o jardim é actualmente a quinta divisão da casa». Os têxteis de exterior vão fazer parte da marca. «Fizemos estudos junto dos consumidores que nos dizem que o equipamento para casa, actualmente, é um todo. Por isso, estamos progressivamente a alargar o conceito», explica Nathalie Boutelet.Um conceito que deverá ser posto em prática nas renovadas lojas da cadeia, onde todo o conceito não alimentar (a começar pelo vestuário) está em vias de ser repensado, mas também nas lojas maiores, onde o espaço o permitir. A vontade, em todo o caso, está claramente demonstrada: «Queremos desenvolver as nossas vendas no mercado da casa», afirma France Plasse, responsável de comunicação do Carrefour, cuja rede conta actualmente com 218 lojas em França. Fora da SuiçaMas se em França as coisas correm bem, no estrangeiro nem tudo tem sido fácil. Depois de ter saído recentemente de Portugal, o grupo francês de distribuição saiu também do mercado suíço, após ter falhado o objectivo de chegar ao topo das preferências dos consumidores. O gigante da distribuição vendeu os seus hipermercados em território suíço, uma vez que não antevê qualquer hipótese de chegar ao seu objectivo principal, que era tornar-se o número 1 ou o número 2 do mercado. O grupo francês instalou-se no mercado suíço em 2000, entusiasmado com o elevado poder de compra das famílias e com as margens de lucro, superiores às habituais. Para isso, comprou a rede de hipermercados Jumbo, e contava abrir uma nova loja todos os anos. Porém, o grupo "desencantou-se" rapidamente, face, nomeadamente, às dificuldades burocráticas encontradas. Sete anos mais tarde, com 12 hipermercados abertos e com mais dois em construção, o grupo francês tinha apenas 1,1% de quota de mercado do retalho suíço, com um volume de negócios que não ultrapassava os 620 milhões de euros. Verificando que o mercado de distribuição na Suiça era muito disputado e que mais de 50% estava concentrado nas mãos de dois actores locais – a Coop e a Migros -, o Carrefour decidiu abandonar o território, tal como fez no Japão, na República Checa e em Portugal. As cadeias de desconto alemãs Aild e Lidl – até agora ausentes do mercado suíço – tentam aproveitar a oportunidade e estão a instalar-se com dinamismo.A Migros é actualmente o líder da grande distribuição na Suiça, com vendas anuais consolidadas de 12,8 mil milhões de euros e 590 pontos de venda. O grupo está particularmente activo no sector têxtil. É claramente o líder de mercado para o vestuário de bebé e lingerie. Só vende praticamente marcas próprias e é apreciado pelo seu empenho no comércio justo.