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Casa da Praia no Brasil

Depois de apostar em parcerias criativas – como é o caso da sua colaboração com a conceituada estilista nacional Maria Gambina, cujos desenvolvimentos resultantes desfilaram já nas passarelas do Portugal Fashion, Moda Lisboa e Gaudi Barcelona –, a Casa da Praia decidiu apostar em parcerias estratégicas para a sua expansão internacional. Com efeito, a especialista em estamparia, uma das grandes referências nacionais neste sector que confere uma real mais-valia ao produto têxtil final, integra um consórcio nacional que acaba de inaugurar uma estamparia em terras de Vera Cruz – a Universal Print.

«Trata-se de uma parceria entre a Casa da Praia e a Filibranca (estamparias), a Elitex (confecção), a F4D (agentes) e um sócio brasileiro com experiência em estamparia. É essencialmente uma parceria de competências complementares onde todos defendem a qualidade do produto nacional», explica Alexandre Almeida, sócio-gerente da Casa da Praia. «A Universal Print vem colmatar não só as necessidades da Universal Têxtil, a empresa de confecção criada pela Elitex e pela F4D no Brasil, mas também as do próprio mercado brasileiro local, já que as cerca de 400 a 600 estamparias de Fortaleza não têm grande capacidade de resposta e são bastante tradicionais».

No entanto, a aposta do consórcio português tem como objectivo primeiro atacar o mercado europeu com produtos mais competitivos. «O projecto engloba defender os nossos clientes cá, em alternativa à China, e com tecnologia portuguesa», afirma. «Mas os nossos planos incluem também comercializar no Brasil tintas, equipamento São Roque e formação, já que a própria estamparia vai ter uma escola para formar técnicos».

As instalações da nova estamparia foram cedidas pela Prefeitura de Pacatua (Fortaleza), nas quais o consórcio já investiu cerca de 130 mil euros em infra-estruturas para suprir necessidades ambientais, energéticas e higieno-sanitárias. Para além da tecnologia tradicional incluindo a parte de flocagem, a nova estamparia já dispõe de uma máquina de estampar São Roque completamente automatizada, num investimento global que ascende a 250 mil euros. «Até meados do próximo ano, temos previsto a aquisição de mais dois tipos de máquinas de estampar», revela Alexandre Almeida. «A empresa brasileira vai inicialmente laborar com 3 a 4 máquinas e um efectivo de 12 a 20 pessoas. Mas dentro de 3 anos, esperamos chegar às 200 pessoas»

Pode-se já afirmar que foi “chegar, ver e vencer”, pois não tardaram a aparecer encomendas por parte de reputadas empresas brasileiras como a Carmin, Whoman, Elus e Fórum, todas oferecendo artigos com uma forte componente moda. «Ficámos impressionados com a facilidade com que estabelecemos boas relações comerciais em apenas dois meses», adianta o sócio-gerente da Casa da Praia. «No entanto, todos os parceiros pensámos da mesma forma: não visamos o retorno imediato mas sim que a empresa se capitalize autonomamente».

Nos últimos 6 anos, a inovação tem sido uma prática constante na Casa da Praia, onde a empresa tem mesmo dado provas de grande pioneirismo. «Estreámos a primeira máquina oval São Roque, quando ainda nenhum estampador acreditava no seu potencial. Hoje é o equipamento mais vendido», declara Alexandre Almeida. «Dispomos de duas máquinas em que fomos os primeiros a utilizá-las e de outras duas em que fomos terceiros». A empresa dispõe também de tecnologias de ponta como o sistema de estampagem automática Compact, equipamento de estampar por laser e máquinas de flocagem a 4 cores com adesivo plastisol.

Mas o empreendorismo da Casa da Praia estende-se também à vertente associativa, já que é um dos membro-fundadores da primeira associação de estamparias. «Esta associação visa defender o produto que fabricamos – o estampado – e a sua divulgação. A estamparia portuguesa é das melhores do Mundo», sublinha.

«O futuro da Casa da Praia manter-se-á nos mesmos moldes e com a mesma agressividade com que se tem pautado a sua linha de acção passada e presente», assegura Alexandre Almeida. «Vamos continuar a apostar no desenvolvimento de estampados com toque agradável e desenhos que se demarquem pela diferença, combinando floco com relevo, glitter com tinta,… Procuraremos sempre fazer coisas diferentes em Portugal, que não serão possíveis realizar no Brasil».