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CE analisa a competitividade da UE

A Comissão Europeia publicou o Relatório da Competitividade Europeia de 2004, uma publicação anual que abrange as questões fundamentais da competitividade europeia. O relatório de 2004 foca em três questões fundamentais: China, indústria automóvel e o papel das políticas governamentais sobre a competitividade europeia. A análise das políticas governamentais inclui estudos concretos de políticas de investigação e de questões relacionadas com a eficiência na prestação de serviços de saúde.

De acordo com o referido pelo Vice-presidente da Comissão Europeia, Günter Verheugen, o relatório aponta para a necessidade de aumentar a competitividade e a inovação na UE, de forma a responder ao desafio de países como a China, que se está a transformar num concorrente com preços muito baixos em indústrias especializadas. Verheugen referiu ainda que uma das prioridades da Comissão é enfrentar este desafio enquadrando-o na Estratégia de Lisboa (vernotícia no PT).

A análise da China no relatório concentra-se nas recentes modificações registadas no comércio da China com a UE, assim como no papel das políticas industriais e do investimento estrangeiro no desenvolvimento da mudança estrutural. A concorrência das importações da China costumava concentrar-se em artigos com mão-de-obra intensiva e indústrias de reduzida especialização. Actualmente, a activa politica industrial chinesa está a transformar o país num concorrente com produtos de baixo custo em indústrias altamente especializadas.

Devido à abertura gradual da China à economia internacional, as suas exportações registaram um crescimento anual superior a 10% desde a segunda metade da década de 90. Actualmente, a China é o quarto principal exportador mundial de produtos comerciais, em 2003 as exportações foram responsáveis por 31% do PIB da China. Relativamente à UE, a China é o segundo principal parceiro comercial, precedida apenas pelos EUA. A balança comercial de produtos manufacturados da ex-UE15 com a China evoluiu desde um saldo positivo europeu em 1995 para um deficit comercial de 10.373 milhões de euros em 2002.

A política industrial chinesa atraiu de forma selectiva o investimento directo estrangeiro (IDE) em industrias tecnologicamente intensivas de forma a beneficiar da tecnologia e do conhecimento estrangeiro especializado. Em simultâneo, as autoridades chinesas promoveram, activamente as empresas nacionais com maiores potencialidades de competir nos mercados mundiais. Estas medidas contribuíram para o rápido crescimento das estruturas industriais chinesas.

O nível de investimento estrangeiro aplicado na China registou uma subida significativa desde os modestos valores registados no início da década de 90 para os 52.700 milhões de dólares em 2002. Este valor é quase o dobro do IDE realizado na Europa Central e de Leste e quinze vezes superior ao IDE realizado na Índia.

Os principais responsáveis pelo investimento estrangeiro na China encontram-se na comunidade chinesa localizada em Hong Kong e Taiwan. Cerca de 10% do IDE realizado na China tem a sua origem na UE-25. Inicialmente, o IDE realizado pela UE na China era motivado pelos baixos custos e destinava-se às indústrias exportadoras. Actualmente, uma crescente parte do IDE é motivado pela intenção de alimentar o emergente mercado interno chinês.

Um dos exemplos mais significativos desta realidade encontra-se na indústria produtora de equipamentos para telecomunicações e computadores, onde as empresas que surgiram do investimento estrangeiro são actualmente responsáveis por 60% a 70% da produção. Estas duas indústrias encontram-se entre os três principais exportadores para a UE, com crescimentos de 20% a 30% no volume anual de exportações.

O rápido crescimento de importações de produtos de elevada especialização com origem na China representa um desafio para a UE, um mercado no qual a China era reconhecida como um fornecedor de produtos de reduzida especialização. São necessários esforços contínuos no sentido do crescimento da inovação e da produtividade para que seja possível assegurar a competitividade da UE. Simultaneamente, o rápido crescimento do mercado chinês e as reformas realizadas pela China com orientação para o mercado, incluindo a entrada para a OMC em 2001, originaram importantes oportunidades comerciais e de investimento para as empresas europeias.