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CENIT premeia moda para gamers

O Futures.ModaPortugal cumpriu a sua missão – identificar uma boa ideia e valorizá-la para a transformar numa empresa competitiva. E o primeiro lugar foi atribuído a um empreendedor que, não tendo qualquer conhecimento sobre a área da moda, criou a marca Ese Sports, dedicada aos gamers.

Pedro Cardona (Ese Sports) e Luís Figueiredo, presidente do CENIT

No Dia das Bruxas, Pedro Cardona, engenheiro informático, encantou o júri e levou para casa o prémio de 5 mil euros em vale de consultoria para lançar a sua marca dedicada aos gamers. Num contexto em que os E-sports têm conquistado um crescimento notável de praticantes ao longo do tempo, o engenheiro deu conta de que a indústria têxtil e vestuário não tem conseguido acompanhar esta evolução. Deste modo, propõe-se a estudar potenciais lesões derivadas dos movimentos dos “gamers” e produzir o primeiro equipamento completo para este segmento de mercado que previna os riscos inerentes à prática deste desporto – denominação atribuída recentemente. A ideia será divulgar a marca em plataformas de streaming para gamers, através de parcerias com equipas e jogadores individuais, que serão usados como embaixadores.

Em declarações ao Portugal Têxtil, Pedro Cardona confessou-se «muito surpreendido» pela decisão do júri, acrescentando que «concorri só para ver no que é que dava. Achava a ideia interessante, mas nunca pensei que tivesse este feedback». O engenheiro considera que o título conquistado, «acima de tudo, vai ser um cartão de visita para poder vender a minha ideia, para mostrar a minha ideia. Acho que vai ser muito bom para atrair investidores e é um rótulo excelente para abrir portas».

O Futures.ModaPortugal é um programa que visa identificar ideias inovadoras e submetê-las a um processo de aceleração de negócios, para as transformar em empresas competitivas no seio da indústria da moda. Organizado pelo CENIT – Centro Associativo de Inteligência Têxtil no âmbito do projeto Norte Fashion & Creative Startup, o programa, entre outras atividades, reuniu um conjunto de conferências sobre temas pertinentes e relevantes como formação, inovação, marcas/marketing e design e sustentabilidade, destinadas aos empreendedores que queiram investir na moda, contando com a participação de especialistas em cada uma destas áreas. O projeto Norte Fashion & Creative Startup é um programa de apoio ao empreendedorismo criativo na indústria têxtil e vestuário que tem como entidade promotora o CENIT, com cofinanciamento do FEDER através do Programa Operacional Regional Norte 2020 do Compete 2020.

Sob o mote “Empreendedorismo e Novos Negócios”, o CENIT deu por encerrado o projeto, numa tarde dedicada à apresentação e premiação dos projetos finalistas do concurso, que incluiu um esclarecimento sobre os apoios e incentivos ao empreendedorismo, por Hermano Rodrigues, consultor da SIGMA Team Consulting.

Pódio partilhado

Apesar da Ese Sports ter superado a concorrência, a marca não foi a única a ser premiada pelo programa. Em segundo lugar, ficou a Mia-Mo de Alexandra Ferreira. A empreendedora procura «in-vestir» nas mulheres, isto é «informar mais vestir», criando uma linha de peças versáteis e práticas para profissões executivas ou de escritório, que lhes permitam estar sempre prontas para qualquer ocasião.

Alexandra Ferreira (Mia-Mo)

Além disso, oferece ainda serviços de formação e consultoria de imagem pessoal e comunicação, no sentido de refinar a imagem das suas clientes. «As nossas peças são como as mulheres: tão bonitas por fora como por dentro», terminou Alexandra, com esta ode que lhe garantiu o prémio de três mil euros em vale de consultoria.

Sem conseguir tomar uma decisão consensual, o júri completou o pódio com a atribuição do terceiro prémio de 1,5 mil euros aos projetos UN T de Tiago e Joana Silva e Unis Design Studio de Sónia Lopes e Nídia Campos. Este duo feminino, já com uma vasta experiência na área da confeção, procura apostar na produção de tecidos, desenvolvendo um catálogo de peças únicas com padrões diferenciadores para a indústria da confeção, ambientalmente conscientes.

Unis Design Studio e UN T

Por outro lado, Tiago e Joana Silva desenvolveram uma «marca completamente sustentável», «onde vão buscar as matérias brutas de desperdícios têxteis, criando, então, as nossas obras-primas». O objetivo é reduzir o consumo e, consequente produção têxtil, através do reaproveitamento do desperdício para obter «peças únicas e irrepetíveis», confessaram os criadores. A UN T, apela, assim, à «consciencialização ambiental, à consciencialização de personalidade e de arte vestível que o nosso consumidor poderá adquirir», apontaram.

Projetos podem vingar no futuro

Ainda que a decisão esteja tomada, Manuel Lopes Teixeira, consultor do projeto, apelou aos concorrentes que «não desistam», reforçando que «é impossível, com a informação que temos hoje, poder dizer qual é o projeto que, de facto, daqui a 4 ou 5 anos vai vingar e ditar as regras do jogo».

Inês Alexandre (DDW)

Neste sentido, Inês Alexandre cocriou uma marca de streetwear DDW (Don’t Die Wondering), inspirada no Algarve e em Manuel Teixeira Gomes, antigo presidente da república. O objetivo é desenvolver peças de elevada qualidade com materiais e técnicas mais sustentáveis, valorizando as regiões de Portugal, através da cultura, da mão-de-obra e da comunidade “Wonders” que sempre acompanhou a marca, explicou Inês.

Já David Pereira conhece profundamente o mundo da moda de luxo internacional. Os seus anos de formação e experiência em Paris levaram-no a construir a sua própria linha de vestuário Pereire, que apresentou na ModaLisboa. A marca de alta-costura define-se como sofisticada, versátil e ecologicamente consciente, dirigida ao consumidor sustentável. O objetivo é «a sustentabilidade do planeta, acima de tudo, não só na área da moda», esclareceu.

Ana Viriato (AV Portuguese Brands)
David Pereira (Pereire)

Da televisão para o online, Ana Viriato, com uma longa carreira de comunicação com foco particular na moda, decidiu apostar na AV Portuguese Brands, um marketplace que irá acolher exclusivamente marcas portuguesas, no sentido de auxiliar a sua difusão coesa e uniforme, tanto a nível nacional como internacional.

Ana Viriato acredita que a Portugal falta «um grito do Ipiranga que [expresse que] nós somos pequeninos, mas somos muito bons naquilo que fazemos. E todos estes criadores precisam de uma porta-voz, precisam de alguém que os represente e que fale por eles».

Nuno Miranda (BrandAid)

Por seu lado, Nuno Miranda conta com 20 anos de experiência na área de compra e venda de marcas ligadas ao sector do calçado, a partir do qual nasceu o projeto BrandAid, uma plataforma online multifuncional que interliga «as lojas e as marcas, com uma abordagem de sustentabilidade no mercado, fornecendo-lhes as ferramentas para sobreviverem e prosperarem juntas», revelou.

Deste modo, a plataforma funciona como uma interface, onde serão divulgadas novas marcas, para chegarem ao mercado de forma mais célere, beneficiando de uma otimização do stock.

No total, foram apresentadas mais de 50 candidaturas ao programa de aceleração de negócios Futures.ModaPortugal, a maior parte das quais relacionadas com projetos de criação de marca própria de moda de autor, com diferenciação nas áreas da sustentabilidade e criatividade.

As portas continuam abertas

Contextualizando o tema sobre o qual assentou o Futures.ModaPortugal, Hermano Rodrigues aproveitou a ocasião para esclarecer as condições para o apoio dos projetos de empreendedorismo, que, até à estruturação do programa Portugal 2020, se restringiam muito à tecnologia, mas que agora começaram a integrar a vertente da criatividade.

Hermano Rodrigues (SIGMA Team Consulting)

O empreendedorismo elegível para os programas de apoio procura interligar «aquilo que é a criatividade, por um lado, e aquilo que é a inovação, pelo outro», assegurou o consultor.

Deste modo, Hermano Rodrigues enumerou um conjunto de seis tipos de projetos acessíveis aos investimentos da SIGMA Team Consulting, que se situam nas áreas de empreendedorismo (ou seja, criação de uma empresa ou investimento inicial numa startup), I&D, High Growth (projetos de elevado crescimento), Inovação Produtiva, Qualificação e Internacionalização.

Assim, Hermano Silva reconheceu que «há, de facto, uma cobertura bastante boa para um conjunto muito alargado de instrumentos que abordam as fases de ideia, arranque e desenvolvimento» de um projeto.

Nesta perspetiva, Manuel Lopes Teixeira revelou que «este projeto aponta caminhos para fazer do norte de Portugal um cluster a nível mundial. E isso só é possível com renovação de ideias e de negócios».

O objetivo para o futuro é continuar a apoiar o desenvolvimento de projetos, procurar melhores práticas nacionais, dinamizar e reforçar a rede de suporte de empreendedorismo e mobilizar o território nacional para a valorização da criatividade portuguesa. «Hoje termina uma fase, mas a vontade do CENIT e a disponibilidade para vos apoiar é total», garantiu Luís Figueiredo, presidente do CENIT.