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Chamam-lhe o mercado de sonho…

Os americanos direccionam muita da sua publicidade para o mercado gay. Na Europa, o Reino Unido e os países escandinavos são os países mais abertos em matérias de comunicar com a comunidade homossexual. Para os profissionais da moda, o importante é que os gays são os percursores das tendências e para além disso eles são dotados de um poder de compra superior ao da maioria. Mas, como é que as marcas e as insígnias de distribuição se posicionam no mercado? Metade dos dirigentes aos quais se colocou esta questão defendem-se dizendo que incluem este sector de mercado nas estratégias de marketing. Os hábitos de comportamento destes consumidores em relação à moda, os locais de compras e a frequência de compras fazem também parte duma investigação alemã, designada “O cliente gay”, feita pelas empresas de marketing e comunicação Gofelix e BBDO Consulting, que contou com 822 homens homossexuais entre os 16 e 49 anos. Na Alemanha, a Gofelix suspeita que a comunidade gay se situe entre 6 e 8% do número total de homens. Mas o mercado gay não é de todo homogéneo e para os investigadores é importante evitar tratar todos os homossexuais da mesma forma. Por esta razão, dividem-nos em 5 categorias. Dois dos grupos, “o gay consciente das marcas e interessado na carreira” (21%) e “o gay hedonístico e interessado pelas tendências da moda” (20%), são os mais importantes para o ramo da moda. Os restantes grupos, os “intelectuais e conscientes dos preços” (23%), “os gays convencionais e doméstico” (21%) e “os gays procuradores orientados pela convivência” (15%), são menos entusiasmados com a moda, mas mesmo assim, em geral os homossexuais mostram mais interesse na sua roupa do que os homens heterossexuais. A maioria (79%) dos homossexuais é muito meticuloso em relação à escolha da roupa e acham que o facto de estarem bem vestidos lhes dá um sentimento de segurança (77%). Isto não significa necessariamente que escolham uns outfits típicos para gays, aliás, um terço dos inquiridos são mesmo de opinião que o outfit gay não existe e só 30% dizem que querem mostrar através da sua roupa que pertencem à comunidade dos homossexuais. Dois terços dos questionados afirmam que têm prazer em fazer compras, um valor que normalmente só se atinge em relação às mulheres. Por esta razão, muitos gays compram a sua roupa espontaneamente (74%) e sem olharem ao preço (65%). A marca da roupa é muito importante para eles, mas não se inibem de comprar também nos saldos (54%). Uma em cada duas pessoas (49%) assume que gasta muito dinheiro em roupa, uma grande diferença em relação aos homens heterossexuais (13%). A juntar-se a estas características pode acrescentar-se que este tipo de clientes têm muito interesse pela qualidade dos produtos (86%) e gosta de ser aconselhado pelos empregados (61%). A conclusão que se pode tirar é de que os homossexuais têm muito cuidado com a forma como se vestem. Na maioria das vezes vestem-se melhor, efectuam as suas compras duma maneira mais espontânea e gastam mais dinheiro do que os heterossexuais. Estes são os clichés típicos sobre os gays que a sociedade sente e que se mostram como sendo verdadeiros nos vários estudos feitos a este mercado tipo que, começa agora a ser explorado pelas grandes marcas e designers.